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quarta-feira, abril 16, 2008

Eu cá espetava-os todos contra as paredes do Ministério da Economia


Quando eu era nova havia uns mânfios que roubavam carros. Uma chatice. Roubavam-nos, levavam-nos para a loucura da noite, ouvindo Xutos, esses marados, e era sexo, e drogas, sobretudo drogas, drogas, e roubos por esticão; no dia seguinte, o Fiat Uno lá aparecia espetado contra um muro da Avenida das Descobertas, muito mazelado. Mas não compensava a assaltante nem a assaltado.
Hoje, os mânfios especializaram-se, e trabalham em bancos e têm salários de gestor. Ou administram fundações culturais e outras. Felizmente, acabaram-se esse ladrõezecos de meia-tijela, sem gosto, sem conhecimento da arte da ladroagem, do produto que vale a pena roubar. Agora temos o carjacker, individuo encapuçado e armado que vê muitos filmes de acção americanos, em vídeo ou dvd, e usa muito o comando para congelar a imagem, fazer pause, zoom, repeat, marker, etc. O carjacker pratica o carjacking, modalidade desportiva a que muito gostaria de dedicar-me, estando do lado de fora do veículo, naturalmente, isto se não tivesse que fazer à noite.
É que ainda há bocadinho estive a ver uma entrevista a um carjacker, no Canal 1, e, com toda a sinceridade, acho que fazia aquilo com mais estilo, sem medo que as mulheres se me atirassem ao capuz, e não diria, de certeza que não diria, "a seguir chamei ela".

sábado, março 01, 2008

Tudo o que há para saber sobre roubo de automóveis de alta cilindrada


Eu sei lá se devo sentir-me ofendida por não pertencer à elite com direito a ser vítima de car jacking! Rejeitando-me sem apelo, os assaltantes estão a dizer-me, "oh, filha, não vales um carapau seco; se queres que a gente se digne considerar-te na nossa lista, livra-te desse Opel Corsa cheio de riscos e compra um topo de gama cujo abafanço valha a pena".
Antigamente, toda a gente tinha direito a que lhe roubassem a carripana, e qualquer marca servia. Havia uns ferros amarelos que metíamos por dentro a bloquear o volante e a embraiagem do Renault. Hoje, para se ser roubado, é preciso, primeiro, uma pessoa endividar-se em empréstimos bancários de valor igual ao do salário, comprar um Mercedes não sei quê, e, logo a seguir, começar a fazer biscates que rendam o suficiente para pagar o carro novo e, já agora, comer; ora, um dos biscates rentáveis será fazer car jacking. Isto, sinceramente, é o mesmo que vender droga para consumir droga.
Quando ouço falar em roubo de carros de alta cilindrada, ocorro-me logo querer saber quem os compra. Estão encomendados? É trabalho feito em free lance? Se estão encomendados, trata-se de pessoas que querem possui-los por quantias menores, suponho, e que pertencem ao mesmo mundo cultural dos assaltantes. O carro já alterado não poderá iludir o facto de ser em segunda mão, e o tipo de transacção realizada, mesmo que no estrangeiro, deverá levantar algumas suspeitas. Portanto, é bastante provável que quem compra um veículo nesta situação, mesmo que roubado em regime de free lance, faça uma ideia do que está a comprar. Quem alinha nestes esquemas de criminalidade, fá-lo porque é importante ter um automóvel caro, mesmo que tenha de se ficar a dever no crédito Jumbo. A bomba dá status. E o status tem sido moeda de troca ao longo dos tempos; com ele se compra confiança, integração, sexo, bajulação, e todas as consequências que daí se tiram.
Em última análise, os culpados do roubo de carros de alta cilindrada são os seus possuidores. Responderam ao estímulo de possuir uma bomba de que muito provavelmente não precisam, só porque sim, e encontram-se a reproduzir o mesmo estímulo, em burros de igual quilate. Quem não precisa de transportar carga e não pode circular a mais de 120 quilómetros por hora, precisa de topos de gama para quê? A mim não me passa pela cabeça passar do Fiat utilitário. Se hoje me oferecessem o crème de la crème dos automóveis, empenhava-o amanhã, e dirigia-me ao concessionário Opel desta praça para trocar o meu velhinho por um novinho com direcção assistida. O restante gastava-o em bacalhau com natas e tratamentos à celulite, por exemplo.

Nota: acabei de ler que o destino de uma parte dos automóveis roubados em car jacking é servirem para um outro tipo de assaltos, no qual se exige que um carro vá dos zero aos 240 quilómetros/hora em meia fracção de segundo. Ora, isso já é motivo plausível para se precisar de um automóvel de alta cilindrada.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...