Seios como os teus
fazem-me acreditar
em Deus.
domingo, julho 31, 2005
As rimas
Se não fosse
por serem tão previsíveis as rimas
e haver nas caixas de comentários
uma rigorosa vigilância
haveria de dizer-te
meu amor
que há uma falta de nexo
em estarmos juntos
e queixarmo-nos
das limitações
do sexo.
por serem tão previsíveis as rimas
e haver nas caixas de comentários
uma rigorosa vigilância
haveria de dizer-te
meu amor
que há uma falta de nexo
em estarmos juntos
e queixarmo-nos
das limitações
do sexo.
As feridas
Dividem-se em ácido e mel
as feridas que me fazem
as pás das hélices
da tua
reverberante
pele.
as feridas que me fazem
as pás das hélices
da tua
reverberante
pele.
Os jovens
Os jovens têm quase sempre razão. Porque está com eles o poder da idade. O erro, nos jovens, desculpa-os de poderem errar. Amam por aproximação e erro. Tropeçam. Caem. Levantam-se. Um dia haverão de ter certezas: é quando começam a perder esse poder, o da idade. E o amor os abandona para sempre.
A religião deste tempo: sexo!
O sexo vende bem. Melhor que pão, até porque, para garantir sexo, não nos aconselham hidratos de carbono.
O sexo vende bem como assunto, vende como prática. Garante dinheiro em caixa. Se tivesse vocação para o negócio, projectava e abria uma empresa relacionada com o mercado do sexo. Livros, revistas, acessórios, roupas... com um bocado de imaginação seria possível criar ofertas inéditas, capazes de fabricar o máximo de dinheiro com o mínimo de esforço.
O sexo interessa-nos ou porque fazemos ou porque não fazemos. Por estes dias, como escreve Adília Lopes em Irmã Barata, Irmã Batata, quem não fode, está fodido. É uma obrigação, como lavar as mãos antes de comer. Se não as lavamos, sentimo-nos uns porcalhões e passamos os dias a escondê-las dos outros.
A maior parte das decisões que tomamos, e que envolvem o nosso corpo, alimentação, aparência, hobbies, partem de um desígnio capital: garante mais sexo, melhor sexo? Quem quer pertencer a um grupo e ser aceite como igual, como interessante, convém que foda, que tenha muitas histórias de gajos ou gajas, e que seja atraente sexualmente. Não disse bonito, mas atraente sexualmente.
As conversas mais divertidas envolvem sugestões maliciosas à volta dos verbos comer, montar, empacotar...
Quem não gosta de um piadinha sexual?! Quem não sorri, confrontado com doses de “humor sexual”?! Há lá coisa mais engraçada?!
Queremos falar de sexo, contar experiências, mostrar que temos saída, que podemos ser aceites socialmente, que somos! – porque se fodemos, logo, não estamos fodidos, atingimos a normalidade que só o fornicanço assegura! Aproveitamos todas as oportunidades que nos são oferecidas para deixar isso bem claro.
Mas convém tomar atenção: se nos contam uma anedota sobre a ejaculação precoce do Zé Povinho, a ideia não é debater a disfunção: é uma anedota, e isso esgota o assunto.
Rimo-nos? Nesse caso, missão cumprida!
Nem tudo o que se diz e escreve sobre sexo pretende ir para além da ilustração, da piada que resulta.
O sexo é importante, mas prefiro não o levar tão a sério. Gosto de me rir dele, com o que dizem, com o que fazem. Gosto de escrever livremente. Sobre sexo, sobre batons ou sobre o que penso ser injustiça.
Nem tudo o que se diz e escreve sobre sexo pretende ir para além da ilustração, da piada que resulta.
O sexo é importante, mas prefiro não o levar tão a sério. Gosto de me rir dele, com o que dizem, com o que fazem. Gosto de escrever livremente. Sobre sexo, sobre batons ou sobre o que penso ser injustiça.
Às vezes a conversa sobre sexo é apenas motivo para uma nobre gargalhada.
Sabe bem, a gargalhada, mas ainda não se tornou religião.
sexta-feira, julho 29, 2005
A gosma
Há enxurro que se baba em público não mais que lendo ou ouvindo a palavra «sexo». Os recalcamentos antigos vêm assim em forma de gosma. Adolescências difíceis, muita desalentada pívia, renúncia, más leituras, amor em vão – eis no que dá. Mas a gosma acaba por regressar desse tempo concomitante com muitas elevadas doses de auto-estima e auto-comprazimento. E então surge, e insurge-se, e insinua-se a figura do super herói. Se não expelissem a gosma, o mais certo era que se finassem, balofos, anchos, e tivéssemos acrescidamente que lhes suportar a exalação.
Assim, por razões apenas higio-sanitárias, valha-nos ao menos isso que apenas se babam.
Assim, por razões apenas higio-sanitárias, valha-nos ao menos isso que apenas se babam.
quinta-feira, julho 28, 2005
Do amor
um dia chamaremos
meu amor
os nomes pelos nomes
sabendo que nada do amor
decorre do deboche
e então
hei-de ouvir-te respirar descompassadamente
entre ternura e desejo
enquanto te peço
a meio dum beijo
que me faças
um broche
meu amor
os nomes pelos nomes
sabendo que nada do amor
decorre do deboche
e então
hei-de ouvir-te respirar descompassadamente
entre ternura e desejo
enquanto te peço
a meio dum beijo
que me faças
um broche
quarta-feira, julho 27, 2005
A minha vida: agora a sério
Naqueles sítios em que aparece o «Procura alguém para: Amizade ( ) Casamento ( ) Nada sério ( )», o meu clique vai sempre - isto é automático, verdadeiramente não escolho - para o «Nada sério».
Depois fico a noite toda a tremer de frio. Mas se eu contasse a minha vida – fooooooooda-se…
Depois fico a noite toda a tremer de frio. Mas se eu contasse a minha vida – fooooooooda-se…
O que se acalma
O céu fica negro, ao fim da tarde, e sabe bem regressar a casa.
As paredes arrefecem subitamente, e consigo, de novo, respirar, sossegar, adormecer guardada no morno da tua pele .
