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terça-feira, março 07, 2017

Uma mega-operação para apreender charro aos putos

Esta garrafinha seria o meu sonho!


Eu gostaria que a GNR fizesse mega-operações stop para apanhar cidadãos na posse de um flagrante desrespeito pelo outro, mas a GNR tem ordens para mandar parar os putos que vão em viagens de finalistas com o charrito no bolso.
Parece que o Estado considera o acto de fumar charros um crime grave. Beber shots de vodka com rum, não. Comer batatas fritas com ketchup e maionese também não.
Acho uma injustiça para as pessoas que fumam charros, que os colegas, que já vão na terceira garrafa de litro de cerveja choca, não sejam igualmente identificados e presentes a uma comissão. Tenho dificuldade em perceber quem é que estará mais intoxicado.
Posso comprar, se me apetecer, 25 garrafas de Borba tinto, sentar-me a bebê-las à porta de casa, que ninguém chama a polícia para me apanhar em flagrante delito. Mas se me puser a enrolar um cigarrito de canabis lá em baixo, tudo como deve ser, sem incomodar ninguém, sem vomitar, sem insultar os outros, chamam a polícia.
Penso que deve ser muito chato para os agentes da autoridade, que na sua maioria têm cara de fumar grandes charradas ou beber do tinto para aguentar o stress da profissão, andar a identificar pessoas com doses individuais ou colectivas de haxixe. É ridículo. Não tem ponta por onde se lhe pegue.
Enquanto se ocupam com finalistas, que bem precisam de relaxar após um longo 2º período de Matemática da brava, 32 criminosos a sério assaltam caixas multibanco, postos de gasolina e casas particulares.
Ao Estado cabe proteger os cidadãos, mas protegê-los de quê? Que distinção faz a Lei entre liberdade individual e crime no que respeita aos consumos? Por que motivo me é concedida a liberdade de me viciar em tabaco e álcool, mas não em drogas? Os perigos para a saúde pública são maiores no caso da droga? Se nos reportarmos aos consumos excessivos, não encontro diferenças, em termos de saúde pública, entre um alcoólico em grau adiantado e um toxicodependente. É igualmente oneroso para o Estado e para a sociedade. Para além de que o espectáculo é igualmente decadente.
Por outro lado, os estudos sobre adições já se cansaram de provar que a apetência para consumos excessivos resultando em dependências não tem qualquer relação com a proximidade e facilidade de acesso ao produto; depende, sim, das carências emocionais e particulares de cada indivíduo. E agora chegámos ao que me move: o que eu queria mesmo era um conjunto de mega-operações semanais da GNR, em zonas estratégicas de incidência, habilitadas a detectar indivíduos com carências emocionais relevantes, tudo seguido da devida identificação, e encaminhamento para o respectivo posto de saúde e médico de família, onde seriam seleccionados para início de tratamento com uma equipa de saúde mental. Acredito muito nos benefícios da saúde mental, que opera milagres nas feridas que todos carregamos e com as quais não sabemos lidar, porque nos roubaram os utensílios para as combater. Nada pode substituir um bom profissional em psicologia, psicanálise, psicoterapia ou hipnoterapia. A não ser o charro. Na justa medida, é igualmente muito libertador. Mas melhor, mesmo melhor é a saúde mental acompanhada, de vez quando, de um bom copo de vinho e de um belo charro.



Nota:
Por favor, ver o vídeo RTP no línque lá em cima. ("A nossa camioneta é só puros... A nossa camioneta é um exemplo para os jovens!")


