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domingo, setembro 14, 2008

Donos de cães







No meu bairro são os donos de cães que estabelecem as melhores relações de vizinhança. Excepção seja feita aos donos de roteveilers, pitebules e raças concorrentes. Não compreendemos a mística do pitebule. Detestamos esses donos, não os animais sempre presos por trela curta, sempre afastados dos outros. Eles detestam-nos porque trazemos os cães à solta, podendo aproximar-se dos deles, ferozes, donos da rua, e porque os referidos cães os tornam, digamos, pessoas importantes. Para os nossos cães um pitebule é apenas um animal. Querem cheirá-lo.
Os donos dos cães normais, ou seja, rafeiros de pêlo curto e pêlo comprido, caniches, bolas peludas, salsichas falsificados conversam animadamente em qualquer troço do caminho. As primeiras conversas são sobre os nossos animais. Ai, o que é que dá de comer ao seu? E põe sal? Veja lá que quando o meu saiu do sofá deixou uma mancha de sangue; fui a ver e era dum testículo. A minha é muito mansinha. É cadela ou cão? Ah, ainda bem, porque o meu é cão. Este é um paz d' alma. Qualquer cão lhe impõe respeito. E já viu o tamanho dele? Olhe, não vá para ali que já lá passei e vi aquela mulher horrososa com o pitebule que morde. Tive de dar uma palmada no meu. Atravessou a estrada a correr. É um perigo. Qualquer dia é atropelado. A minha, no outro dia, ficou ali mesmo no meio de dois carros que passavam. Foi uma sorte.
Claro que passada a fase do diálogo canino, vem a discussão sobre outros temas da actualidade: dizer mal do Governo em todas as vertentes possíveis e imaginárias; falar do custo de vida; contar histórias começadas por "isto faz-me lembrar", relatar encontros com os fiscais da câmara que não deixam os nossos cãezinhos pisar meio metro quadrado de relva, mesmo que já tenham feito as necessidades todas. Estamos convictos que a culpa é toda atribuível à nossa presidente da Câmara, que não passa de uma tia que gostava de ser fina, mas que não é, embora se farte de imitar. Dizer mal da presidente da Câmara também liberta muito. Pessoalmente, é dos meus temas preferidos, a par das pragas rogadas ao Governo.
Como se imagina, estes encontros de donos de cães e respectivos animais dão azo à descoberta de novas pessoas e ao estabelecimento de relações que podem revelar-se gratificantes. No outro dia tive a veleidade de alimentar pensamentos pecaminosos relativamente a um vizinho da minha idade, sem aliança, giro, bem vestido, com dois cães que são um amor. Tão simpático. Tão bem falante. Mas hoje estive observá-lo melhor. A forma como fala quando se emociona, como anda, a sua gentileza, até a sua abertura e simpatia me dizem que é gay. É gay, gay, gay. Ponho as minhas mãos no fogo. Tenho este azar de seleccionar como homem ideal, entre todos os homens possíveis, um gay. Assim uma pessoa não desencalha.

segunda-feira, junho 23, 2008

Como se não fosse preta

Foto: Mary Ellen Mark


Para o Carlos Narciso


Já disse à minha filha, tem cuidado, que o teu marido é homem, e, como se não bastasse, preto, por isso, se vais lá para Cabo Verde ter com ele, tem cuidado; qualquer dia estás metida na cozinha a fazer petiscos para ele e para os amigos, enquanto vêem bola e bebem que nem esponjas. Já lhe deixei o sermão. Oh, há lá homem que seja diferente.... não é por ele ser meu genro que há-de ser melhor que os outros.
Quem fala é a D. Ilda, uma vizinha que estimo muito, cabo-verdiana retinta. Foi ela que recolheu o Tejo quando teve esgana. Andava para aí aos tombos e foi ela que o levou para o veterinário, e o curou, e todos ajudámos a pagar, nós os vizinhos amigos. O Tejo ficou melhor que antes de ter esgana. Já não treme nem nada, e coisa alguma pega com ele. Cura santa!
Gosto muito da D. Ilda, que com outras vizinhas, a D. Mara, a D. Lucinda, e a Flávia, que já morreu, mas que anda por aí, enforma uma comissão informal de protecção dos cães e gatos abandonados que aparecem cá no bairro, ou que cá vêm abandonar.
No nosso bairro somos pobres e feios. Porcos, não, nem maus. Achamos que entre nós e a bicharada há pouca diferença. Identificamo-nos com esses mamíferos quase tão rafeiros como nós, quase tão abandonados, perdidos, esfomeados, sedentos, carentes como nós. Também sou da "comissão", mas na reserva. Não pertenço às operacionais de rua, como ela, porque o meu coração não aguenta, sabendo elas que podem contar comigo e com a minha mãe. Numa casa ou na outra, podem chamar-nos para a guerra a qualquer altura.