Nas abertas do aguaceiro forma-se um ligeiro vapor sobre os telhados. Tudo, tudo se evapora. O cansaço dos dias seguidos em que o alcatrão derreteu sob os meus passos e o ar me sufocou de odores opacos, evapora-se.
As paredes arrefecem subitamente, e consigo, de novo, respirar, sossegar, adormecer guardada no morno da tua pele .
Nas abertas do aguaceiro forma-se um ligeiro vapor sobre os telhados. Tudo, tudo se evapora. O cansaço dos dias seguidos em que o alcatrão derreteu sob os meus passos e o ar me sufocou de odores opacos, evapora-se.
terça-feira, julho 26, 2005
Da série: «Os grandes temas»
o amor
as mais das vezes
é só
isto
que parece:
uma ligeira febre
que não aquece
nem
arrefece
as mais das vezes
é só
isto
que parece:
uma ligeira febre
que não aquece
nem
arrefece
Com muitas merdas
Desconfio de dois tipos de gajos, que às vezes são um só, e explico já para que não se me inche a garganta:
1. Os que, quando lhe perguntamos, “o Marcos Palmeira é lindo, não é?”, respondem, “não sei, que não gosto de homens”, ou então, e isto parece uma versão moderna, mas é igualzinha à anterior, “embora eu não goste de homens, como sabes, e toda a gente sabe, porque passo a vida a enunciá-lo - e teria de fazer dez anos de psicanálise para descobrir porque explico tanto isto - parece-me um homem charmoso e até compreendo que vocês gostem”.
2. Os que acham que as putas tem um trabalho cheio de aventuras, desafios e prazeres, o qual escolheram, voluntárias, no catálogo de actividades do centro de emprego, por uma questão de fácil saída profissional, e que até casavam com elas, mas só se elas largassem o emprego.
1. Os que, quando lhe perguntamos, “o Marcos Palmeira é lindo, não é?”, respondem, “não sei, que não gosto de homens”, ou então, e isto parece uma versão moderna, mas é igualzinha à anterior, “embora eu não goste de homens, como sabes, e toda a gente sabe, porque passo a vida a enunciá-lo - e teria de fazer dez anos de psicanálise para descobrir porque explico tanto isto - parece-me um homem charmoso e até compreendo que vocês gostem”.
2. Os que acham que as putas tem um trabalho cheio de aventuras, desafios e prazeres, o qual escolheram, voluntárias, no catálogo de actividades do centro de emprego, por uma questão de fácil saída profissional, e que até casavam com elas, mas só se elas largassem o emprego.
Ene gajos (da série "A tradução perfeita")
A verdade teria o poder de te libertar, não fosses tu cego e surdo; visses tu para além da curta distância que alcanças. Como não vês, meu filho, a verdade vai chatear-te os cornos até os partires sozinho contra um muro qualquer, na EN 1.
(The truth will set you free. But first, it will piss you off. - Gloria Steinem)
(The truth will set you free. But first, it will piss you off. - Gloria Steinem)
Ene gajos II (da série "A tradução perfeita")
Desde o princípio dos tempos que fazemos o mesmo que os gajos, sendo que eles fingem não saber. O que ainda não descobrimos é se eles conseguem fazer o mesmo que nós. E isso é determinante, porque não só já não estamos para continuar a responsabilizar-nos pelo nosso e pelo deles, como se tornou praticamente impossível consertar a valente merda que se habituaram a fazer com a benção uns dos outros. Os filhos-da-puta!
(We know that we can do what men can do, but we still don't know that men can do what women can do. That's absolutely crucial. We can't go on doing two jobs. - Gertrude Stein)
(We know that we can do what men can do, but we still don't know that men can do what women can do. That's absolutely crucial. We can't go on doing two jobs. - Gertrude Stein)
segunda-feira, julho 25, 2005
É como no futebol
Ter os melhores leitores do mundo é nisto que acaba por dar. Às vezes estamos a olhar o relvado e o mais interessante está a acontecer nas bancadas. Por favor, passem por aqui.
Beleza - e os grandes problemas existenciais da Queda Livre
É claro que «beleza é fundamental». Mas há aqui dois quês que devem ser ponderados, quer dizer – tidos em devida conta. Primeiro: devemos ter sempre presente que o feio a alguns bonito lhes parece – o que nos remete para o carácter relativo de tudo isto; e depois, e depois – que há quem goste muito de elefantes mas detestasse ter um elefante em continuidade no tapete persa da sala de estar. Eu passo-me com a boazona de coxa durinha e avantajada, perna alongada e seiozinho quase a roçar a arrogância
(um amigo meu diz que não, que elas se querem pequeninas como sardinhas e que seios não mais que caberem na mão)
– o que não quer dizer que gostasse de levá-la comigo a partilhar espaços íntimos em permanência tendo que aturá-la e conhecendo-lhe a molécula e o feitio
(não obstando que não nos fizéssemos um jeito em andamento célere num vão e nos despedíssemos sem anotar os mails nem o endereço postal - mas isso é outra história e como de costume perco-me).
Quer dizer: bonitas-bonitas há muitas onde se sabe e, não se lhes exigindo patuá ou até agradecendo-se-lhes que não se explanem muito em considerações sobre política, filosofia ou literatura medieval, está o assunto resolvido: marcham a um preço que, bem acomparado com o que se gasta nas outras, é em saldo. E portanto neste item passamos adiante sem grande necessidade de queixinhas nem de posts explanando autocomiseração. Mas as meninas, enfim, lá sabem.
(Eu disse que bonitas e boas há muitas nos lugares de passe: gostaria de deixar aqui expresso que o afianço, claro, por ouvir dizer a quem lá foi e o sabe por experiência própria: que eu nunca lá fui nem volto lá tão cedo).
(um amigo meu diz que não, que elas se querem pequeninas como sardinhas e que seios não mais que caberem na mão)
– o que não quer dizer que gostasse de levá-la comigo a partilhar espaços íntimos em permanência tendo que aturá-la e conhecendo-lhe a molécula e o feitio
(não obstando que não nos fizéssemos um jeito em andamento célere num vão e nos despedíssemos sem anotar os mails nem o endereço postal - mas isso é outra história e como de costume perco-me).
