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terça-feira, setembro 16, 2008

Os homens não querem cuidar


Não, não é português. É um americano num centro de cuidados paliativos. Ou, se calhar, é gay.


Cães e homens: os meus dois temas preferidos, pelo melhor e pelo pior. Ora vamos lá.
No último poste, alguns leitores lançaram a ideia de que um homem que se interesse por cães é gay. Não é verdade. Mas desenvolvamos a questão: o assunto merece atenção porque já tinha constatado que os homens não têm grande gosto por cães pequenos. Gostam de cães de caça, porque gostam da caça, mas não ficam a chorar o cão ficar perdido no mato enquanto eles regressam a casa com as lebres e as perdizes. Gostam dos chamados cães de poder, os doberman, os buldogues, os pitebuls, etc. Um cão de poder, como já referi, reafirma a masculinidade, ao permitir associações entre a força e agressividade do cão e as seu dono. Tenho cá a ideia que os homens estão para os cães, como para os carros: quanto maior e mais potente ele for, mais importante e viril aparentarei ser, porque a verdade é que não passo de um medíocre mesquinho, e sem força na verga, mas há que disfarçar.
No meu bairro, por exemplo, só vejo rapazes e velhotes a passearem cãezinhos. Não há muitos de 30 nem de 4o. Devem recear parecer amaricados, como dizia o leitor em poste anterior, ou, outra teoria minha, os homens relativamente jovens estão ainda demasiado cheios de si, da importância da sua imagem, de adrenalina e testosterona, e buscando satisfação, para se preocuparem com alguém. Os homens de certa idade são sacos de egoísmo, de egocentrismo e de vacuidade. Isto é científico.
Uma realidade que conheço bem: as associações de protecção a animais juntam menos homens do que mulheres preocupados com acções voluntárias do cuidado ao outro. São na sua maioria constituídas por mulheres. E não apenas as solteironas como eu, as que não têm filhos ou as viúvas e divorciadas, tudo mulherio perdido para o sexo até ver, que se vai entretendo com acções de benfazer. Estão cheias de mulheres casadas, com filhos, netos, trabalhos, absolutamente convictas que mais vale limpar as boxers de 50 cães do que passar uma tarde a aturar os complexos de superioridade dos maridos.
Tudo isto me leva a pensar que os homens, de forma geral, não gostam de cuidar, não querem cuidar, não lhes interessa o sofrimento alheio. Eles são todos "muito bons"! Nunca conheci um que pensasse não ser. E quando se lhes mete na cabeça que, para além de serem muito bons, são também muito idóneos e respeitadores, fazendo tudo como deve ser, aceitando a inevitabilidade da mudança, da vida, ainda pior. Cobardolas, é o que é! Quem os pode aturar! Até eu prefiro limpar as boxes da União Zoófila de fio a pavio, lavando o chão de joelhos com um esfregão encharcado em lexívia.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...