Dentro de uma semana a D. Ilda viaja. Vai de férias. Vai pela primeira vez a Cabo Verde após 40 anos de ausência. Primeiro vai ela, depois, a filha. À vez, por causa dos cães. E conta-me, Isabelinha, vim de lá com 12 anos. Fiz aqui uma escala de meses, antes de ir para Itália. A minha mãe estava a servir em Itália, e eu fiquei em Lisboa, em casa de uma prima, à espera da carta de chamada da minha mãe, à espera de transporte, de autorizações, que antes do 25 de Abril era assim... mas eu não ia para Itália para servir, ia para ser a filha da minha mãe, e a minha prima, Isabelinha, veja isto, a minha prima, filha da irmã da minha mãe, pegou em mim e pôs-me a servir na Almirante Reis. O que eu chorei. Passava na casa da patroa toda a semana, e chorava. Uma negra sozinha em Lisboa, Isabelinha, imagina o que isto seja? O que se sofria? Punham-me a lavar roupa no tanque da varanda, com a água gelada; os meus dedos gretaram-se, sangraram-se de frieiras, uma coisa que eu nunca tinha visto, frieiras, alguma vez teve?! Era eu a lavar a roupa e ela a manchar-se de sangue, meu Deus, se me lembro disto... A minha prima vendeu-me como escrava para uma casa... Depois a minha mãe não conseguia falar comigo quando telefonava ao Domingo, e a minha prima desculpava-se que eu não estava em casa, arranjava mentiras para não dizer que me tinha posto a servir. Quando tinha 16 anos arranjei um namorado, o meu falecido marido, o pai dos meus filhos, que não tive outro, engravidei, e olhe, fugi com ele.
Mas agora vai lá à sua terra, D. Ilda, está contente, não está?! E tem muitas memórias na sua cabeça, não tem? Coisas de que se lembra muito?
Sim, tenho, mas são tudo coisas de há 40 anos, coisas velhas que já não existem; agora vou ver como se fosse pela primeira vez, como se não tivesse nascido lá, como se, olhe, como se não fosse preta.

sábado, março 22, 2008

Abençoados homens


Abençoados homens de 61 anos, carecas, reformados e com caixa de ferramentas.
Avariou-se-me ontem a torneira do lava-louça e não conseguia parar o fluxo de água, mesmo fechando a válvula de segurança, no exterior. Uma avaria estranha!
Telefonei à minha mãe, para me valer, como de costume, que telefonou à Dona Francisquinha, a vizinha dos cães, cujo filho trabalha na construção, mas não podia; veio cá o marido logo de manhã, de mangas arregaçadas, desenrascar a dona Isabelinha, que a sua mãe disse-me que está aqui com um problema, isto em casa há sempre pequenas coisas que ninguém quer fazer.
Abençoados homens. Deus lhes dê saúde, longa vida e braços que possam carregar caixas de ferramentas para atarraxar o que precisa de atarraxamento.
O marido da Dona Francisquinha tocou-me à campainha como um anjinho da Páscoa, pousou a caixa no chão, abriu-a, e nela foi desencantando anilhas de borracha, bocados de arame, parafusos, porcas, sisal, isto para além das ferramentas, enquanto me pedia lubrificante, que até podia ser óleo de fritar; parecia o MacGyver.
- O senhor parece o MacGyver.
- Ah, pois, eu não perdia um episódio.
- Eu também não. Até me regalava de os ver com o meu pai; o senhor lembra-se do meu pai?
- Então não lembro, Dona Isabelinha, então não lembro? Era um homem muito bem disposto. Mas, isto, nós não somos nada, é o que lhe digo... a minha mãe também já lá está, com a mesma doença do seu pai... há dois meses... mas a propósito do MacGyver, arranje-me aí um fósforo, que estou a precisar de qualquer coisa para fazer aqui enchimento.
- Um fósforo serve-lhe?
Riu-se.
- Dona Isabelinha, eu estive no Luxemburgo. Sabe por que gostam de nós lá no estrangeiro? Por causa disto. Os portugueses são capazes de arranjar tudo com poucos meios. Adaptam-se ao material. Dão-lhe o que ele quer. E resolvemos os problemas. Não há nada que um português não resolva.
E foi verdade; com óleo Fula, um fósforo e um bocado de papel de um folheto do Jumbo arranjou-me a torneira, depois o estore da sala, e a porta, que fechava mal, e pôs-me a luz da despensa a acender, e não me levou dinheiro nenhum, e eu sei, tenho a certeza absoluta, que este homem, para cúmulo da perfeição, ainda deve ter meias solas em condições para bater na cama.
Nunca imaginei que haveria de querer casar-me com o abençoado marido da Dona Francisquinha.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Penélope de Natal