Quer dizer: bonitas-bonitas há muitas onde se sabe e, não se lhes exigindo patuá ou até agradecendo-se-lhes que não se explanem muito em considerações sobre política, filosofia ou literatura medieval, está o assunto resolvido: marcham a um preço que, bem acomparado com o que se gasta nas outras, é em saldo. E portanto neste item passamos adiante sem grande necessidade de queixinhas nem de posts explanando autocomiseração. Mas as meninas, enfim, lá sabem.
(Eu disse que bonitas e boas há muitas nos lugares de passe: gostaria de deixar aqui expresso que o afianço, claro, por ouvir dizer a quem lá foi e o sabe por experiência própria: que eu nunca lá fui nem volto lá tão cedo).
Queda livre
Temos de encarar a realidade: a maioria dos homens não têm por onde se lhes pegue. Normalmente, são mal jeitosos: peludos, despenteados, mal tratados, mal vestidos ou então exageradamente bem em tudo, a roçar o efeminado - a esses chamam-lhes metrossexuais, mas a mim nem um centímetro me apetece medir-lhes!
Habituamo-nos ao que existe no mercado. A fruta é um bocado bichada, mas a gente contenta-se, até porque ouvimos as nossas mães, tias, avós, ao longo dos anos, repetir que os homens não choram e não são bonitos nem se querem assim... Habituámo-nos, é o que é! Queremos lá saber. Cumpram eles a missão para que vieram equipados! Porque se cumprirem, o que é que podem eles desejar que não tenhamos para lhes oferecer, oferecidamente?
Se nos aparece um homem bonito, ficamos um bocado apalhaçadas, não conseguimos articular frase com sentido, apenas uns “sim”, “não”, “achas?”, “pode ser” uns sorrisos, e pronto, sei lá, uns beijos lentos, longos para disfarçar que de repente perdemos todas as capacidades oratórias...
Não estamos habituadas: não fomos educadas para homens bonitos, não recebemos formação. Ficamos tontas, abaladas, perdemos o sentido de equilíbrio, o chão parece ora mais próximo ora mais distante, balançamos, parece que vamos em queda livre, e se calhar vamos mesmo.
Um homem bonito baralha-nos, confunde-nos. Não precisa de patuá. Até é melhor não. Não arriscamos desilusões. Basta ficar quietinho a deixar-se ser olhado e beijado, sorrindo e beijando. Nós fazemos o resto. Ficamos um bocado aturdidas, em hipotensão, mas fazemos com gosto.
E às vezes dou comigo a compreender perfeitamente o estado de evidente embasbacamento mental em que ficam os homens perante numa mulher bonita.
Começo a entender, coitados.
Habituamo-nos ao que existe no mercado. A fruta é um bocado bichada, mas a gente contenta-se, até porque ouvimos as nossas mães, tias, avós, ao longo dos anos, repetir que os homens não choram e não são bonitos nem se querem assim... Habituámo-nos, é o que é! Queremos lá saber. Cumpram eles a missão para que vieram equipados! Porque se cumprirem, o que é que podem eles desejar que não tenhamos para lhes oferecer, oferecidamente?
Se nos aparece um homem bonito, ficamos um bocado apalhaçadas, não conseguimos articular frase com sentido, apenas uns “sim”, “não”, “achas?”, “pode ser” uns sorrisos, e pronto, sei lá, uns beijos lentos, longos para disfarçar que de repente perdemos todas as capacidades oratórias...
Não estamos habituadas: não fomos educadas para homens bonitos, não recebemos formação. Ficamos tontas, abaladas, perdemos o sentido de equilíbrio, o chão parece ora mais próximo ora mais distante, balançamos, parece que vamos em queda livre, e se calhar vamos mesmo.
Um homem bonito baralha-nos, confunde-nos. Não precisa de patuá. Até é melhor não. Não arriscamos desilusões. Basta ficar quietinho a deixar-se ser olhado e beijado, sorrindo e beijando. Nós fazemos o resto. Ficamos um bocado aturdidas, em hipotensão, mas fazemos com gosto.
E às vezes dou comigo a compreender perfeitamente o estado de evidente embasbacamento mental em que ficam os homens perante numa mulher bonita.
Começo a entender, coitados.
Coitadas.
domingo, julho 24, 2005
Literatura
A Elsa tem umas calças esfarrapadas nos joelhos e uns sapatos a imitar as chuteiras que estão agora muito na moda, parece, e que me lembro de terem passado de moda em 1998, quando deixei de jogar futebol (eu deixei de jogar futebol porque esmurrei um árbitro corrupto e fui irradiado; eu nesse tempo acreditava na Justiça sobre todas as coisas; não, não: eu nesse tempo acreditava no Amor sobre todas as coisas, e é verdade que cheguei a dizer «amo-te para sempre», e fui irradiado). A Elsa acaba de publicar dois poemas numa revista de Vilarelho que se vende em Alijó, em Nova Iorque e na FNAC do centro comercial da Guia, em Albufeira, e acredita na Literatura sobre todas as coisas. Gosto de vê-la chegar assim, desse modo a um tempo seguro e displicente cheio das certezas de quem sabe que o futuro precisa de si para se cumprir. De si e do seu livro, de cujo original me traz uma cópia a pedir se o Jorge da Quasi, tão amigos que somos, não o poderá receber com um bilhetezinho meu a recomendá-lo. Que a Quasi, enfim, é um recurso, que a Assírio «talvez fosse melhor para começar». Digo-lhe que sim. E que se discipline, que escreva, que cometa mais um volume e que se poderia «concomitantemente» tratar de publicar na Quasi e na Assírio, com lançamentos em dias consecutivos em Lisboa e em Vila Nova de Famalicão. E começar a pensar numa tradução em Espanha, que também sou amigo do Uberto Stabile. A Elsa ri-se, é um doce (sim, é um doce; quer dizer: eu estou a pensar em lambê-la e temo a diabetes).
Foda-se, tergiverso: nós estávamos a falar de Literatura. Eu e a Elsa. Ela acredita ainda no mundo perfeito. Se acabarmos na cama é só por Amor.
