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segunda-feira, agosto 25, 2008

Sobre os avistamentos da Maddie



Este Verão, após a série de avistamentos de Maddie por todo o mundo, os quais se seguiram à retirada do estatuto de arguidos que recaía sobre os seus pais, resolveram estes dispensar a segunda equipa de investigadores privados altamente qualificados, por não ter conseguido apresentar quaisquer resultados sobre o paradeiro da menina, mesmo após tentativa de infiltração numa rede pedófila belga.

Devo dizer que o fenómeno "avistamento de Maddie" também a mim me aconteceu. Estas férias vi a criança uma data de vezes, loirinha, toda vestidinha de cor-de-rosa, tal e qual como nas fotos divulgadas: o mesmo corte de cabelo, coradinha e angelical, dizendo num inglês perfeito, onde está a mamã?, quero a mamã. À distância também me pareceu ter uma marca no olho, em alguns casos até duas - facto atribuível à minha alta miopia e respectivos fenómenos de ilusão óptica produzidos.
Sobretudo no Algarve, aconteceu-me todos os dias. Cheguei a vê-la em sítios distintos, com duas ou três horas de diferença, pela mão de diferentes raptores, provavelmente devido à mudança de turno. A maior parte das vezes, como estratégia de disfarce, já lhe tinham trocado o vestidinho, o chapéu e os sapatinhos. Mas era a mesma Maddie. Pareceu-me sempre tão bem integrada nos agregados de raptores, brincando com outras Maddies iguais a ela, que resolvi nunca informar a polícia nem o staff do Gerry, Kate e respectivo fundo, não fossem eles dizer, sim, é ela, é uma aparição da nossa Maddie. Sou pela felicidade das crianças.

quinta-feira, outubro 25, 2007

O gangue do swing

Dois miúdos de 12, 13 anos, na paragem de autocarros do meu bairro, com as mochilas às costas, comentam o caso Maddie:

Primeiro miúdo - Está comprovado que os pais da Maddie praticavam swing e para se livrarem da miúda, mataram-na, por causa que ela sabia alguma coisa sobre eles.
Segundo miúdo - Iá. E também é muita estranho que um padre dê a chave da igreja à mãe para ela esconder o corpo da miúda. De certeza que o padre é cúmplice.
Primeiro Miúdo (rindo) - O padre também andava no swing.
Segundo Miúdo - Os gajos esconderam-na para ganhar dinheiro e para não serem descobertos de praticar swing, porque a filha já tinha descoberto as cenas. Vais ver se não é.

domingo, setembro 16, 2007

O puzzle

Uma colega garantiu-me que o corpo da criança está escondido no velho cemitério desactivado. Uma amiga acha que poderá mesmo estar dentro da igreja, numa pequena urna devidamente calafetada. Um amigo próximo, concordante com a minha prima afastada, acha que aquilo pode ter sido um ritual satânico, no qual eles se comprometeram a oferecer a criança. No café, ouvi, hoje, na mesa ao lado, que de certeza a atiraram ao mar. Já ouvi a hipótese de um enterramento na praia, ou mesmo perto do aparthotel. Eventualmente, na propriedade de Murat. Sinceramente, acho que o Find Maddie vai tornar-se o mais famoso jogo para Playstation 2.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Os incríveis pais de Maddie

Foto: Luís Forra/Lusa

Imaginam que os pais de uma criança desaparecida possam sentir grande disposição para dar entrevistas semanais à imprensa cor-de-rosa, posando sentados em sofás caros, e no chão, sobre almofadas, lendo as inúmeras cartas de apoio recebidas e espalhadas pela carpete?! Embora me esforce por me sentir na pele dos outros - é um exercício que realizo para conseguir situar-me imparcialmente face às situações - nunca imaginaria tal coisa. O meu horizonte emocional não o permitiria. Nunca vi pais de crianças portuguesas desaparecidas aparecerem senão em notícias de jornal, reclamando sobre a impotência dos meios disponibilizados para investigar os respectivos casos.
No entanto, na última semana deparei-me com três ou quatro capas da Lux, Gente, Caras, etc. alimentadas pela imagem dos pais de Maddie, ampliando a brutal campanha de marqueting pessoal que têm levado a cabo nestes meses. A vida dos pais de uma criança desaparecida tornou-se uma notícia de sociedade. Um caso muito negro enche páginas cor-de-rosa. Os pais da criança são igualmente cor-de-rosa: médicos lourinhos, branquinhos, magros e bem relacionados. Não gostamos deles, pois não. Como poderíamos?! Não está em causa se têm alguma culpa no caso. Isso transcende-me. Supreeender-me-ia bastante que os pais de uma criança aparentemente tão desejada, a ponto de ser concebida com recurso à procriação medicamente assistida, pudessem de alguma forma estar envolvidos em cenários tão macabros como os que os comentadores, e alguns jornais, sugerem. Os pais de Maddie poderão estar inocentes como anjos. Mas, na nossa cultura, os pais desesperados não têm assessores de imprensa que 'mandam dizer' aos jornalistas. Que decidem pronunciar-se, ou não, conforme estes se portam bem ou mal, ou seja, conforme lhes são mais ou menos favoráveis. Se calhar sou eu que sou antiquada, mas na nossa cultura os pais desesperados não se passeiam em carros de luxo nem acedem a vivendas a estrear, emprestadas. Na nossa cultura os pais desesperados não são recebidos pelo responsável do quartel-general das investigações sobre desaparecimentos, nos EUA. Nem pelo papa. Não fazem tours pelo mundo, como se fossem embaixadores da UNICEF. Na nossa cultura, os pais desesperados desesperam, e os de Maddie parecem-nos tão calmos e conformados com a demora nas investigações. Imagino que seja efeito dos calmantes com que se automedicam. Sinceramente, espero que tanta serenidade seja trabalho do Xanax e do Sedoxil. Isso poderia compreender. Quanto ao resto, gostaria que o peluche de Maddie que a mãe transporta para todo o lado, nas mãos, pudesse falar. E fala, não fala? Parece-me que fala.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...