
"És velho demais para mim", costumo eu pensar, cá com os meus botões, quando homens da minha idade, e até mais novos, me atiram misteriosos olhares parados de difícil entendimento. Olho sempre para baixo, não traga algum botão desabotoado ou uma inesperada nódoa de sopa. Chego a pensar que alguns desses senhores de idade, de trinta e tal, quarentas, sofrem de paralisia nas pálpebras.
A maior parte dos homens não só envelhece cedo, como deve e nunca paga ao santo padroeiro da beleza. Nem quero ser demasiado exigente: um aspecto sem ranço, com pés e sovacos lavados, chegaria lindamente.
A dura verdade é que o horizonte de acasalamento de uma mulher de 40 anos, chegada a Primavera, revela-se confrangedor. Há muito divorciado, lá isso há, mas nem as hormonas mais encarniçadas conseguem ignorar a praga bacteriana da bigodaça lusa.
A partir dos 30 e tal, o macho lusitano acha por bem munir-se do que considera ser um infalível atractivo de natureza sexual, e deixa crescer farta ou arquitectónica bigodaça, que não se lembrou de usar aos 20, ou não se atreveu. Só aos 20 um rosto pode suportar a mancha de um bigode, e, mesmo assim, em nome da palhaçada ou do estilo marialva-chic. Muito excepcionalmente, um bigode admite-se aos elementos das forças policiais, se for no exercício das suas funções, porque faz parte da farda, e às mulheres, por indiscutíveis questões de pêlo na venta.
Não sei se os bigodados lusitanos já repararam, mas o primeiro acessório de caracterização que um humorista cola na beiça, ao pretender assumir o papel do macho ultrapassado, um bocado sebento, retardadado, é o bigode. Não acontece por acaso. Os bigodes são ridículos.
Por tudo isto, e muito ajudada por me ter cansado de desmamar vitelos que bem me chupam as tetas à conta bancária, vinha pedir aos senhores mais ou menos da minha idade, a gentileza de se esforçarem por parecer mais ou menos da minha idade. Não querendo abusar, rapar os bigodes havia de ser um bom começo!
A maior parte dos homens não só envelhece cedo, como deve e nunca paga ao santo padroeiro da beleza. Nem quero ser demasiado exigente: um aspecto sem ranço, com pés e sovacos lavados, chegaria lindamente.
A dura verdade é que o horizonte de acasalamento de uma mulher de 40 anos, chegada a Primavera, revela-se confrangedor. Há muito divorciado, lá isso há, mas nem as hormonas mais encarniçadas conseguem ignorar a praga bacteriana da bigodaça lusa.
A partir dos 30 e tal, o macho lusitano acha por bem munir-se do que considera ser um infalível atractivo de natureza sexual, e deixa crescer farta ou arquitectónica bigodaça, que não se lembrou de usar aos 20, ou não se atreveu. Só aos 20 um rosto pode suportar a mancha de um bigode, e, mesmo assim, em nome da palhaçada ou do estilo marialva-chic. Muito excepcionalmente, um bigode admite-se aos elementos das forças policiais, se for no exercício das suas funções, porque faz parte da farda, e às mulheres, por indiscutíveis questões de pêlo na venta.
Não sei se os bigodados lusitanos já repararam, mas o primeiro acessório de caracterização que um humorista cola na beiça, ao pretender assumir o papel do macho ultrapassado, um bocado sebento, retardadado, é o bigode. Não acontece por acaso. Os bigodes são ridículos.
Por tudo isto, e muito ajudada por me ter cansado de desmamar vitelos que bem me chupam as tetas à conta bancária, vinha pedir aos senhores mais ou menos da minha idade, a gentileza de se esforçarem por parecer mais ou menos da minha idade. Não querendo abusar, rapar os bigodes havia de ser um bom começo!