Foda-se, tergiverso: nós estávamos a falar de Literatura. Eu e a Elsa. Ela acredita ainda no mundo perfeito. Se acabarmos na cama é só por Amor.
sábado, julho 23, 2005
C.B. e Isabela: a intimidade
O C. B., ontem, "agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital", dengoso, eu ainda a ver se me orientava, saiu-se-me com esta, "e se agora chamássemos àquela merda O Mundo Ferpeito"?
Há momentos iluminados!
sexta-feira, julho 22, 2005
Ir
Foto - Denis Piel, Desert Love, 1984
Vou tentar as tuas mãos, vou salgá-las. E a boca, vou salgar-ta de morderes coxas pelo lado de dentro; de castigo, vais brincar. E a barriga, os teus braços, os teus dedos. Os lábios; vou trincar, não, tu vais prender, apertar, puxar um de cada vez, ignorar o meu queixume. Vou negar, não, agora entrego. Vais fazer o que quiseres; vais achar que fiz o que quis.
Vais olhar-me, vais sorrir, virar-me para ti, adormecer-me cosida na tua pele, sussurando palavras surdas que já não escuto; adormecer respirando o ar morno que respirei.
Vais olhar-me, vais sorrir, virar-me para ti, adormecer-me cosida na tua pele, sussurando palavras surdas que já não escuto; adormecer respirando o ar morno que respirei.
É tão cedo, amor, e parecem anos.
quinta-feira, julho 21, 2005
quarta-feira, julho 20, 2005
Da prostituição - duas mulheres III
Conceição anda pelos 60 anos.
(...)
Veste um tailleur azul e uma camisa branca de uma seda tão verdadeira como as verdades que conta aos fihos e à família: "A minha filha nem sonha. Mesmo que estranhe onde arranjo o dinheiro para os presentes que lhe dou, não pergunta. Consegui dar-lhe uma licenciatura e proporcionar-lhe um bom casamento. Ele também é doutor e tem um cargo importante.
(...)
Veste um tailleur azul e uma camisa branca de uma seda tão verdadeira como as verdades que conta aos fihos e à família: "A minha filha nem sonha. Mesmo que estranhe onde arranjo o dinheiro para os presentes que lhe dou, não pergunta. Consegui dar-lhe uma licenciatura e proporcionar-lhe um bom casamento. Ele também é doutor e tem um cargo importante.
Isabelinha nº2 formou-se e tem emprego certo. Agora está grávida de gémeos. É a primeira vez, e preocupa-se. Vai ser mãe solteira. Duas crianças...
O dinheiro para as fraldas, o pediatra... tudo a dobrar.
(Excerto transcrito de “Mulheres da Praça”, de Pedro Coelho, Única, Expresso, nº 1704, de 25 de Junho de 2005)
Da prostituição - duas mulheres II
“Se não morrer antes, só posso sair quando pagar a casa; está quase”, diz.
(...)
Isabelinha fala pouco e baixo, mas trabalha muito. Numa noite muito fria de um dia muito quente, Isabelinha subiu três vezes a escada da pensão, com três clientes diferentes. De cada vez, descia 20 minutos depois.
Conceição, há 30 anos na mesma esquina, riu-se quando lhe perguntámos o segredo de Isabelinha: “É o preço, leva 15 euros, paga ela o quarto e aceita sem preservativo”. Isabelinha confirma o preço, mas desmente a falta de protecção: “sem camisinha, nunca. Elas até dizem que eu transmito doenças. Inveja!”
Isabelinha número dois tem a casa para pagar. Vai reformar-se antes. Se morrer antes, o seguro de vida liquida a hipoteca. Os bancos pensam em tudo.
(...)
Isabelinha fala pouco e baixo, mas trabalha muito. Numa noite muito fria de um dia muito quente, Isabelinha subiu três vezes a escada da pensão, com três clientes diferentes. De cada vez, descia 20 minutos depois.
Conceição, há 30 anos na mesma esquina, riu-se quando lhe perguntámos o segredo de Isabelinha: “É o preço, leva 15 euros, paga ela o quarto e aceita sem preservativo”. Isabelinha confirma o preço, mas desmente a falta de protecção: “sem camisinha, nunca. Elas até dizem que eu transmito doenças. Inveja!”
Isabelinha número dois tem a casa para pagar. Vai reformar-se antes. Se morrer antes, o seguro de vida liquida a hipoteca. Os bancos pensam em tudo.
(O excerto transcrito de “Mulheres da Praça”, de Pedro Coelho, Única, Expresso, nº 1704, de 25 de Junho de 2005)
Da prostituição - duas mulheres
Texto de partida: reportagem “Mulheres da Praça”, de Pedro Coelho, Única, Expresso, nº 1704, de 25 de Junho de 2005
Isabelinha, prostituta na Praça da Figueira, depois das duas sovas que lhe deu a “colega”, por inveja, “nunca mais foi a mesma, anda meio longe...”
Isabelinha, prostituta na Praça da Figueira, depois das duas sovas que lhe deu a “colega”, por inveja, “nunca mais foi a mesma, anda meio longe...”
Isabelinha tem 73 anos, os cabelos louros, a pele muito branca e não sabe ler nem escrever. Se soubesse, poderia assentar as ofensas de que é alvo, por parte da outra - "a assassina" - tudo derivado das saias que veste, terminadas “quinze centímetros abaixo da cintura”.
Se assentasse as coisas, lembrar-se-ia.
Isabelinha nº2 não é prostituta. Não recorda grande coisa da vida que viveu entre os 13 e os 23 anos. Guarda uma ideia geral; talvez a imagem viva de 2 ou 3 “slides” a cores.
Isabelinha nº2 não é prostituta. Não recorda grande coisa da vida que viveu entre os 13 e os 23 anos. Guarda uma ideia geral; talvez a imagem viva de 2 ou 3 “slides” a cores.
terça-feira, julho 19, 2005
Orgasmo
"(...) exactamente com o mesmo comprimento de onda e frequência, assim as ondas anulam-se; a pequena morte".
( jmnk, em comentário ao post "Desculpa, querida...")
Desculpa, querida...
Segundo «A Resposta Sexual», de Masters & Johnson, que cita, os homens precisam de dois minutos de coito para conseguirem um orgasmo; as mulheres precisam de oito. Esta diferença é abissal. E não destaco outros aspectos, como a importância dos preliminares. Apesar destas diferenças, podem homem e mulher entenderem-se?