Isto é tudo muito chato, porque a droga não é barata, e os miúdos já têm de fazer muitos bolos para vender, durante o ano, e rifas, para conseguir dinheiro para as viagens e bebidas em Lloret del Mar. Agora, agrava-se a situação económica da malta, portanto a dos pais, ao obrigá-los a comprar haxixe em Espanha, provavelmente de pior qualidade e mais caro. Se querem treinar os cães porque é que não vão para o aeroporto esperar os voos da América Latina?

quinta-feira, outubro 11, 2007

Detesto Polícia



Não suporto a PSP nem a GNR e o seu batalhão de trânsito. Uma boa parte destas forças de segurança é constituída por indivíduos prepotentes, arrogantes e ignorantes sem remissão. Frequentemente, tenho vontade de lhes devolver as guias de multa com os erros ortográficos corrigidos, acrescentando que apresentam caligrafia demasiado infantil e incipiente, própria de quem fez o 9º ano porque já tinha 17 anos e não valia a pena andar a empatar.
Quando me informam que infringi o artigo 43 do código da estrada, dava imenso jeito que pudessem iluminar-me, e de preferência em Português, sobre o conteúdo do referido legislativo. Multem-me, mas multem-me com dignidade.

Detesto polícias, contudo tenho consciência de que o espaço público, e frequentemente o privado, quando se cruza com o público, depende deles, pelo que a sua missão se torna crucial para a segurança de qualquer estado. Por tal motivo não posso compreender que o Poder invista tão fracamente nas Polícias. Em formação, sobretudo. É intolerável e perigoso que uma profissão sobre a qual recai tanta responsabilidade, e da qual é obrigatório exigir idoneidade e sentido de justiça irrepreensíveis, receba salários miseráveis, não usufruindo de vantagens oferecidas, por exemplo, ao poder judicial. Não devemos esperar discernimento, nobreza e boa reputação apenas dos juízes. Exigir dos agentes policiais habilitações tão reduzidas, bem como rasteira formação humana, cívica e deontológica é um preço que as sociedades pagam alto. Custa-me dizê-lo. Fere os ideais nos quais preciso de acreditar, mas a verdade é que a nobreza de carácter e o zelo profissional pagam-se, compram-se. Com euros. Quem exige tão pouco e paga tão mal, só poderá esperar fracos e negligentes serviços.
Surpreende-nos que os agentes de autoridade sejam alvos fáceis de todo o tipo de corrupção, tentando desenrascar a vida ao aceitar subornos, ou motivando-os? Agridem cidadãos nas esquadras, fecham os olhos aos negócios da noite, melhor, até colaboram, integram os esquadrões racistas da praça para andar a filmar negros algemados contra muros, em acções policiais nocturnas? Pode pedir-se mais? A culpa não é deles, mas de um Estado para o qual a segurança é coisa tão pouco importante.


segunda-feira, abril 17, 2006

Uma polícia para a polícia

A polícia portuguesa é mal amada e muito mal paga. Os polícias de giro suam as estopinhas, e estão em permante situação de risco, mesmo quando não trazem a farda vestida. Tendo em conta o crédito que lhes dão, muito fazem. Eu faria menos, e trataria de proteger a pele em situação de perigo. Não podemos esperar brio da parte de uma classe profissional da qual os sucessivos governos têm usado, abusado e pisado. Os agentes de segurança não têm segurança.
Não me admira que chefes do departamento de armas e explosivos da PSP estejam implicados numa rede de tráfico e fornecimento de armas ilegais a particulares, associações de extrema-direita portuguesas, e outras organizações internacionais; não ficarei escandalizada se me revelarem que na Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes existem funcionários pagos pelos grandes traficantes para agir como informantes. Não acontecerá generalizadamente, mas os anjos acabaram desde que o mundo é mundo; um grão aqui, outro acolá, e enche a galinha o papo.
Ultimamente, tenho vindo a pensar em palavras que, em tempos, ouvi à mãe do Rui Pedro, o menino desaparecido de Paredes, que, hoje, caso esteja vivo, será um homem. Dizia a senhora que a Direcção Central de Combate ao Banditismo não parecia colaborar, querer saber, realizar esforços, agir. Que a tratavam inadequadamente, que se mantinham indisponíveis para ouvir as pontas soltas que ela ia ligando. Contactados pela Imprensa, os agentes defendiam-se, afirmando que a senhora era muito chata, que telefonava muito. Não lhes parecia natural que a mãe da criança desaparecida vivesse tão grande inquietação. Alguns seriam pais, suponho. Mesmo que não fossem. Nunca compreendi. Nunca compreendi.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...