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quinta-feira, maio 17, 2007

Meninos de berço


O príncipe Harry já experimentara todas as emoções de risco, mas guardava o sonho de saber-se assassinado, em directo, para todos os telejornais do mundo, filmado por câmaras de vídeo manhosas, numa produção parapornográfica cuidadosamente pensada por um qualquer grupo terrorista eficaz e sanguinário, sediado no coração do deserto iraquiano. Quem é que ainda não sabia como ia acabar o príncipe?!
Finalmente, alguém do exército inglês veio pôr cobro aos caprichos do reizinho de terceira escolha, que tanto desejava brincar às guerras como as pessoas normais, que são tão giras a morrer normalmente, e a fazer falta à família chorosa.
O príncipe ficou desolado. A família real censurou a decisão.
Compreendo a rainha de Inglaterra: está certo que é o netinho, mas
perdia-se pouco. O orçamento de Estado britânico livrava-se de uma despesa avultada, ela, de trabalhos, e, quem lê revistas do coração, de repetitivas notícias sobre tendências nazis, linhas de coca, carros de luxo espatifados, e namoradas indescritivelmente velhas aos 20.
Falta-me toda a paciência para meninos de bercinho de ouro!


Série Venenos Letais

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Ideias Inglesas II


Antigamente, a ocupação de reis e príncipes, como a de toda a nobreza, era o fossado. Lá partiam cheios de testosterona, ou arranjavam-na pelo caminho, nem quero saber como; chegados ao terreiro da barbárie, matavam e morriam. Exactamente como D. Sebastião.
Já se sabe que quem vai à guerra dá e leva, ou melhor, corre o risco de matar e morrer, porque é disso que trata. É o fim último da encenação de exercícios, fardas e armas apontadas e disparadas a alvos.
Neste momento, a Inglaterra debate-se com um problema. O terceiro herdeiro ao trono, na linha de sucessão, quer combater no Iraque como qualquer outro do seu batalhão, (toda a gente sabe que o jovem não é, efectivamente, outro qualquer, não senhor), e porque, e esta parte ele esconde, desespera por acção, uns gritos selvagens dentro dos tanques, "vamo-nos a eles", uns disparos, umas bejecas, umas brocas, tudo legítimo porque um gajo está na guerra e há que aproveitar a temporária indistinção entre certo e errado, sendo tudo certo.
Parece que o príncipe, que por tradição quer ir à guerra, como os príncipes seus antepassados - embora não convenha a ninguém que execute as funções para que se preparou - vai mesmo brincar com armas. Para o proteger, de forma a que possa meter as mãos no fogo sem se queimar, a Inglaterra vai formar e enviar para o Iraque um segundo batalhão secreto que não poderá perdê-lo da vista. Esta informação não está ainda confirmada. Mas eu sei. A intervenção do batalhão do príncipe, no Iraque, sairá duplamente cara ao contribuinte inglês.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Má sorte terem sido... princesas!



A princesa Kiko do Japão está grávida pela terceira vez.
Kiko é mulher do príncipe Akishino, o qual, por sua vez, é irmão do príncipe Naruhito, herdeiro ao trono.
O príncipe herdeiro, Naruhito, tem uma filha.
O príncipe em segundo lugar na linha de sucessão, Akishino, marido da Princesa Kiko, teve com esta duas filhas.
Outra personagem: o primeiro-ministro japonês, Koizumi, estava a pensar apresentar ao parlamento um projecto-Lei que permitiria a ascensão ao trono de mulheres; a filha do herdeiro, naturalmente. Parece que tal não é possível no Japão: uma mulher ser imperadora.
Mas, agora, que a princesa Kiko está grávida pela terceira vez, renasceu a esperança: talvez venha um rapaz, e, a ser assim, já não há necessidade de mudar nos próximos 100 anos.
Portanto, Koizumi desistiu do projecto-Lei.
Portanto, muitos chás de caridade para as princesas!



quinta-feira, agosto 04, 2005

Cristos modernos

As vidas alheias interessam-nos na medida em que acumulam reveses, desgostos, dores, frustrações. A quantidade é proporcional ao interesse. Vejamos os príncipes do Mónaco. O que nos interessa Carolina? Nada. É bonita, os filhos idem, chateia a cabeça à irmã, que aquilo não é comportamento de princesa; agora, se for casada com um alcoólico, passa instantaneamente para a ribalta; se tiver uma doença no couro cabeludo e precisar de usar um lenço à cigana, lá está...
Stephanie é o diamante do interesse público: sucessivos amores, separações, gravidezes reais e as inventadas, topless, uma tatuagem, duas, três; uma princesa que trabalha no circo, no café do namorado, que permite à filha balançar-se no trapézio; o sonso do irmão, quem é que dava um chavo pelo rapaz? Até diziam que jogava no outro clube - agora veio a saber-se que andou na estroinice com uma jovem hospedeira de um obscuro país africano, de quem tem um filho mulato - o mundo, claro, exultou: Eduardo passou a ter interesse.
Queremos encanto, a história de fadas. A seguir, sangue na arena. Sucedam-se, depressa, para que o mundo se revele normal.
Marilyn deu-nos tudo isto ao mesmo tempo: o encanto, a história de fadas e o sangue na arena. Quando morreu, deu-se a catarse, e o mundo sossegou: afinal, como era de esperar, morre cedo quem vive demais. Vegetemos, pois, devagarinho, enquanto os outros vivem por nós, morrem por nós, como Cristos modernos.

(Parte da ideia ideia contida na última frase pertence à minha prima afastada. Apanhei-a numa das nossas conversas de café sobre filosofia pura. Uso-a, pagando os respectivos direitos de autor. Obrigada, Joana Rita!)

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...