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domingo, janeiro 07, 2007

Estrelas que caem do céu

Britney

A Britney Spears é gira. Tem uma carinha bonita, é roliça, e não perdeu ainda o ar viçoso de menina, que combina bem com a aura de mãe. Acho-lhe graça.

Esta semana, ou a anterior, resolveu pedir desculpa aos fãs, porque parece que tem andado a portar-se mal desde o divórcio. Tenho de lamentar que se desculpe. Uma estrela não pede desculpas desse género. Nem uma estrela nem ninguém. Pedir desculpas por ter uma vida privada que alguém torna pública? Pedir desculpas por não ser uma santa? Quem espera que uma estrela seja um ícone de santidade? Não chega que assuma a sua condição humana, corruptível, não deixando de ser uma estrela?!

Quanto mais baixo no lodo da humanidade cai uma estrela, mais se levanta enquanto ícone. É o contacto com esse lodo que a constrói. Recordo-me que não tinha comprado um único disco do George Michael, até ao dia em que foi apanhado nas casas de banho públicas de LA, pedindo ou oferecendo fellatios. De repente, o betinho do Last Christmas i gave you my heart tinha-se tranformado num homem palpável, autêntico. Era um ser humano, finalmente. No outro dia, vi-o numa entrevista ao People & Arts, rindo-se das asneiras em que vai sendo apanhado, a maior parte delas relacionadas com sexo ou drogas, e eu também me ri. George Michael aprendeu a tirar partido da sua condição humana para se tornar uma inegável estrela pop, com classe. E, claro, não tem desculpas a pedir.
Eu cá, gosto que vá fazendo asneiras. No final, rimo-nos todos, e não foi nada de especial. Foi só a vida.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Não há transplantes de coração


Para o leitor que deixou este comentário lá atrás.

"(...) isabela, sabes o que eu creio que foi um mundo perfeito (por momentos, claro)? aquilo que expressa o autoretrato que o Robert Mapplethorpe tirou da Patti e de si nas escadas de emergência da casa que compartiam então. Eram lindos e artistas 'em perfeição'."












sexta-feira, outubro 20, 2006

Alegrias e desgostos de Isabella


(clicar para aumentar)

Foto de Paolo Roversi, Room 811, Chelsea Hotel, New York City, 1992


Tradução minha (tentativa) de Looking at Me on Pictures and Photographers, Isabella Rossellini, Schirmer Art Books, 2002

As fotos de Paolo eram "struggenti". No dicionário, "struggente" significa "all-consuming", mas isso é apenas parte do significado. Struggente pode entender-se como a constante mágoa causada pelas alegria e desgostos da vida. (...) As fotos de Paolo são escuras, misteriosas e desfocadas. Não são imagens sobre a realidade, mas sobre o que se encontra nas nossas mentes quando recordamos coisas do passado ou esperamos que algo apareça num sonho.

quinta-feira, outubro 19, 2006

E amavam-se

(clicar para aumentar a foto)



Foto de Wim Wenders, Isabella e Scorsese, Monument Valley, 1978

Tradução minha de Looking at Me on Pictures and Photographers, Isabella Rossellini, Schirmer Art Books, 2002

Eu e Martin Scorcese, meu marido na altura, encontrávamo-nos sentados no banco de trás do descapotável de Wim Wenders.
O nosso carro tinha avariado algures no meio do nada, debaixo de um estonteante e escaldante sol. Eu e Martin permanecemos de pé, durante muito tempo, na autoestrada, esperando que aparecesse um carro ou um camião, para pedirmos boleia até qualquer sítio onde houvesse um telefone, alguma sombra e bebida. Não sou capaz de dizer quão aliviados, satisfeitos e supreendidos ficámos quando reconhecemos, no nosso salvador, o realizador alemão Wim Wenders (...).

(M., aqui tens a Road 66)

terça-feira, setembro 12, 2006

Let's go outside!


