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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Aniversários importantes



Hoje é o dia de aniversário da declaração universal dos direitos que nenhuma nação cumpre, embora passe a vida a lembrá-los às outras. É como o trânsito nas estradas portuguesas.
Cumulativamente,
a SOS Racismo faz 17 anos. Eis o seu novo cartaz e os meus parabéns.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Novos colonialistas desiludidos

As pessoas não mudam. Quando as reencontramos, muitos anos depois, percebemos por que nos afastámos.

A minha mãe acha que vai morrer e não pode deixar-me sozinha no mundo. Por isso, localizou-a. Eu quero estar sozinha no mundo. Quero a minha mãe e mais os amigos que escolhi, e me escolheram. De resto, por favor, deixem-me completamente sozinha no mundo, mas não me ofendam com as palavras brutais que tive de escutar a vida inteira sem poder protestar, e de que fugi quando fui senhora de mim.

A minha mãe deu-lhe o meu número. Ela queria muito falar comigo. Tinha-me perdido o rasto. Tinha saudades da doce menina perdida: eu. Em 20 minutos, o passado bateu-me no rosto com uma fenomenal chapada. "Os negros, os cabrões, os filhos-da-puta. Vim de lá há um ano. Nunca deixei que me faltassem ao respeito. Chamavam-me mamã, chamavam-me tia, e eu dizia-lhes, não sou tua mãe, que eu não sou puta. Nem tia, ó meu cabrão. E não me assaltas que eu sou branca e estrangeira e ponho a polícia atrás de ti, meu escarumba de merda."
Ouvi isto toda a minha vida. Venham-me falar no colonialismo suavezinho dos portugueses... Venham-me cá com essa história da carochinha.

As pessoas não mudam. Um branco que viveu o colonialismo será um branco que viveu o colonialismo até ao dia da morte. E toda a minha verdade é para eles uma traição. Uma afronta à memória do meu pai, mas com a memória do meu pai podemos bem: eu e ele. Se não fosse pela minha mãe, pelo respeito e amor que lhe tenho, rebentava-lhes os olhos com a minha verdade.
Os carniceiros foram todos tão bonzinhos que quando matavam o cabrito davam as vísceras aos pretos. A tripa. A pele. Pagavam-lhes o trabalho escravo com porrada e a farinha, que comiam com as mãos, aqueles porcos, e se os faziam trabalhar sete dias por semana, sem horário, era apenas o legítimo tratamento de que precisavam os preguiçosos. Um favor que o branco lhes fazia. Civilizar os macacos. E agora, em Maputo, uma falta de respeito. "Faltamos lá nós. Têm saudades. Um branco é constantemente assaltado. Na rua. Em casa. Roubam-nos tudo, os cabrões."
"E, olha, assim que puderes vem cá visitar a madrinha."

Pode bem esperar sentada.

domingo, setembro 30, 2007

Impulso de destruir


Se a castração química parece resultar em pedófilos e outros agressores sexuais, por que não usá-la em indivíduos incapazes de controlar o impulso de desrespeitar e destruir com violência raças e culturas diferentes da sua? Não será essencialmente o mesmo?

sábado, setembro 16, 2006

Milhares de imigrantes clandestinos africanos tentam chegar à Europa em botes. Hordas de homens e mulheres e crianças, dos quais uma percentagem significativa morre. Naufragam, são mortos, não se sabe.
Os deportados levam notícias. Pelas Canárias, por Gibraltar, é impossível. Apesar de tudo, essas pessoas muito jovens estão dispostas a correr esse risco sem rede, sem regresso: morrer. Apesar de tudo, acorrem em magotes às muralhas da fortaleza. Querem saqueá-la? Destruí-la? O que querem eles afinal? Querem destruir a terra para onde pretendem fugir? No dia em que para sobrevivermos tivermos de fugir para Marte, quereremos destuir Marte?

