O mundo de hoje continua a pensar a internet como os nossos bisavós pensaram o comboio, e, os nossos pais, a televisão e o telefone.
Que perigos traz, e como obviá-los? Como controlar a dependência e o acesso das crianças - e o nosso? Emite ondas, raios, fumos que perturbam os sentidos? Vai tornar-nos melhores, contribuindo para a nossa educação, civismo, ou deseducar-nos-á inapelavelmente?
Para mim, que sou resistente à tecnologia, para quem, há menos de 15 anos, a net era uma ideia tão vaga e inacessível como o comboio, a televisão e o telefone o foram para os nossos antecessores, é interessante verificar quão vulgar e imprescíndivel isto se tornou. Não me imagino a viver sem comboio nem televisão nem telefone, mesmo que os use pouco: mas quando os uso, dão-me um jeitão!
Contudo, para a net ainda é cedo. Não é apenas uma questão de implantação em determinadas áreas, idades e usos. É cedo na medida em que a vemos como estando fora de nós, lá fora, como sendo o lugar dos perigos. De facto, "lá fora" é, em alguns casos, o lugar dos perigos, mas a internet já está cá dentro.
A internet não muda sozinha: não tem esse poder racional, civilizacional. Mudará à medida dos nossos interesses, de acordo com o nosso desejo de que ela possa mudar-se, transmutar-se. É o que queremos que seja. Será vil, se desejarmos vileza. Será autónoma se o desejarmos, se o construirmos. Não há na internet nada que escape à engenharia e arquitectura mentais humanas. Nós não somos a internet, ainda, mas a internet somos nós. Portanto, é a nós mesmos que tememos.
Difícil, difícil é controlar a imunodeficiência adquirida, e outras doenças, porque as doenças não são rentáveis, ou melhor, tão rentáveis! Agora, a net...
O que temos de temer, de vigiar, de controlar, somos nós mesmos, ou seja, nós mesmos-os outros.
A democracia é esse trabalho de equilíbrio entre a liberdade e a restrição. E tem de ser.
Que perigos traz, e como obviá-los? Como controlar a dependência e o acesso das crianças - e o nosso? Emite ondas, raios, fumos que perturbam os sentidos? Vai tornar-nos melhores, contribuindo para a nossa educação, civismo, ou deseducar-nos-á inapelavelmente?
Para mim, que sou resistente à tecnologia, para quem, há menos de 15 anos, a net era uma ideia tão vaga e inacessível como o comboio, a televisão e o telefone o foram para os nossos antecessores, é interessante verificar quão vulgar e imprescíndivel isto se tornou. Não me imagino a viver sem comboio nem televisão nem telefone, mesmo que os use pouco: mas quando os uso, dão-me um jeitão!
Contudo, para a net ainda é cedo. Não é apenas uma questão de implantação em determinadas áreas, idades e usos. É cedo na medida em que a vemos como estando fora de nós, lá fora, como sendo o lugar dos perigos. De facto, "lá fora" é, em alguns casos, o lugar dos perigos, mas a internet já está cá dentro.
A internet não muda sozinha: não tem esse poder racional, civilizacional. Mudará à medida dos nossos interesses, de acordo com o nosso desejo de que ela possa mudar-se, transmutar-se. É o que queremos que seja. Será vil, se desejarmos vileza. Será autónoma se o desejarmos, se o construirmos. Não há na internet nada que escape à engenharia e arquitectura mentais humanas. Nós não somos a internet, ainda, mas a internet somos nós. Portanto, é a nós mesmos que tememos.
Difícil, difícil é controlar a imunodeficiência adquirida, e outras doenças, porque as doenças não são rentáveis, ou melhor, tão rentáveis! Agora, a net...
O que temos de temer, de vigiar, de controlar, somos nós mesmos, ou seja, nós mesmos-os outros.
A democracia é esse trabalho de equilíbrio entre a liberdade e a restrição. E tem de ser.
