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terça-feira, fevereiro 19, 2008

Até enjoam

Há pessoas muito felizes, que não sabem que são felizes. Até pensam que são tristes, mas não, são felizes. São felizes para caraças. Andam para aí a queixar-se, e chateiam este e mais aquele, mas, vá-se lá saber da justiça divina!, são felizes. Também há pessoas amadas que não dão valor ao amor. Até pensam que ninguém gosta delas, mas é mentira, têm sempre um ombrozinho certo onde chorar. São amadas para caraças. Queixam-se que ninguém gosta delas, e mais isto e mais aquilo, mas injustamente, porque são amadas, amadas, tão amadas que até chateia. Pior, enjoa. Quem tem tudo não sabe o que é viver com nada.

terça-feira, junho 05, 2007

Um frasco de veneno

Monika Wiechowska, Self-portrait


Um miúdo de 12 anos escolheu-me para perguntar se eu acreditava que se podia morrer de tristeza.
Respondi-lhe sem hesitação. Que sim, que tinha a certeza absoluta, que podia morrer-se de tristeza.
Mas ele quis perceber melhor, e pediu-me que esclarecesse, "Porque se deixa de comer, e se fica muito fraco, e por isso se morre, não é?"
Fixei-o durante cinco segundos no máximo. Ele tinha 12 anos. "Que se lixe", pensei, e respondi, segura, "Não, não, morre-se porque a tristeza mata como se se bebesse um frasco de veneno!"
O miúdo calou-se.
Depois tive pena dele, voltei-me, e disse-lhe, "Deixa lá, não ligues, eu é que sou muito trágica!"


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...