Todas as varandas do meu bairro se enchem de estrelas ou espirais ou Pais Natais luminosos made in China, mais gambiarras em tubo, tudo pisca-piscando nervosamente. Dispõem-nas sem planeamento algum: caoticamente enroladas, ou muito esticadas, ou simplesmente caídas como moribundas lombrigas enforcadas, perdoe-se-me a imagem. A ideia é ostentar, perdoe-se-me o verbo, umas luzes exteriores exactamente iguais às que os outros têm. Porquê? Porque os outros têm. Qual o objectivo? Os outros terem. Que necessidade pretendem satisfazer? Ter como os outros.
Penso nisto, e em tantas outras coisas, e chego à mesma conclusão de sempre: podia ser tudo tão mais fácil se cá andasse apenas por ver andar os outros, como qualquer pessoa normal, e me sentisse sumamente feliz enrolando lombrigas luminosas no estendal da roupa.


Refinado humor lusitano

O vizinho reformado-muito cedo da Marinha, o do bigode, no elevador, metendo conversa sobre as cadelas:
- Eu também gosto muito de bicharada, como a vizinha: frango de churrasco, coelho à caçadora, ensopado de vitela, leitão à Bairrada... he, he, he.

terça-feira, dezembro 04, 2007

O terrorismo da geração-nada

Nunca gostei de desperdício e estrago. Nunca desenhei, na casca das árvores, corações atravessados por setas, nem sequer o meu nome nas mesas da escola. Por isso, dificilmente compreendo a febre de escrever nas paredes, com tinta em aerossol, o gatafunho do próprio nome, ou um nick, actividade que, no meu subúrbio, se denomina tagging.




Tagging significa etiquetagem, e uma etiqueta é, por definição, um símbolo de identificação. A tag deve considerar-se, portanto, o anúncio de alguém. Quem deixa uma etiqueta em algo reclama a sua posse. Como é lógico, não ponho etiquetas com o meu nome nas malas dos meus companheiros de viagem, apenas nas minhas. Porém, muitos jovens deixam as suas etiquetas [tags] em paredes de edifícios, contentores de lixo e de reciclagem, cabines telefónicas, postos de iluminação pública, caixas multibanco, degraus de escadas, toldos, portões, esculturas, caixas da electricidade, gás e telefones, paragens de autocarro, às vezes nos próprios autocarros. No Verão passado reparei que não existiam, em Paris, carrinhas de transporte comercial que não estivessem completamente grafitadas com tags. Se existiam, não as vi.

No momento em que o tagger desenha o seu nome sobre uma superfície, declara pertença sobre o objecto grafitado; "este caixote do lixo e este lugar são meus", pensamos nós. Encaramo-lo como declaração de posse e, consequentemente, afirmação de um poder que assenta sobre a insegurança que gera. Um bairro com tags ganha o aspecto desordeiro próprio dos territórios pertencentes a um clã, e não a uma uma comunidade que vive junta, mas independente. A tag parece, assim, constituir uma poderosa afirmação de identidade marginal sem princípios que não os do máfia criminosa. Transmite-nos a impressão de que poderemos ser atacados com uma faca ou um pitbull na primeira esquina. Neste aspecto, a tag reveste uma muito eficaz forma de terrorismo.

Como desejei que o meu hóspede alemão de ontem não tivesse reparado nas horríveis pinturas que mancham as paredes do meu bairro! Mas reparou. A
disseminada tag desfeia lugares sobre os quais houve uma tentativa de ordenação urbana, caso da minha rua, e tranforma-os em território aparente inseguro e perigoso. Percebi que foi essa a impressão com que o meu amigo ficou da zona: um subúrbio perigoso!, o que rigorosamente não corresponde à verdade. "Aqui, à noite, não há jovens fazendo distúrbios?", perguntou-me. Expliquei-lhe que vivo num bairro habitado pela classe média-baixa. Ninguém me parece especialmente rico nem especialmente pobre. As pessoas saem de manhã para o trabalho e regressam ao final da tarde, vivem, têm filhos despenteados, mal mas dispendiosamente vestidos, que vão à escola, bebem cervejas, fumam charros e ouvem música inaudível, como qualquer outro jovem. Quem se ocupa, então, da grafitagem das referidas tags? Sem sombra de dúvida, os filhos dos meus vizinhos, pelo que é impossível não me interrogar sobre a tão grande necessidade de inscrição que sentem estes jovens possuidores de computadores pessoais, leitores de mp3, telemóveis topo de gama, roupa de marca, grandes consumidores de bifes, batatas fritas e fast food.

