Queria, há muito, imitar o look Annie Lennox, de maneira que resolvi cortar o cabelo radicalmente, e pintá-lo de louro claríssimo. A minha prima afastada diz que sim, que estou com um ar eighties, e ligeiramente punk, mas que pareço é a Brigitte Nielsen em bonito e em xl. Pode ter sido um bocado ao lado, mas divirto-me à mesma, e isso é que conta.
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domingo, fevereiro 03, 2008
domingo, novembro 25, 2007
Loura nº 7

Sempre fui uma gabada, lustrosa e naturalíssima loura-acinzentada. Antigamente, nas cabeleireiras, as empregadas chamavam-se umas às outras, "Oh Carla Sofia, anda cá ver o tom desta senhora.... ah, é tal e qual o 7B da Vitacor, já viste?!, mas mais natural... É natural, não é?! Ah! Que sorte! Cátia Vanessa, olha-me este cabelo! Querias, não querias?!" Nos últimos 44 anos tem sido assim; que posso fazer contra a perfeição genética resultante do mais rafeiro cruzamento de genes da Estremadura?!
Esporadicamente, nos últimos anos, senti-me uma loura nº 8, pelo que experimentei, e gostei. Em alturas críticas fui uma nº 9. Abusei tanto! É óbvio que nunca se é demasiado loura nem demasiado morena ou ruiva, desde que nos sintamos equilibradamente etéreas. Mas, ultimamente ando com os pés muito enterrados na terra, pelo que ontem, sentindo já saudades de mim, pedi à cabeleira que me pintasse o cabelo de louro-acinzentado. "A sua cor natural?", perguntou a senhora. "Sim, a minha exacta cor natural".
Esporadicamente, nos últimos anos, senti-me uma loura nº 8, pelo que experimentei, e gostei. Em alturas críticas fui uma nº 9. Abusei tanto! É óbvio que nunca se é demasiado loura nem demasiado morena ou ruiva, desde que nos sintamos equilibradamente etéreas. Mas, ultimamente ando com os pés muito enterrados na terra, pelo que ontem, sentindo já saudades de mim, pedi à cabeleira que me pintasse o cabelo de louro-acinzentado. "A sua cor natural?", perguntou a senhora. "Sim, a minha exacta cor natural".
segunda-feira, março 13, 2006
As louras são para sempre

O cabelo louro apareceu há onze mil anos fruto duma mutação genética relacionada com a falta de alimentos.
Não percebo muito bem como se deu o fenómeno, e por que atingiu só as mulheres, mas o cenário deve ter sido mais ou menos este: os brutamontes foram caçar para paragens distantes, deixando as mulheres com a filharada, porque o choro dos miúdos afugentava a caça - elas que se desenrascassem.
Andaram muitos anos no estrangeiro, ilegais, abateram e comeram muitos mamíferos e reptéis e tudo o que mexesse, ficando mais brutos e peludos do que a natureza já os tinha feito. Quando os marmanjões regressaram à caverna, ou à palafita ou ao raio que os parta, já as mulheres tinham morrido de subnutrição, e as que não tinham morrido haviam sofrido uma despigmentação e ficado louras, devido à escassez de nutrientes, ou porque comeram dumas raízes com muito cloro.
Agora, sou sincera, como se passa da despigmentação para mutações no ADN é que me escapa.
Está tudo muito mal explicado; não passa de mais um ataque encapotado do numeroso e muito mal amanhado lobby dos morenos ao mundo dourado e perfeito dos louros e louras: inveja primitiva.
Daqui a 200 anos, data prevista pelos cientistas para o nascimento do último(a) louro(a), já cá não estarei para viver tal catástrofe; mas, pensando em quem fica, desejo que os progressos na engenharia das tintas cheguem rápido à invenção de um sistema de pintura definitiva, na fase primária de crescimento do pelo, e logo à nascença da criança.
Amigos cientistas, isso das mutações genéticas não existe, o que há é deus a corrigir a sua obra.
Não percebo muito bem como se deu o fenómeno, e por que atingiu só as mulheres, mas o cenário deve ter sido mais ou menos este: os brutamontes foram caçar para paragens distantes, deixando as mulheres com a filharada, porque o choro dos miúdos afugentava a caça - elas que se desenrascassem.
Andaram muitos anos no estrangeiro, ilegais, abateram e comeram muitos mamíferos e reptéis e tudo o que mexesse, ficando mais brutos e peludos do que a natureza já os tinha feito. Quando os marmanjões regressaram à caverna, ou à palafita ou ao raio que os parta, já as mulheres tinham morrido de subnutrição, e as que não tinham morrido haviam sofrido uma despigmentação e ficado louras, devido à escassez de nutrientes, ou porque comeram dumas raízes com muito cloro.
Agora, sou sincera, como se passa da despigmentação para mutações no ADN é que me escapa.
Está tudo muito mal explicado; não passa de mais um ataque encapotado do numeroso e muito mal amanhado lobby dos morenos ao mundo dourado e perfeito dos louros e louras: inveja primitiva.
Daqui a 200 anos, data prevista pelos cientistas para o nascimento do último(a) louro(a), já cá não estarei para viver tal catástrofe; mas, pensando em quem fica, desejo que os progressos na engenharia das tintas cheguem rápido à invenção de um sistema de pintura definitiva, na fase primária de crescimento do pelo, e logo à nascença da criança.
Amigos cientistas, isso das mutações genéticas não existe, o que há é deus a corrigir a sua obra.
sexta-feira, agosto 05, 2005
sábado, junho 11, 2005
Oh, Marilyn!

Bert Stern, 1962, Flirtatious - da colecção The Last Sitting
A cabeleireira perfeita trabalha no rés-do-chão da minha torre.
"O que é que a menina vai fazer?" O pormenor: "a menina".
"Quero só cortar as pontas; um centímetro".
"O que é que a menina vai fazer?" O pormenor: "a menina".
"Quero só cortar as pontas; um centímetro".
Separa o cabelo em mechas, pega na tesoura e apara, não cinco, mas, exactamente... um centímetro!
"E o corte?"
"Mantenha este!"
"E o corte?"
"Mantenha este!"
E ela, sem hesitações... mantém!
E a qualidade disto: trabalha calada! Nenhum comentário gasto, "o seu cabelo é muito fino", "este tom é mesmo o seu? Por acaso temos aí uma tinta muito parecida".
E a qualidade disto: trabalha calada! Nenhum comentário gasto, "o seu cabelo é muito fino", "este tom é mesmo o seu? Por acaso temos aí uma tinta muito parecida".
Nada de conversa fiada. Nada de "então agora vieram os calores, hein?" ou "parece que a princesa de Espanha está finalmente grávida!" ou "não quer a Nova Gente?"
Que sossego! Não é um mero cabeleireiro, é um salão anti-stress.
E uma mulher fica de novo capaz de sair de casa e requebrar as ancas com segurança.
Por quinze euros! Eis para que serve um ordenado!
Que sossego! Não é um mero cabeleireiro, é um salão anti-stress.
E uma mulher fica de novo capaz de sair de casa e requebrar as ancas com segurança.
Por quinze euros! Eis para que serve um ordenado!
Não me ocorre nada mais perfeito, sinceramente!
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...