Robbie Williams continua a lamentar não existir, neste planeta, mulher alguma com atributos suficientes para satisfazer as suas exigências mais afectivas. Já procurou por tudo quanto é sítio, mas nada...
E não consegue ser fiel.... E elas não suportam mais tatoos... E elas não querem tirar fotos todas em pelota, e ele pela-se... E elas têm muitas mamas e não treinam o olhar de baixo para cima...

Dá entrevistas com um ar abatido, triste: vê-se mesmo que o homem está desconsolado; e avisa, ele avisa, "pronto, olhem, se calhar, se não conseguir encontrar a minha alma-gémea, terei de me contentar com uma alma-gémeo. Vai-me custar, eu sei, desculpem lá, mas pronto, se calhar vai ter de ser; olhem, pronto!"
Robbie, a gente já sabe! Vá, homem, desembucha!


segunda-feira, janeiro 30, 2006

Parece que é a vida!

Cristiano Ronaldo contratou o arquitecto Souto de Moura para lhe conceber uma casa de família, com um enorme lago artificial que possa servir de piscina; um projecto megalómano, localizado a sul do Tejo.
A crer nas palavras da irmã, Kátia, o clã é muito unido, pelo que se justifica este empreendimento.
O jogador, por seu lado, manifesta-se surpreendido com a simplicidade e humildade de Souto Moura, apesar de ser um dos melhores arquitectos do mundo.
Li isto, hoje, no Correio da Manhã disponível no café que frequento. Saí para a rua com um sorriso beato que ainda não se desfez.
Recordo que Figo também morou a 50 metros de mim, num 1º andar por cima do ex-Dia, agora Minipreço. Quando foi anunciada a sua ida para o Barcelona, há coisa de 11 anos, realizou-se uma pequena manifestação à porta do prédio, e eu diverti-me muito.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Maravilhas da Criação III




















Alguém pediu Sophia Loren?

Sophia não foi, inicialmente, incluída nas minha galeria "maravilhas da criação"; por um único motivo: não sorri, ou sorri pouco.
Aprecio mulheres e homens que sorriem, que riem abertamente, que soltam gargalhadas.
Com o passar dos anos, Sophia tem aprendido a fazê-lo em público, porque não só de uns lindos olhos e de uma linda boca se faz um rosto, o rosto.
Sophia Loren é, agora, uma diva mais velha, mas muito mais tangível.
Algum fogo lhe aqueceu as faces.


sábado, dezembro 10, 2005

Maravilhas da criação!

No princípio da adolescência coleccionei folhas com publicidade a perfumes e artigos de beleza, rasgadas às revistas femininas - por um único motivo: o rosto sublime das mulheres, as fotos magnifícas dos mais belos rostos do mundo.
Coleccionava perfeição, a maravilha da criação. Elas eram irresistíveis; eu não lhes resistia.
Tive vergonha da minha colecção durante muito tempo. Não queria que ninguém pudesse descobrir que admirava, horas a fio, essa questionável colecção de fotos das mais delicadas e hipnóticas mulheres do mundo. Brilhantes. Suaves. Doces. Selvagens. Tentadoras. Sempre maravilhosas.

Ingrid Bergman

Hoje, as mais belas mulheres do mundo, para os outros, não o são para mim. Os seus rostos não irradiam luz, a maior parte dos corpos são excessivamente masculinos, ou tornados andróginos pela magreza. A magreza excessiva torna os corpos iguais e, por isso, um corpo muito magro é inevitavelmente assexuado. Não possui beleza, apenas body art.

Portugal Fashion

Antigamente as mulheres não tinham os meios de que hoje dispomos para ser mais bonitas. Alguns existiam:
muita maquilhagem forte, mas não como hoje, anti-alérgica, adequada a tipos de pele, cremes que resolvem tudo, químicos eficazes, simultaneamente inofensivos.
Lembro-me que Jean Harlow, Marlene Dietrich e Greta Garbo, louríssimas, queimavam os cabelos com líxivia para os manterem dourados, luminosos: destruíram cedo o couro cabeludo. Mas enquanto durou, foram deusas!



