Foto: Leonard Nimoy
A foto de Leonard Nimoy apresenta-nos um objecto de carne em abstracto. Não é uma mulher nem um homem nem um porco ou um borrego. É carne gorda. Sem cabeça. A forma como a cabeça é escondida revela claramente que este objecto de carne não é uma pessoa, não tem identidade, não pertence ao mundo. É a gorda, ou o gordo.
Para quem carrega esse estigma desde sempre, e mesmo que a ele tenha sobrevivido digna e teimosamente, esta é uma imagem violenta, que expõe uma desigualdade baseada não em padrões culturais, raciais ou de classe, mas estéticos. É uma imagem dura, desconfortável ao olhar. Toca-nos a todos. Não queremos ser esse feio objecto de rejeição. Essa carne.
Somos desiguais porque somos gordos ou porque somos magros ou porque vestimos roupa esquisita ou rapamos o cabelo ou o temos demasiado comprido. O dia-a-dia assenta nas relações que mantemos com os nossos iguais ou desiguais, sendo que procuramos tanto uns como outros, e ambos nos confirmam. Ao longo da vida tenho-me sentido tratada de forma desigual por ser gorda, e não tolero bem que questionem as minhas razões - é assunto demasiado sensível para suportar que me digam algo como "ilusão tua" - , mas, por outro lado, pressinto que todos se sentem desiguais por motivos diversos. A desigualdade é uma excelente forma de controlo do grau de satisfação das massas, logo, das massas.
Para quem carrega esse estigma desde sempre, e mesmo que a ele tenha sobrevivido digna e teimosamente, esta é uma imagem violenta, que expõe uma desigualdade baseada não em padrões culturais, raciais ou de classe, mas estéticos. É uma imagem dura, desconfortável ao olhar. Toca-nos a todos. Não queremos ser esse feio objecto de rejeição. Essa carne.
Somos desiguais porque somos gordos ou porque somos magros ou porque vestimos roupa esquisita ou rapamos o cabelo ou o temos demasiado comprido. O dia-a-dia assenta nas relações que mantemos com os nossos iguais ou desiguais, sendo que procuramos tanto uns como outros, e ambos nos confirmam. Ao longo da vida tenho-me sentido tratada de forma desigual por ser gorda, e não tolero bem que questionem as minhas razões - é assunto demasiado sensível para suportar que me digam algo como "ilusão tua" - , mas, por outro lado, pressinto que todos se sentem desiguais por motivos diversos. A desigualdade é uma excelente forma de controlo do grau de satisfação das massas, logo, das massas.