"Voltar a pôr amor e paixão no sexo", entrevista de Anabela Mota Ribeiro ao séxologo Francisco Allen Gomes, in Elle, nº 203, Agosto 2005, p. 66.
O mês passado eram 4 minutos. Agora, dois. Com estes níveis de excelência, qualquer dia...
segunda-feira, julho 18, 2005
Seca estival
A minha prima afastada, embora inicie e termine todos os diálogos sobre o sexo oposto declarando, "os homens são uns filhos-da-puta", manda dizer, isto por causa das confusões geradas pelo post da semana passada, que lhe causou muitos dissabores no emprego (desculpa, Joana Rita!), que adora homens, que adora homens, que adora homens.
Aproveito a boleia para declarar ter momentos em que, não percebendo porquê, oh, também os adoro! Como os adoro!
Originalidade da cópia
Copiar é uma arte por si só.
Uma boa cópia recria, acrescenta.
O Mundo Perfeito ainda não tem modelo, por isso, muitas vezes, andamos à deriva.
Acessório essencial
Um brinco pode substituir, com sucesso, o nome de uma mulher, constituir o centro de uma virtude, iluminar até à cegueira os olhos que o contemplam.
O brinco é o acessório essencial.
domingo, julho 17, 2005
O idioma deles
Ontem passeei-me pela lingerie.
Claro que posso ir ali ao Pagapouco e comprar umas excelentes cuequinhas de algodão 100%, a 50 cêntimos cada. A pataco. Mas, onde ficaria o glamour?
Uma mulher como eu só compra lingerie numa loja especializada, e escolhe um conjunto Chantelle, por exemplo, por um mínimo de 60€, todo em renda 100% poliester, daqueles que ninguém tem coragem de usar para ir trabalhar, por mor do conforto (para isso vestimos um prático Sloggi), e que, resumindo, serve para usar uns minutinhos antes, e tirar afogueadamente, ou então, não tirar completamente, baixar apenas umas alcinhas e afastar um bocadinho... claro, estragam-se rapidamente, apesar do número reduzido de horas de uso: tecido frágil sujeito a muita abrasão.
Ontem comprei um conjuntinho apropriado. Nunca me imaginei a vestir umas rendinhas cor-de-rosa, lilás e verde, tudo misturado, pensei que a combinação de cores não resultasse, mas, se resulta! Vesti, descrente, olhei-me ao espelho e não hesitei. Era aquilo!
Uma lingerie fala por nós. O design arrojado, a combinação de cores vão mostrar-me como uma mulher que arrisca, uma mulher diferente, ousada, pouco convencional, que não serve para casar nem para ter filhos, só para umas cabriolices inconsequentes - e a aparência, a única coisa que eles compreendem, é meio caminho andado, já se sabe.
sexta-feira, julho 15, 2005
quinta-feira, julho 14, 2005
O valor da experiência
No mundo perfeito não aprendemos com a experiência. Usamos os sentidos como se tivéssemos acabado de os descobrir: uma árvore é sempre a primeira árvore, o odor de uns alperces é o primeiro odor dos alperces, tropeçamos na calçada como se nunca, antes, tivéssemos caminhado sobre pedra, e o amor, nosso conterrâneo, principia como se não o conhecêssemos de lugar algum.
No mundo perfeito, acreditamos nas histórias que nos contam, como uma criança acredita no papão. Porque as palavras ouvidas são as primeiras palavras, e os outros são prolongamentos do eu: o que desejamos encontrar.
No mundo perfeito rimos, choramos, não choramos, sorrimos, rimos, choramos; e, quando morremos, sabemos que rimos e chorámos, e vivemos os estados intermédios.
Nesse momento, talvez se compreenda. Ou talvez não haja grande coisa para compreender.
No mundo perfeito tudo pode recomeçar a partir de um sonho destruído, porque o mundo perfeito não tem orgulho, nem medo, nem sequer pensamento, para que não fiquemos “doente dos olhos”.
É possível viver noutros mundos. Para alguns de nós, basta o mundo perfeito.
No mundo perfeito, acreditamos nas histórias que nos contam, como uma criança acredita no papão. Porque as palavras ouvidas são as primeiras palavras, e os outros são prolongamentos do eu: o que desejamos encontrar.
No mundo perfeito rimos, choramos, não choramos, sorrimos, rimos, choramos; e, quando morremos, sabemos que rimos e chorámos, e vivemos os estados intermédios.
Nesse momento, talvez se compreenda. Ou talvez não haja grande coisa para compreender.
No mundo perfeito tudo pode recomeçar a partir de um sonho destruído, porque o mundo perfeito não tem orgulho, nem medo, nem sequer pensamento, para que não fiquemos “doente dos olhos”.
É possível viver noutros mundos. Para alguns de nós, basta o mundo perfeito.
Orientar a vida
Às vezes decidimos orientar a nossa vida deixando que seja ela a orientar-nos. É uma opção como qualquer outra: a ela nos entregarmos, deixando que seja ela, a vida, a decidir por nós os caminhos por onde devemos prosseguir.
Os orgulhosos e os fracos orientam a sua vida segundo princípios rígidos, segundo quadros normativos. Deles não se desviam. A vida, às vezes, é que se desvia deles. E então resta-lhes só o orgulho, a entoação. Isso dá-me sono.
Os orgulhosos e os fracos orientam a sua vida segundo princípios rígidos, segundo quadros normativos. Deles não se desviam. A vida, às vezes, é que se desvia deles. E então resta-lhes só o orgulho, a entoação. Isso dá-me sono.
terça-feira, julho 12, 2005
A tradução perfeita I
Este é o princípio pelo qual tenho orientado a minha vida: prepara-te para o pior; deseja o melhor; aceita o que vier.
(This is the precept by which I have lived: Prepare for the worst; expect the best; and take what comes.)
Hannah Arendt
As meninas
[As meninas pelam-se por um rebuçado. Deve-se-lhes dá-los (os rebuçados) dos bons, mas só de tempos a tempos, e sem data acertada - nunca, claro, em estando elas à espera do rebuçado. É que se houver um ciclo, é que se já estiverem à espera, é que se já souberem que no período tal recebem tal - é dores de cabeça, ele é o humor em défice, ele é a asneira, a broma, o dislate em agravado. E logo depois do rebuçado - rédea curta. Rédea curta é o essencial. Que não é bom deixá-las habituar-se ao doce e ficarem melosas - nem, doutra parte, impedir-lhes o coice metafórico que gabam depois em grupinho como nota de emancipadas.]