Marlene Dietrich

Mas mais belas que hoje? Sabiam, sem dúvida, valorizar bem o que tinham; sabiam deixar-se fotografar. Havia um valor sagrado: ser feminina, ser bonita, mesmo dentro de um fato de homem, com o cabelo cortado. Havia olhos, bocas, gestos, ancas, seios, pernas. Havia um rosto e um corpo de mulher. Que não podia pertencer senão a uma mulher.
Portanto, mais belas, não, mas praticantes de uma "Ordem Feminina de Beleza" que resultou magnificamente. Que resultará sempre.

Marlene Dietrich

O unisexo anulou esse conceito. Mas não existe um corpo unisexo; não é desejável, não tem utilidade. O hedonismo procura rostos e corpos absolutamente iguais, fabricados em série como parafusos. Esses corpos desvalorizam-se, e a moda revela-o, ao negar o corpo que expõe em excesso ou que desfeia. As modelos são excessivamente magras. Não exibem, de fact, um corpo, mas constituem um cabide adequado a uma roupa que não queremos vestir, que é igual para todos os corpos.
Hoje em dia, uma mulher com um normal corpo de viola pode encontrar roupa que lhe sirva, mas se as calças e as saias não forem de tecido elástico, fazem rugas, refegos, foles. Serve na anca, mas sobra na cintura; serve no peito, mas a cintura está demasiado descaída.
Nós não somos direitas. Enfim, se exíbissemos a magreza das modelos talvez fôssemos direitas.

Em suma, o unisexo não serve corpos reais, corpos com barrigas, rabos, pernas redondas e uma cintura de viola.
O unisexo não serve as mulheres porque não valoriza o que têm de mais belo: uma alteridade física que as distingue, particulariza, que conta com as suas especificidades, e não só as respeita como valoriza.
Como valorizar uma barriga e torná-la sensual? Como transformar um anafado par de nádegas numa visão divina, sem que pareça ordinário?

Portugal Fashion

Antigamente, elas não eram mais bonitas, mas cultivavam uma beleza clássica que reconhecemos e, de imediato, veneramos, assim que a vislumbramos. Não falha. Uma mulher pode ser gira, sensual, mas bonita... quando afirmamos que uma mulher é bonita, estamos perante uma verdadeira beleza clássica ou o exercício esforcado por consegui-la.
A beleza é clássica.
E, se repararmos nessas mulhereres incrivelmente viciantes, elas são cumulativamente doces, suaves, aspirando a nada mais que a mais simples beleza. Elas são um pouco Marilyn Monroe.


Laetitia Casta

As mulheres queriam ser bonitas para agradar aos homens?
Sim, mas agora já não!
Não?! Mas é possível que uma mulher heterossexual, normal, ainda não destruída pelas quecas eventuais e sem significado do sábado à noite não queira agradar aos homens?
Umas às outras, sim; a nós, ao vazio das quatro paredes, mas aos homens, caramba!
Tenho muita pena, mas não quero ir pavonear-me linda para um jantar de amigas. A um jantar de amigas chego limpinha e decente.
Quero ir pavonear-me linda para um jantar de amigos e sentir que olham para mim como uma “maravilha da criação”, que apreciam o que vêem e o desejam e sonham comigo. Quero que sobre mim pouse esse olhar “és uma maravilha da criação”, esse olhar que só um homem a sério sabe oferecer, mesmo que não passe disso, e a maravilha nunca se torne de carne, não se dispa, nunca: seja só a Deusa. Meu Deus, os homens que passam por nós e com os olhos nos dizem, "valeu a pena ter chegado aqui para me cruzar contigo!"; "és a coisinha mais linda"; "és uma maravilha, a maravilha da criação".

Greta Garbo


Brigitte Bardot


Anita Ekberg


Para mim, ser feminista é isto: ser independente, malhar nos homens, com eles ao lado, concordantes, enquanto simultaneamente lhes digo "a seguir a mim, és a segunda maravilha da criação”.
E sem eles, sejamos realistas, este mundo não teria a menor hipótese de, ocasionalmente, se tornar deliciosamente perfeito.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...