Quando passeio as cadelas atravesso zonas cheias de tags e perco tempo a analisá-las. Normalmente são horríveis. Mal desenhadas. É uma grafitagem gratuita; parece não haver qualquer mensagem a transmitir. Quem as escreveu não possui caligrafia bem definida, e mal sabe desenhar símbolos sobre papel, a esferográfica, quanto mais na parede, e com spray. A legendagem é insignificante: abreviaturas, palavras em inglês incompreensível, vocábulos muito street, como merda, fuck, the boss, qualquer-coisa rules e nicks, muitos nicks, sobrepostos. Abundam nos lugares mais escuros, nomeadamente nas traseiras de prédios. É, portanto, algo que é feito às escondidas, a medo. Quem os faz, fá-los pouco seguro, vigiando os passantes. Quem o faz sente não pertencer a este território, embora viva nele. Mais do que reclamar a sua posse sobre o lugar, parece desejar que o lugar o possua. Ver-se espelhado.

Admitamos que uma assinatura nos inscreve em algo. Temos direito a uma assinatura num bilhete de identidade porque pertencemos a um país, e não porque o país nos pertence. Através da tag, os meus jovens vizinhos reclamam pertença ao mundo, exactamente como quem preenche uma ficha de inscrição para sócio da sociedade filarmónica. "Quero que me admitam no mundo", escrevem, e assinam por baixo, sem saber o que querem. Não é de estranhar que aqueles que trouxemos ao mundo, mas sentem nada poder esperar dele, que em nada acreditam, porque nada lhes oferecemos para acreditar, e que nada esperam, reclamem espaço, identidade, existência. As odiosas tags do meu território dizem-me "eu sou daqui".
Quando Os Delfins cantaram que mais do que a um país, família ou geração pertencíamos só a nós e a mais ninguém, não poderiam ter imaginado as consequências perniciosas de tal filosofia. Cada vez que uma tag é grafitada, o que os jovens do meu bairro reclamam é a simples posse da superfície, e de todos nós, sobre si. Sentiram-na pouco: a posse, e todos precisamos de ser de algo, ser de alguém, e de conhecer os limites dessa pertença, para depois sermos selvagens, sermos nós. Tagging é apenas isso: a geração-nada deseja qualquer coisa. Por exemplo, pertencer. Para eles é já tarde: cresceram num vazio de pertença a ideias, a regras, a obrigações. Não estão filiados nem se filiarão. Não podem aceitar agora o que mais desejam. A tagging é o seu terrorismo inconsciente. E se pensarmos bem, merecemo-lo.


sexta-feira, março 30, 2007

A droga tem menos efeitos secundários

Tenho um vizinho jovem, muito jovem, e, como sabem, estamos nas férias da Páscoa. As férias são temíveis para vizinhos com vizinhos jovens. Nas férias, os hominídeos ficam sozinhos em casa, sintonizando as aparelhagens ao máximo, ouvindo, ao que parece, afirmam eles!, música.
Recentemente, tive obras no apartamento ao lado. Nunca pensei dizer uma coisa destas, mas o barulho da remodelação: a marreta, o martelo, o berbequim demolidor de paredes produziam uma harmonia de notas e ritmos muito mais interessante que toda a música que sai de casa do meu jovem vizinho. A música do monstro atinge todo o prédio como se uma retroescavadora tivesse decidido autoflagelar-se, atirando-se repetidamente contra a viga-mestra.
A meu ver, as sonoridades electrónicas que o jovem ogre consome, poderiam ser produzidas por dois simples instrumentos de percussão: um martelo pneumático usado ao retardador, e uma vara de madeira batendo no interior de um bidão vazio. Eu, que não aprendi música, e não sei localizar um ré num teclado de piano, afirmo-me habilitada a criar obras-primas para o primata lá de baixo. Não deve ser difícil produzir uma sonoridade de fundo martelada, ligeiramente abafada, mas vibratória, sempre a mesma nota, tum-tum-tum-tum-tum, durante 10, 20, 30, minutos; periodicamente, quebraria a sequência, introduzindo uma frequência mais aguda, estridente, eu diria mais rachada - o tal apontamento da vara batendo dentro do bidão: trec-trec; trec-trec; trec-trec.
O clímax musical, lá em baixo, dá-se quando o martelar electrónico é alterado por uma súbita combinação de sete coloridas notas, tum-tum/tum-tum-tum/tum-tum, acompanhadas da batida na lata, como se se tratasse do momento final dum espectáculo de fogo de artifício. Um acorde melódico genial: tum-tum/trec-trec/tum-tum-tum/trec-trec/tum-tum/trec-trec. Delírio. Tanto, que este poste teve de ser escrito, ontem à tarde, no café.
Tenho muita pena dos professores, e dos pais, porque algo me diz que as consequências do martelo impiedoso devem chegar-lhes às salas, e à mesa da refeição, assumindo formas que a nossa mente nem alcança.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...