Não têm lugar neste feudo europeu? Não temos trabalho para dar a estes homens? Em sítio nenhum? Não precisamos de gente activa, de gente que produza, que se reproduza?
Ah, eles precisam de pouco para viver, logo, aceitam trabalhar por valores abaixo dos que aceitamos, logo vêem criar desemprego entre os nossos? Ah, eles precisam de pouco? Então, porque precisamos nós de tanto?
E como pode um negro vir criar desemprego se num número elevado de empresas a sua candidatura está à partida excluída, ignorando-se a lei?
Como pode um negro aceder a um emprego numa clínica privada?
Não precisamos de repovoar o interior. Incomoda-nos assim tanto que a beira produza negros e mulatos?E que os subúrbios das cidades produzam negros rejeitados por uma sociedade na qual quiseram integrar-se e não lhes foi permitido. Isso não nos incomoda?

segunda-feira, julho 24, 2006

Romântica

Um empresa da zona da Grande Lisboa, encarregue da manutenção das máquinas com chocolates, sumos, refrigerantes, daquelas em que seleccionamos o número 34, metemos a moeda e cai uma garrafa de água, dessas que existem nos hospitais e sítios onde temos de esperar... não emprega negros.
É verdade em primeira mão; um conhecido meu, natural desse paraíso chamado Rondônia, arranjou agora mesmo entrevista na tal empresa promotora do arianismo, mas só depois de ter jurado a pés juntos que não, não era negro, não senhor, até tem os olhos azuis.
E eu juro, o rapaz da Rondônia parece minhoto. Mas dos bonitos.

Os negros não servem para distribuir géneros alimentares por máquinas. Devem dar má imagem. Conspurcar os produtos com as suas mãos de negros.
Agora há leis contra a discriminação. Qualquer tipo de discriminação. Nos tempos coloniais, não. Contudo, as suas mãos serviam para tudo.
Isto a mim, por acaso, chateia-me um bocado, porque eu, que sou muito romântica, sou muito amiga dos pretinhos!

sexta-feira, abril 14, 2006

Como eliminar África do mundial de futebol

O “rosto mais visível” dos cabeças-rapadas portugueses avisa que podemos contar com confrontos rácicos no mundial de futebol, uma vez que a presença de selecções africanas não vai ser bem tolerada na Alemanha, sobretudo no jogo Angola-Portugal, que se realizará no dia imediatamente a seguir ao do Festival dos Povos, festa nacionalista a ter lugar em Jena, a 10 de Junho.
Espanta-me que o líder de um movimento de extrema-direita, que, para já, defende princípios anticonstitucionais, se sinta à vontade para, na Imprensa, com calma e antecedência, divulgar planos de ataque - que afirma não estarem combinados, embora tenha a certeza que acontecerão, caso os angolanos pisem o terreno sagrado da Saxónia.
Espanta-me que o assunto não espante, que não haja nenhum movimento colectivo de indignação. É que se o líder do gang x ou y do subúrbio vier avisar que a 10 de Junho pensam assentar um valente arraial de porrada em todos os brancos que entrem na Cova da Moura, porque aquilo não é território de brancos, faz-se já um vox pop, em todas as televisões, para que o povo possa manifestar a sua indignação e mandar “a negralhada toda lá para a terra deles”.
Até imagino que, para evitar estes problemas, se comece a pensar organizar um mundial só europeu, assim como uns jogos olímpicos sem negros.

domingo, agosto 28, 2005

Apartheid

No 23, que sai de Cacilhas às 19h45, sento-me cá atrás com os negros das obras - os que no dia seguinte pegam às 8, em Alverca - e com as pretas que, ocultas em cubículos tresandando a óleo de fritura, cozinham, pantagruelmente, nos bastidores culinários do Colombo, do Vasco da Gama e dos pronto-a-comer-em-pé, na Baixa, a feijoada à portuguesa, o bacalhau à Brás e o bitoque com todos...
Não é por nada, mas sinto-me mais segura entre os da minha raça.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...