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domingo, outubro 08, 2006

A net, a democracia e os equilíbrios amigos

O mundo de hoje continua a pensar a internet como os nossos bisavós pensaram o comboio, e, os nossos pais, a televisão e o telefone.
Que perigos traz, e como obviá-los? Como controlar a dependência e o acesso das crianças - e o nosso? Emite ondas, raios, fumos que perturbam os sentidos? Vai tornar-nos melhores, contribuindo para a nossa educação, civismo, ou deseducar-nos-á inapelavelmente?
Para mim, que sou resistente à tecnologia, para quem, há menos de 15 anos, a net era uma ideia tão vaga e inacessível como o comboio, a televisão e o telefone o foram para os nossos antecessores, é interessante verificar quão vulgar e imprescíndivel isto se tornou. Não me imagino a viver sem comboio nem televisão nem telefone, mesmo que os use pouco: mas quando os uso, dão-me um jeitão!
Contudo, para a net ainda é cedo. Não é apenas uma questão de implantação em determinadas áreas, idades e usos. É cedo na medida em que a vemos como estando fora de nós, lá fora, como sendo o lugar dos perigos. De facto, "lá fora" é, em alguns casos, o lugar dos perigos, mas a internet já está cá dentro.
A internet não muda sozinha: não tem esse poder racional, civilizacional. Mudará à medida dos nossos interesses, de acordo com o nosso desejo de que ela possa mudar-se, transmutar-se. É o que queremos que seja. Será vil, se desejarmos vileza. Será autónoma se o desejarmos, se o construirmos. Não há na internet nada que escape à engenharia e arquitectura mentais humanas. Nós não somos a internet, ainda, mas a internet somos nós. Portanto, é a nós mesmos que tememos.
Difícil, difícil é controlar a imunodeficiência adquirida, e outras doenças, porque as doenças não são rentáveis, ou melhor, tão rentáveis! Agora, a net...
O que temos de temer, de vigiar, de controlar, somos nós mesmos, ou seja, nós mesmos-os outros.
A democracia é esse trabalho de equilíbrio entre a liberdade e a restrição. E tem de ser.

quinta-feira, março 30, 2006

Uma esfregona para cada homem

Chegou ao meu conhecimento, desde ontem, e por diversas vias, que homens adultos, educados, com profissões de responsabilidade, passam o dia a enviar uns aos outros forwards com fotos de meninas nuas, ficheiros em formato vídeo de meninas a fazer strip tease, tudo com meninas em todas as posições imaginárias, do mais lírico ao mais escabroso. Incluindo vídeos porno de meninas a fazer sexo oral a um negro com uma pila de dois metros, e não estou a brincar: dois metros.
Médicos, jornalistas, economistas, professores universitários, presidentes de câmaras, já se sabe como é, ninguém dá nada por eles. Agora, imagine-se o senhor doutor juíz sair da sala de audiências, acabadinho de ditar sentença sobre umas meninas de alterne encontradas ilegais, chegar ao escritório, ligar o computador, e ter dezenas de mailes dos colegas de outras comarcas só com imagens de meninas nuas, meninas nuas a levar com ele, etc. (em alguns casos, isso a gente também já sabe, com meninos!)
É por estas e por outras que não se produz o suficiente. Porque eles não trabalham só a pensar no forward porno que lhes mandou o colega do jogo da bola, todos os domingos, pelas 11h30. Vão à missa, é o que vos digo. E comunguem duas vezes. E ponham as mulheres nos cargos de responsabilidade. E dêem-lhes a eles a esfregona.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Mundão perfeito

Fotografia de Pedro Stephen


São Paulo: the japanese Marilyn


A internet não é um terreno mais pantanoso que o restantes; torna mais perceptível o pântano.
O site meter regista, como todos sabem, pormenores relativamente aos visitantes que nos chegam. Dos dados disponibilizados, interessam-me os seguintes: de onde vêm e que textos consultam?
A maior parte dos nossos visitantes provém do litoral centro e norte, inclusive do Norte profundo, e dos grandes aglomerados urbanos, Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria.
A Sul, este blog é lido em três distritos, apenas, Setúbal, Évora e Faro. Não é surpreendente, mas permite aferir dados relacionados com a distribuição da riqueza, a densidade populacional, a constituição da pirâmide etária desses aglomerados populacionais e o respectivo acesso aos meios de comunicação.
Os nossos leitores são, maioritariamente, portugueses e brasileiros, com alguns pontos fiéis no resto da Europa, quase sempre da mesma proveniência: Reino Unido, Espanha, França, Bélgica e Alemanha. Em África, alcançamos Angola e Moçambique, mas pouco, com visitantes igualmente fixos. Somos lidos praticamente em todos os países da América Latina, mas com poucas entradas. O Brasil é a honrosa excepção. Mas o Brasil é o Brasil! Tem Zanzerê, tem Ordisi, teve aí outro minino Pedro, que Luís espantou...
Retomando: cerca de metade das visitas de O Mundo Perfeito chega-nos através de pesquisas em diversos motores de busca, sobretudo em língua portuguesa e castelhana. Os textos mais lidos devem o seu sucesso ao Google.
Intitulam-se, pela respectiva ordem de interesse, revelada em percentagem de entradas diárias, “As putas do meu país”, “A cona das pretas” e “Nus”. O primeiro não é sobre putas, o segundo não é sobre conas; quanto ao terceiro, é precisamente sobre nus.
E o que se pesquisa? É isso que ainda me espanta. Não devia, mas, de vez em quando, calha-me. Hoje, por exemplo, até onde consegui seguir a pista, registámos visitas no trilho dos seguintes temas – aqui segue, e peço mil desculpas se magoar a susceptibilidade daqueles leitores provenientes de assembleias de voto onde um macho ainda é um macho e, uma fêmea, apenas uma gaja montável, mas os meus propósitos são meramente científicos: completamente nua, farolins, receita caseira para a celulite, sexo, fotos de homens lindos, Inês Pedrosa, esporas gostosas gay, mulheres que pagam tudo, mamas bem embaladas, pomada Halibut, vestidos Fátima Lopes, Portas Largas Lisboa, tempos de lazer, o mundo e a água, pretos nus, de borla lojas utilidades, adelgaçante coxas.
Hoje não foi mau. Mas temos outros dias igualmente bons, em que aqui se chega através de expressões como putas idosas, putas grávidas, qualquer outra combinação com o substantivo ali usado, e, igualmente, cona (de) preta, cona peluda e ou qualquer outra variante deste segundo. Poemas de amor, celulite, adelgaçantes, cremes e pomadas, sobretudo os cremezinhos hidratantes masculinos, são temáticas também muito procuradas.
Também via Google, há cerca de um ano, e num outro blog que mantive, chegou-me um tópico de pesquisa que penso não vir a esquecer tão cedo. O meu texto versava a produção industrial de carne, realidade praticamente ignorada, bruta e embrutecedora. Hei-de cá trazê-lo.
O tema da referida busca era “porcos a levar porrada”, mas percebi que, naquele caso, nada tinha a ver com suínos!
Realmente, a minha virtude falha muito... Tenho passado a vida a pô-la à prova! Mas como resiste, a grande cabra!
Quanto ao mundo, o resto do mundo, cá dentro ou aí fora, é, eu sei, tão perfeito!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...