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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Um favor que me fizeram

A semana passada esqueci-me da mala no elevador. Pousei-a no chão, juntamente com uma outra que trago, cheia de papelada, enquanto observava o correio tirado da caixa. Chegada ao meu andar, saí naturalmente, após ter-me inclinado ligeiramente para agarrar as asas, sem olhar. Levei para casa a dos papéis, mas a outra, a mala com dinheiro, documentos, batons, pacotes de açúcar, preservativos trazidos da ILGA, líquido para limpar as lentes dos óculos, e todos os outros objectos que uma mala de mulher pode conter, ficou para trás. Acontece. Apercebi-me disto uma hora mais tarde, quando precisei do telemóvel.

Deduzi que a tinha esquecido no átrio do prédio, junto às caixas de correio, pelo que decidi iniciar um périplo por todos os andares, perguntando aos vizinhos, que não conheço, se a tinham encontrado. No sexto andar tive sorte. Um senhor de bigode abriu-me a porta, sorriu-me com evidente censura, movimentando o indicador em gancho, como a chamar-me, e atirou-me, “como é que se pode perder uma mala num elevador?” Eu estava por tudo, até para receber lições do papá, viesse a malinha, e lá lhe expliquei o que tinha acontecido. Não lhe disse que era muito distraída. Achei que não lhe cabia saber.

O dito vizinho é uma pessoa que se vê bastante pelo prédio, com quem me cruzo frequentemente na porta de entrada. E disse-me, “tinha andado a ver se descobria quem era, e por acaso até reconheci a sua cara no bilhete de identidade, mas não sabia o andar. Tem aqui 190 euros! Sabe disso?!” Acrescentou novo olhar de censura. Sim, sabia; tinha acabado de levantar o dinheiro, estava bem consciente do que implicaria perder a mala, e estava preparada para lhe ficar eternamente agradecida por tê-la recolhido, ou pagar-lhe alvíssaras, se mas pedisse.
O vizinho exortou-me a contar o dinheiro na sua presença, acto que declinei; pareceu-me mal desconfiar de uma pessoa que acabava de me fazer um favor. E não desconfiava.
Agradeci muito, despedi-me, e foi nessa momento que ele chegou o seu rosto mais perto do meu, e quase me sussurrou, cúmplice, todo sorrisos, “estive quase para lhe roubar os dois preservativos que aí tem, mas depois pensei... se calhar ainda iam fazer-lhe falta...”
Rasguei um esgar. Meti-me depressa no elevador com o agradecimento eterno todo estraçalhado aos meus pés.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...