As mulheres
Trazem em si o peso excessivo da memória
Uma memória tantas vezes ancorada na raiz de troncos apodrecidos nas margens dos rios antigos
Uma memória tantas vezes fundada no medo e no abandono
E por isso chegam a adormecer nos bosques de bétulas onde a música e as lágrimas dividem por turnos as funções de defesa
E por isso às vezes tropeçam quando as palavras convocam a injustiça sem aviso prévio
Ainda assim crescem contra a noite desmesuradamente
E a dádiva é um dos seus primeiros nomes
São elas que guardam nos muros do cadastro a cintilação das argilas numerosas
São elas que guardam nos pátios a respiração cadente dos astros
São elas que permanecem acordadas quando a tempestade e o arame das vinhas suspendem na noite os ferros oxidados do esquecimento
E por isso às vezes uma navalha de mágoa fica nos seus dedos como se não houvesse outro modo de guardar o mundo
Ainda assim crescem contra a noite desmesuradamente
E a dádiva é um dos seus primeiros nomes
Uma memória tantas vezes ancorada na raiz de troncos apodrecidos nas margens dos rios antigos
Uma memória tantas vezes fundada no medo e no abandono
E por isso chegam a adormecer nos bosques de bétulas onde a música e as lágrimas dividem por turnos as funções de defesa
E por isso às vezes tropeçam quando as palavras convocam a injustiça sem aviso prévio
Ainda assim crescem contra a noite desmesuradamente
E a dádiva é um dos seus primeiros nomes
São elas que guardam nos muros do cadastro a cintilação das argilas numerosas
São elas que guardam nos pátios a respiração cadente dos astros
São elas que permanecem acordadas quando a tempestade e o arame das vinhas suspendem na noite os ferros oxidados do esquecimento
E por isso às vezes uma navalha de mágoa fica nos seus dedos como se não houvesse outro modo de guardar o mundo
Ainda assim crescem contra a noite desmesuradamente
E a dádiva é um dos seus primeiros nomes
As mudanças da minha prima afastada
A minha prima afastada, antigamente, não era feminista. Mas o convívio, já se sabe, tem os seus efeitos, e quem anda com um coxo...
Antigamente, era uma mulher endurecida pela vida, uma rapariga amarga, com uma visão deturpada do maravilhoso mundo masculino. Cheguei a ouvi-la afirmar, seriamente, em remate de conversa (e peço desculpa pela dureza do seguinte discurso, mas sou apologista do realismo, de um estilo informtivo duro, que nos afronte, nos inquiete, como o da TVI):
"Os homens são como os cães! Tem que se lhes dar ordens claras, senão estão sempre a mijar fora do sítio!"
"Os homens tem de ser como os cães: patinha..."
Novamente, peço desculpa, sei que é duro, mas a minha missão, aqui, limita-se ao eco da vida lá de fora, da realidade, tal como um cineasta que queira revelar o horror da guerra no Vietnam. Compreenda-se que não subscrevo!
Eu bem tentava argumentar, mas em vão. Respondia-me sempre igual:
"Escusas de me dar já com essa conversa da mulherada, que eu não sou da vossa seita!"
Coitada, lá tinha as suas razões... Nós também cá temos os nossos telhados de vidro...
Felizmente, agora que é feminista, a minha prima afastada encara o mundo com outra clareza. Os homens já não são as suas vítimas de estimação. Nutre por eles incontrolável ternura, e mostra-se arrependida de todo o seu passado de intolerância relativamente a este sexo tão forte, tão racional, tão perfeito, que tanto prazer nos dá, intelectualmente.
O feminismo trouxe-lhe clarividência, esclareceu todos os traumas limitativos.
Ainda ontem tive oportunidade de verificar o quanto mudou. Rematou uma conversa de café, sobre filosofia pura, com esta ternura de frase, aquela querida:
"Olha, tu tens cães, e isto é simples, as teorias que servem para os cães, servem para os homens!"
Antigamente, era uma mulher endurecida pela vida, uma rapariga amarga, com uma visão deturpada do maravilhoso mundo masculino. Cheguei a ouvi-la afirmar, seriamente, em remate de conversa (e peço desculpa pela dureza do seguinte discurso, mas sou apologista do realismo, de um estilo informtivo duro, que nos afronte, nos inquiete, como o da TVI):
"Os homens são como os cães! Tem que se lhes dar ordens claras, senão estão sempre a mijar fora do sítio!"
"Os homens tem de ser como os cães: patinha..."
Novamente, peço desculpa, sei que é duro, mas a minha missão, aqui, limita-se ao eco da vida lá de fora, da realidade, tal como um cineasta que queira revelar o horror da guerra no Vietnam. Compreenda-se que não subscrevo!
Eu bem tentava argumentar, mas em vão. Respondia-me sempre igual:
"Escusas de me dar já com essa conversa da mulherada, que eu não sou da vossa seita!"
Coitada, lá tinha as suas razões... Nós também cá temos os nossos telhados de vidro...
Felizmente, agora que é feminista, a minha prima afastada encara o mundo com outra clareza. Os homens já não são as suas vítimas de estimação. Nutre por eles incontrolável ternura, e mostra-se arrependida de todo o seu passado de intolerância relativamente a este sexo tão forte, tão racional, tão perfeito, que tanto prazer nos dá, intelectualmente.
O feminismo trouxe-lhe clarividência, esclareceu todos os traumas limitativos.
Ainda ontem tive oportunidade de verificar o quanto mudou. Rematou uma conversa de café, sobre filosofia pura, com esta ternura de frase, aquela querida:
"Olha, tu tens cães, e isto é simples, as teorias que servem para os cães, servem para os homens!"
segunda-feira, julho 11, 2005
Esclarecimento à população
1. Até ao momento, nem o Ministério da Educação nem o da Ciência e Tecnologia nem a Porto Editora, a Texto ou congéneres, nem sequer a Associação de Professores de Português estabeleceram contactos com esta administração, visando a concessão de patrocínios; não nos foram, ainda, adjudicadas quaisquer empreitadas no âmbito do aperfeiçoamento das competências vocabulares da língua materna.
