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domingo, novembro 05, 2006

Chego a ter pena dos homens

A maior parte da lingerie sexy é chata de usar.
A fibra sintética arranha, causa comichões, e deixa pequenos vergões na pele, sobretudo se temos tendências para alergias, que não é o meu caso – relembro que o meu lote de fabrico é anterior aos seventies, logo, 100% anti-alérgico, anticorrosão, “bate e toca a andar”, mais conhecido por “versão tanque de combate adaptado a todo-o-terreno”.
Porém, as minhas jovens amiguinhas, clientes nas melhores lojas de lingerie, nasceram alérgicas a tudo, inclusive aos materiais que vestem. Apesar de tudo, insistem na compra, o que me causa uma perplexidade pasmosa.
Costumam levar-me às compras, a tiracolo, que tenho muito bom gosto, que não deixo passar nada, e ajudo lindamente a escolher os conjuntinhos que depois usarão com os namorados; as camisas de dormir, etc. Pijamas, nunca, que elas não usam pijamas frente aos namorados.
Na verdade, não tenho mau gosto, nem menor sentido prático, mas, esse, serve-lhes pior. Encaminho-as para roupinhas confortáveis, macias, fáceis de vestir e de usar durante horas seguidas, de preferência em cor lisa. “Nem penses”, respondem-me.
Elejo o algodão, fibra tão saudável que quase faz bem à pele, como um creme de tratamento. E isto é a pura verdade. Em lingerie, o algodão torna-se bastante sensual, sobretudo quando fino, egípcio, aderindo à pele nuns sítios, enfolando noutros. O algodão tem feitiço, existe para o feitiço, na minha opinião, e há lojas onde é possível comprar peças muito leves, esvoaçantes, translúcidas. Peças divinas. A oysho, por exemplo.
Para mim, o algodão é o supremo requinte. Mas elas torcem o nariz e não largam as minúsculas peçazinhas de rede, de renda, com efeitos complexos. Pergunto-lhes se dormem bem com as camisinhas de renda e cetim com apliques. Que não muito bem, mas que, a mais das vezes, a lingerie é artifício para antes de dormir; depois dormem sem.
Confesso compreender os encantos de dormir sem, sobretudo quando dormimos enroladas em pele humana sempre muito quentinha e peluda. Compreendo tão bem que prefiro mudar já de assunto.
Pergunto-lhes como fazem em suas próprias casas, a sós, sem artifício. Nesse caso, venha o algodão, confirmam; umas camisas largueironas com uns ursinhos, t-shirts da publicidade, usadonas, as cuecas de algodão mais velhas, os soutiens desirmanados das cuecas, uns quaisquer.
“E quando fores viver com ele?!” Ah, quando forem viver com eles, os pobres enfeitiçados, ou seja, enganados, terão de gramar as camisas dos ursinhos, porque se acabou a diversidade complexa da lingerie, que a coisa sai cara.
Uma pessoa fica a pensar, "coitados!", a menos que até prefiram as camisas largueironas dos ursinhos, que a gente nunca sabe o que as pessoas desejam lá no fundo dos fundos (se a realidade, se a imagem artificiosa), não é justo uma pessoa pensar que encontrou a cinderela mais sexy do povoado e acabar metido na mesma casa, na mesma cama, e todos os dias, com uma sopeira de cuecas lassas como qualquer outra.
Pobrezinhos, pobrezinhos! Não é justo! Às vezes, chego a ter pena deles!

quarta-feira, outubro 04, 2006

Segundo pensamento na alba

O raio do soutien aperta-me nas costas; ao longo do dia, vai deixar-me um vinco escuro na carne; um vinco vernelho cor-de-carne torturada; logo à noite há-de picar-me a pele apertada, quando o tirar de repelão, como se já estivesse enterrado na pele, e hei-de ter nesse sulco uma comichão mórbida, que não poderei coçar até sangrar, apenas massajar com talco, massajar, massajar docemente as feridas do dia. Vai ser o meu cilício dissimulado sob a blusa. Para meu castigo de qualquer coisa. Que não quero fazer.

domingo, julho 17, 2005

O idioma deles



Ontem passeei-me pela lingerie.
Claro que posso ir ali ao Pagapouco e comprar umas excelentes cuequinhas de algodão 100%, a 50 cêntimos cada. A pataco. Mas, onde ficaria o glamour?
Uma mulher como eu só compra lingerie numa loja especializada, e escolhe um conjunto
Chantelle, por exemplo, por um mínimo de 60€, todo em renda 100% poliester, daqueles que ninguém tem coragem de usar para ir trabalhar, por mor do conforto (para isso vestimos um prático Sloggi), e que, resumindo, serve para usar uns minutinhos antes, e tirar afogueadamente, ou então, não tirar completamente, baixar apenas umas alcinhas e afastar um bocadinho... claro, estragam-se rapidamente, apesar do número reduzido de horas de uso: tecido frágil sujeito a muita abrasão.
Ontem comprei um conjuntinho apropriado. Nunca me imaginei a vestir umas rendinhas cor-de-rosa, lilás e verde, tudo misturado, pensei que a combinação de cores não resultasse, mas, se resulta! Vesti, descrente, olhei-me ao espelho e não hesitei. Era aquilo!
Uma lingerie fala por nós. O design arrojado, a combinação de cores vão mostrar-me como uma mulher que arrisca, uma mulher diferente, ousada, pouco convencional, que não serve para casar nem para ter filhos, só para umas cabriolices inconsequentes - e a aparência, a única coisa que eles compreendem, é meio caminho andado, já se sabe.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...