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quinta-feira, outubro 23, 2008

A fala que os meus pais falavam


Lá na minha fábrica, à hora do almoço, as minhas colegas falam dos filhos, e eu, claro, assisto calada, porque o assunto não me inclui.

Ontem, diziam elas, os filhos tinham perdido um téni na escola, como é que se perde um téni?! E a outra respondia, e o meu, todas as semanas tenho de lhe comprar canetas e lapises que eles os perde todos, ou roubam-lhos.
E não me contive, tive de falar, e depois dizem que tenho mau feitio e não sei quê. Mas até pedi licença para lhes explicar que as palavras que no singular terminam em -is, são uniformes em género e número, ou seja, não têm feminino nem plural. Que se diz um ténis, dois ténis, um lápis, dois lápis, um oásis, dois oásis, e por aí fora. Ficaram um bocado caladas a olhar para mim, assim como que magoadas, e eu compreendo, é chato. Depois perguntaram-me onde é que eu, uma empregada de fábrica igual a elas, tinha aprendido estas coisas. E respondi-lhes, é fácil, com o meu pai, que era electricista, e com a minha mãe, que toda a vida trabalhou muito, e em tudo, como uma escrava, embora lhe chamassem doméstica.


segunda-feira, setembro 01, 2008

Na moda II


Para comemorar o início do ano escolar, resolvi hoje oferecer aos leitores uma questão lexical, desta vez relacionada com o uso impróprio do vocábulo "energético".

Enérgico e energético são dois adjectivos derivados do vocábulo energia, mas com significados distintos.

É energético aquilo que produz energia. É enérgico aquilo que tem energia. Portanto, as pessoas e os animais são enérgicos, ou seja, têm energia, são animados por ela. As pessoas não são energéticas, porque não são produtoras de energia.
Energético é o carvão, o petróleo, a cafeína
, componentes da bebida Red Bull e das pastilhas de ecstasy. Fornecem energia.
Há compostos energéticos, bebidas energéticas, centrais energéticas, mas pessoas energéticas, não.


quarta-feira, agosto 06, 2008

Num dia soalheiro, lia o jornal numa casa solarenga


O P2, suplemento de ontem do jornal Público, trazia como tema de capa um artigo sobre a montanha K2, onde há poucos dias morreu mais de uma dezena de alpinistas. Leio todos os artigos sobre arriscadas aventuras de alpinismo, por considerá-lo uma actividade que não lembraria ao Marquês de Sade, se fosse masoquista.

Como actividade de Verão, há lá alguma coisa que substitua um belo livro lido à sombra, no pátio de uma casa solarenga?
Na página 4 do referido artigo, no final da quarta coluna de texto, pode ler-se o seguinte: "Algo de muito semelhante aconteceu em 1995, quando um grupo de alpinistas foi apanhado pelo mau tempo na descida. Um dia solarengo e calmo (as chamadas telefónicas do cume fizeram-se em condições perfeitas)".
Refiro-me a este erro lexical porque se tornou cada vez mais habitual, nos jornais e na blogosfera. É muito raro encontrar o vocábulo solarengo atribuído a um solar (casa), como seria correcto.
Os dias nunca são solarengos, a menos que pretendamos criar um recurso de estilo fazendo uso da palavra como adjectivo expressivo, a qual, de qualquer forma, terá de remeter para o solar (casa). Os dias são soalheiros ou ensolarados. Solarengos, só os solares.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Isto é mesmo uma dúvida

Há por ai alguém bom a Linguística, até basta ser razoável, que possa explicar-me por que motivo cera se escreve cera, mesa se escreve mesa e pêra se escreve com acento circunflexo?
Urgente. Por favor. Obrigada.

segunda-feira, abril 04, 2005

Porque quem não sabe é como quem não vê!

A Júlia Pinheiro acabou de dizer ao seu assistente de programa: "vai lá então andando que nós já nos vimos daqui a bocado!"
Bem, Júlia, quem sou eu para meter a seara em foice alheia!; vocês é que sabem da vossa vida - mas, desculpe lá, assim em época de luto nacional, não acha que se devia controlar um bocadito?!
Mais respeitinho não se perdia!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...