Por esse motivo, será liminarmente devolvida ao remetente toda a correspondência solicitando subsídio para compra de dicionários e gramáticas da Língua Portuguesa, o que acontece, periodicamente, sempre que a lagarta da fruta se lembra de esticar os cornichos para fora do caroço. Graças a Deus, é raro!
2. Nunca houve, da metade sensata deste blog, a intenção de transformar o que pode ser perfeito num ghetto para especialistas em Linguística, variante de dialectologia aplicada, especialidade em “variantes regionais paleontológicas”, mais concretamente, “gíria do calhau e do torrão das berças”.
3. Reafirmo o propósito individual de continuar a realizar duplicados esforços para moderar a mera ostentação de dotes verbais, que mal contenho, evitando o gratuito malabarismo estilístico, e assegurando, democraticamente, a qualquer alma detentora dos rudimentos da escolaridade básica obrigatória, mesmo com duas negas oficiais somadas a mais duas votadas por bom comportamento, o fácil acesso a este espaço.
4. Não é possível, contudo, negar a geminação fundacional deste blog a duas associações que muito têm contribuído para a manutenção dos níveis óptimos de desempenho até agora obtidos pelos seus criadores:
1º A Associação Internacional das Cabrazanas Assumidas (estes movimentos são sempre transfronteiriços, dado que a troca de experiências é fundamental para o aprofundamento das investigações em curso).
2º O Clube Unicamente Português dos Grunhos Empedernidos (embora reste um número ínfimo de exemplares em Espanha e Itália, é em Portugal que a espécie encontra o habitat propício à procriação, bem como ao desenvolvimento de núcleos gregários – associais, contudo).
Lamento não poder, de momento, fornecer os linques, mas quer a primeira quer o segundo se encontram em processo de actualização, dado o número anormal de inscrições que se tem vindo a registar desde que abrimos este espaço.
O livrete
O preconceito, o pré-conceito, ataca onde menos se espera. Isabela, a liberal, a liberada, a feminista que linca as mulheres que trabalham nos campos (oh, a lírica, estou quase a engendrar um decassílabo) – enreda-se nos fios do novelo que julga desatar: e vem-se deste modo, em letra de forma, explicar que as solteiras andam mais nutridas de trapézio, que a elas, pelos vistos, nenhum código, ao contrário das casadas, as submete. E põe, acrescenta, figurinhas parvas com chifres de infidelidade a ilustrar. A ilustrar, portanto, os seus enganos próprios, o seu tão distraído pré-conceito. Para a Isabela, para tantas mulheres feministas, os códigos da honra só valem em estando impressos. As namoradas, as desvinculadas, desinçam a torto e a direito, e é justo; as que meterem num papel a assinatura, só elas, sim, se vinculam. É assim, para gente tão aberta, tão liberal, que se desenha o mundo perfeito: traindo com falta justificada desde que não haja livrete registado na conservatória.
É, de facto, uma membrana muito fina esta que separa o feminismo, as algemas, a teoria e a emancipação de boca. E é coisa pouca. Pequenininha. Coisa triste, a não valer, em boa verdade, a chatice de um post.
É, de facto, uma membrana muito fina esta que separa o feminismo, as algemas, a teoria e a emancipação de boca. E é coisa pouca. Pequenininha. Coisa triste, a não valer, em boa verdade, a chatice de um post.
domingo, julho 10, 2005
De barriga cheia
Os homens, coitados, estão necessariamente casados. Vivem no paleolítico relacional, e julgam precisar de estabilidade e segurança para criar a prole que lhes apresentaram como factura. Nem imaginam como é que os nómadas arriscam reproduzir-se. Sem base! Porque, quer-se dizer, os homens, os casados, precisam de ter ali a basezinha para a camisa, para a cueca, para a peúga, lavada, passada e engavetada, e que nunca pode mudar de sítio!
Os homens, coitados, quem é que não sabe isto?, comem mal que se fartam, em casa; andam à míngua, morrem de fome (porque querem!): e com a fome deles enchemos nós a barriga. Nós, as desorientadas, as desencaminhadas, as pobrezinhas que não desencalharam, porque há mais moças que moços, sendo que muito moço prefere atracar-se ao homónimo, mistério que não se resolverá tão cedo! Nós, as coitadinhas, as que encalharam por azar do destino, da vida madrasta, jamais por escolha pessoal, jamais por indisponibilidade para lhes lavar a cueca com detergente para roupa delicada! Ninguém nos quis, e eles, revestidos do melhor espírito missionário, vêm atenuar-nos o sofrimento... E atenuam, tanto! Caviar, marisco, vinho fino, isso é connosco; em casa, desenrascam uma sandes de queijo barato e uma "mini", choca!
Porque, isto, a fazer-se uma estatística, eu dizia-vos quem é que andava melhor alimentado, se as solteiras, se as casadas...
A gente queixa-se, pois, a gente queixa-se. A gente faz o que tem a fazer, desde que entre a comida, que entre bem, que entre muito, e que no fim, saciadas, possamos suspirar de alívio; nos entretantos, eles morrem duas vezes, de pena da nossa solidão, e de culpa pelo que pensam ter abandonado em casa, mas que, por justiça divina, deve estar a comer fora com algum senhor casado, da província, que deixou à míngua o material de casa, o qual, por sua vez...
Os homens, coitados, quem é que não sabe isto?, comem mal que se fartam, em casa; andam à míngua, morrem de fome (porque querem!): e com a fome deles enchemos nós a barriga. Nós, as desorientadas, as desencaminhadas, as pobrezinhas que não desencalharam, porque há mais moças que moços, sendo que muito moço prefere atracar-se ao homónimo, mistério que não se resolverá tão cedo! Nós, as coitadinhas, as que encalharam por azar do destino, da vida madrasta, jamais por escolha pessoal, jamais por indisponibilidade para lhes lavar a cueca com detergente para roupa delicada! Ninguém nos quis, e eles, revestidos do melhor espírito missionário, vêm atenuar-nos o sofrimento... E atenuam, tanto! Caviar, marisco, vinho fino, isso é connosco; em casa, desenrascam uma sandes de queijo barato e uma "mini", choca!
