A maior parte da lingerie sexy é chata de usar.
A fibra sintética arranha, causa comichões, e deixa pequenos vergões na pele, sobretudo se temos tendências para alergias, que não é o meu caso – relembro que o meu lote de fabrico é anterior aos seventies, logo, 100% anti-alérgico, anticorrosão, “bate e toca a andar”, mais conhecido por “versão tanque de combate adaptado a todo-o-terreno”.
Porém, as minhas jovens amiguinhas, clientes nas melhores lojas de lingerie, nasceram alérgicas a tudo, inclusive aos materiais que vestem. Apesar de tudo, insistem na compra, o que me causa uma perplexidade pasmosa.
Costumam levar-me às compras, a tiracolo, que tenho muito bom gosto, que não deixo passar nada, e ajudo lindamente a escolher os conjuntinhos que depois usarão com os namorados; as camisas de dormir, etc. Pijamas, nunca, que elas não usam pijamas frente aos namorados.
Na verdade, não tenho mau gosto, nem menor sentido prático, mas, esse, serve-lhes pior. Encaminho-as para roupinhas confortáveis, macias, fáceis de vestir e de usar durante horas seguidas, de preferência em cor lisa. “Nem penses”, respondem-me.
Elejo o algodão, fibra tão saudável que quase faz bem à pele, como um creme de tratamento. E isto é a pura verdade. Em lingerie, o algodão torna-se bastante sensual, sobretudo quando fino, egípcio, aderindo à pele nuns sítios, enfolando noutros. O algodão tem feitiço, existe para o feitiço, na minha opinião, e há lojas onde é possível comprar peças muito leves, esvoaçantes, translúcidas. Peças divinas. A oysho, por exemplo.
Para mim, o algodão é o supremo requinte. Mas elas torcem o nariz e não largam as minúsculas peçazinhas de rede, de renda, com efeitos complexos. Pergunto-lhes se dormem bem com as camisinhas de renda e cetim com apliques. Que não muito bem, mas que, a mais das vezes, a lingerie é artifício para antes de dormir; depois dormem sem.
Confesso compreender os encantos de dormir sem, sobretudo quando dormimos enroladas em pele humana sempre muito quentinha e peluda. Compreendo tão bem que prefiro mudar já de assunto.
Pergunto-lhes como fazem em suas próprias casas, a sós, sem artifício. Nesse caso, venha o algodão, confirmam; umas camisas largueironas com uns ursinhos, t-shirts da publicidade, usadonas, as cuecas de algodão mais velhas, os soutiens desirmanados das cuecas, uns quaisquer.
“E quando fores viver com ele?!” Ah, quando forem viver com eles, os pobres enfeitiçados, ou seja, enganados, terão de gramar as camisas dos ursinhos, porque se acabou a diversidade complexa da lingerie, que a coisa sai cara.
Uma pessoa fica a pensar, "coitados!", a menos que até prefiram as camisas largueironas dos ursinhos, que a gente nunca sabe o que as pessoas desejam lá no fundo dos fundos (se a realidade, se a imagem artificiosa), não é justo uma pessoa pensar que encontrou a cinderela mais sexy do povoado e acabar metido na mesma casa, na mesma cama, e todos os dias, com uma sopeira de cuecas lassas como qualquer outra.
Pobrezinhos, pobrezinhos! Não é justo! Às vezes, chego a ter pena deles!
A fibra sintética arranha, causa comichões, e deixa pequenos vergões na pele, sobretudo se temos tendências para alergias, que não é o meu caso – relembro que o meu lote de fabrico é anterior aos seventies, logo, 100% anti-alérgico, anticorrosão, “bate e toca a andar”, mais conhecido por “versão tanque de combate adaptado a todo-o-terreno”.
Porém, as minhas jovens amiguinhas, clientes nas melhores lojas de lingerie, nasceram alérgicas a tudo, inclusive aos materiais que vestem. Apesar de tudo, insistem na compra, o que me causa uma perplexidade pasmosa.
Costumam levar-me às compras, a tiracolo, que tenho muito bom gosto, que não deixo passar nada, e ajudo lindamente a escolher os conjuntinhos que depois usarão com os namorados; as camisas de dormir, etc. Pijamas, nunca, que elas não usam pijamas frente aos namorados.
Na verdade, não tenho mau gosto, nem menor sentido prático, mas, esse, serve-lhes pior. Encaminho-as para roupinhas confortáveis, macias, fáceis de vestir e de usar durante horas seguidas, de preferência em cor lisa. “Nem penses”, respondem-me.
Elejo o algodão, fibra tão saudável que quase faz bem à pele, como um creme de tratamento. E isto é a pura verdade. Em lingerie, o algodão torna-se bastante sensual, sobretudo quando fino, egípcio, aderindo à pele nuns sítios, enfolando noutros. O algodão tem feitiço, existe para o feitiço, na minha opinião, e há lojas onde é possível comprar peças muito leves, esvoaçantes, translúcidas. Peças divinas. A oysho, por exemplo.
Para mim, o algodão é o supremo requinte. Mas elas torcem o nariz e não largam as minúsculas peçazinhas de rede, de renda, com efeitos complexos. Pergunto-lhes se dormem bem com as camisinhas de renda e cetim com apliques. Que não muito bem, mas que, a mais das vezes, a lingerie é artifício para antes de dormir; depois dormem sem.
Confesso compreender os encantos de dormir sem, sobretudo quando dormimos enroladas em pele humana sempre muito quentinha e peluda. Compreendo tão bem que prefiro mudar já de assunto.
Pergunto-lhes como fazem em suas próprias casas, a sós, sem artifício. Nesse caso, venha o algodão, confirmam; umas camisas largueironas com uns ursinhos, t-shirts da publicidade, usadonas, as cuecas de algodão mais velhas, os soutiens desirmanados das cuecas, uns quaisquer.
“E quando fores viver com ele?!” Ah, quando forem viver com eles, os pobres enfeitiçados, ou seja, enganados, terão de gramar as camisas dos ursinhos, porque se acabou a diversidade complexa da lingerie, que a coisa sai cara.
Uma pessoa fica a pensar, "coitados!", a menos que até prefiram as camisas largueironas dos ursinhos, que a gente nunca sabe o que as pessoas desejam lá no fundo dos fundos (se a realidade, se a imagem artificiosa), não é justo uma pessoa pensar que encontrou a cinderela mais sexy do povoado e acabar metido na mesma casa, na mesma cama, e todos os dias, com uma sopeira de cuecas lassas como qualquer outra.
Pobrezinhos, pobrezinhos! Não é justo! Às vezes, chego a ter pena deles!
