Ontem, ao fim da tarde, em São João da Caparica, havia marés vivas. A vassoura do vento varria, para Norte, ao correr da crista das ondas, uma chuva fina, branca, quase gasosa. Um fumo. As ondas galgavam-se, atropelavam-se já ao longe, bem altas, e rebentavam como leite. Sentia-se o barulho muito forte das correntes, não apenas nos ouvidos, mas no estômago. A luz incidia filtrada de rosa-sépia sobre as dunas; um par de namorados beijava-se; ninguém na areia molhada.
Um dia, quando for feliz, o que chamarei a isto?
Um dia, quando for feliz, o que chamarei a isto?
(No Kontiki bar tínhamos bebido, primeiro em silêncio, depois rindo um bocado, um lindo jarro de sangria branca com abacaxi, morango, kiwi, papaia e laranja - mas já tenho vergonha de contar estas partes!)


