"Contudo era muito melhor que viajar a pé: pelo menos podíamos gozar da paisagem à nossa vontade."
Esta é a quinta frase da página 160 do livro que me encontro a ler, a saber, A Trégua, de Primo Levi.
A Gi, do Garden of Philodemus, incluiu-me nesta corrente, o que aceitei, embora não a passe a mais ninguém, lamentando imenso quebrar as regras que alguém estabeleceu, mas, sinceramente, até algumas inscritas em Diário da República me esforço por quebrar.
A utilidade destas correntes parece-me ser a de pôr os envolvidos a falar sobre o item referido, porque a mera transcrição da quinta frase de determinada página seria improdutiva.
Ando a ler Primo Levi pela ordem inversa: comecei com Os que Sucumbem e os que se Salvam, livro escrito muitos anos após o Holocausto, e uma reflexão sobre essa realidade. Passei agora para A Trégua, obra de progressão difícil, uma vez que descreve minuciosamente os meses que se seguiram à Libertação, com excesso de indicações e movimentações geográficas. Faz-me lembrar um livro de viagens. A acção dispersa-se por múltiplos comboios em movimento, mas sem destino, porque toda aquela gente deslocada pela guerra se encontra à deriva por uma Europa cheia de fronteiras, por onde entraram facilmente, mas donde dificilmente se sai; estranhos, corruptos campos de refugiados; esquemas para arranjar dinheiro, comida, lugar onde dormir; personagens, aventuras, uma liberdade aprisionada pela fome, pelo cansaço, pela doença e pelas dificuldades de comunicação, sendo que convém falar o mínimo alemão possível, mesmo que a necessidade de sobrevivência tenha levado à aprendizagem do vocabulário necessário nos campos de morte.
Com o final da Guerra, os sobreviventes dos campos de concentração, os que aí foram deixados para morrer, porque estavam demasiado doentes para caminhar, ficam totalmente abandonados. Os russos prestam-lhes uma desorganizada e incerta ajuda alimentar e sanitária, mas estão verdadeiramente sós, despojados, e longe de casa. A ideia que tinha de que os prisioneiros dos campos tinham sido prestamente socorridos, declarado o final da II Grande Guerra, caiu por terra.
Assim que acabar A Trégua, voltar-me-ei para Se Isto É um Homem, obra que já tentei ler por várias vezes, mas que tive de abandonar por falta de coragem. Mas agora é que vai ser.
Esta é a quinta frase da página 160 do livro que me encontro a ler, a saber, A Trégua, de Primo Levi.
A Gi, do Garden of Philodemus, incluiu-me nesta corrente, o que aceitei, embora não a passe a mais ninguém, lamentando imenso quebrar as regras que alguém estabeleceu, mas, sinceramente, até algumas inscritas em Diário da República me esforço por quebrar.
A utilidade destas correntes parece-me ser a de pôr os envolvidos a falar sobre o item referido, porque a mera transcrição da quinta frase de determinada página seria improdutiva.
Ando a ler Primo Levi pela ordem inversa: comecei com Os que Sucumbem e os que se Salvam, livro escrito muitos anos após o Holocausto, e uma reflexão sobre essa realidade. Passei agora para A Trégua, obra de progressão difícil, uma vez que descreve minuciosamente os meses que se seguiram à Libertação, com excesso de indicações e movimentações geográficas. Faz-me lembrar um livro de viagens. A acção dispersa-se por múltiplos comboios em movimento, mas sem destino, porque toda aquela gente deslocada pela guerra se encontra à deriva por uma Europa cheia de fronteiras, por onde entraram facilmente, mas donde dificilmente se sai; estranhos, corruptos campos de refugiados; esquemas para arranjar dinheiro, comida, lugar onde dormir; personagens, aventuras, uma liberdade aprisionada pela fome, pelo cansaço, pela doença e pelas dificuldades de comunicação, sendo que convém falar o mínimo alemão possível, mesmo que a necessidade de sobrevivência tenha levado à aprendizagem do vocabulário necessário nos campos de morte.
Com o final da Guerra, os sobreviventes dos campos de concentração, os que aí foram deixados para morrer, porque estavam demasiado doentes para caminhar, ficam totalmente abandonados. Os russos prestam-lhes uma desorganizada e incerta ajuda alimentar e sanitária, mas estão verdadeiramente sós, despojados, e longe de casa. A ideia que tinha de que os prisioneiros dos campos tinham sido prestamente socorridos, declarado o final da II Grande Guerra, caiu por terra.
Assim que acabar A Trégua, voltar-me-ei para Se Isto É um Homem, obra que já tentei ler por várias vezes, mas que tive de abandonar por falta de coragem. Mas agora é que vai ser.