Porque, isto, a fazer-se uma estatística, eu dizia-vos quem é que andava melhor alimentado, se as solteiras, se as casadas...
A gente queixa-se, pois, a gente queixa-se. A gente faz o que tem a fazer, desde que entre a comida, que entre bem, que entre muito, e que no fim, saciadas, possamos suspirar de alívio; nos entretantos, eles morrem duas vezes, de pena da nossa solidão, e de culpa pelo que pensam ter abandonado em casa, mas que, por justiça divina, deve estar a comer fora com algum senhor casado, da província, que deixou à míngua o material de casa, o qual, por sua vez...
À míngua, 2
As mulheres queixam-se que os homens parece que estão necessariamente casados ou indisponíveis por razões óbvias de orientação. Desorientadas, amuam. Nós, homens, não. Porque não há tantas mulheres casadas como homens casados. Porque não haverá (as estatísticas não são claras – mas mais-coisa-menos-coisa…) tantas moças que gostam de moças como moços que gostam de moços. Eu peço desculpa – mas a única diferença que noto é no grau do queixume. Devo de estar a ver mal. É o que faz viver na província.
sábado, julho 09, 2005
Ser cool
Eu e a minha prima afastada costumamos dizer, nas nossas habituais conversas de café sobre filosofia pura, que, na próxima encarnação, queremos nascer no Brasil e cumulativamente ser gay, ou então nascer gay em qualquer sítio com estatuto. E sermos felizes, e cantarmos na rua e metermo-nos com os transeuntes e ter bom gosto e dizer piadinhas sexuais e arranjar um diferente gajo, todo disponível, todos os dias. E ser decoradoras ou cabeleireiras ou estilistas ou organizadoras de eventos. Assim.
Heterossexuais, não, nunca, em sítio algum, porque toda a gente sabe que gera inúmeros equívocos e é uma trabalheira.
Alternativamente, consideramos a hipótese de nascer very british. Porque os britânicos fascinam-nos.
E agora vem a parte delicada do texto:
- se os atentados de dia 7 tivessem ocorrido em Portugal, teríamos gritado, chorado, arrepiado cabelos... teríamos dito "oh meu Deus, oh meu Deus", como os nova-iorquinos, como os madrilenos, e teríamos corrido, dado empurrões, revelado emoções, transcendentemente, e transformado aquilo tudo num caos mil vezes pior.
Os britânicos, não, olharam para as câmaras de televisão, com um olhar entediado, e disseram, calma e friamente, "ouvimos um enorme barulho e pensámos que duas carruagens tivessem chocado"; "não sei dizer nada muito bem, vi o motorista com uma luz vermelha, e há por ali pessoas gravemente feridas, mas vocês devem saber mais do que eu"; "mantivemo-nos na carruagem à espera que a normalidade se restabelecesse": todos escavacados, cheios de sangue na cabeça e na roupa, acabados de sair de uma situação de evidente trauma, mas sem uma lágrima, como se tivessem apenas partido o salto do sapato.
Eu e a minha prima afastada pensamos, agora, na hipótese de, na próxima encarnação, pedirmos para nascer em Inglaterra, sim!, em alternativa ao Brasil, mas, e não querendo que isto seja pedir demais... se pudéssemos vir, de uma só virada, british, gay e psicanalistas.... seríamos quase o Elton John!
Títulos perfeitos (e imperfeitos)
Hoje é um dia memorável: o suplemento Actual, do jornal Expresso, destaca numa "breve", mas em página nobre, e, nessa página, em zona de primeira leitura, que um blog famosíssimo chegou ao fim.
Depois de ter lido exactamente o mesmo em 90% dos blogs por onde me passeei, nos últimos dias, quero confessar que nunca, nunca, nunca na minha vida li o dito, como não leio outros igualmente famosos. Porque os blogs, para mim, são como obras de arte: ou já conheço o autor e vou, voluntária, mesmo que não goste do título; ou não conheço, mas alguém de confiança sugere-me que deite o olho, apesar do título, e nesse caso vou, voluntária; ou o autor vem ter comigo e diz, "olha, vê lá se gostas disto", e eu também vou, e esqueço o título, ou então tem o melhor título do mundo, assim uma coisa mesmo boa, como, por exemplo, O Mundo Perfeito ou A Natureza do Mal...
Porque, ao titular-se uma obra, não se lhe chama "Zé Manel", mesmo que o Zé Manel seja a pérola dos protagonistas, chama-se-lhe, por exemplo, Hei-de Amar uma Pedra ou Que Farei Quando Tudo Arde?
Não entrei no Xupacabras durante séculos, porque achei que aquilo, com aquele nome, só podia ser pornográfico. Até que me foi recomendado e percebi que é dos melhores fotoblogs do mundo.
Como é que eu posso entrar num sítio chamado "Timóteo" ou "De repente"? Sem referências? Não posso.
Traíram a traição
Foto - Robert Doisneau, Um regard oblique, 1948
Se amasse duas mulheres, havia de ser um género de especialista em tuning ou corridas de obstáculos: mentia; manobrava; jogava; dissimulava; desviava; iludia; distraía; omitia, enredava; despistava; fingia.
Na perfeição!
Se amasse dois homens, também.
Quem ama no singular parece andar em contra-natura.
Na perfeição!
Se amasse dois homens, também.
Quem ama no singular parece andar em contra-natura.
sexta-feira, julho 08, 2005
Terra
Chegaste num dia simples, e o que éramos, e havíamos feito, era simples: voltaste de muitos quilómetros, trazias terra nas botas e na roupa, porque te perderas pelo caminho; bateste, entraste, e eu deixei; livraste-te das palavras que retinhas - não eram necessárias, mas tinhas de as soltar, porque eu queria-as, e eu é que mandava no melhor de ti -, sentaste-te à minha mesa, falaste a minha língua, meteste-te na minha cama, fizeste comigo o que te apeteceu, e eu deixei, porque eu escolhia, e fiz o que quis, porque tu não escolhias, e depois, foi simples, na porção mais húmida, mais fértil de toda a minha terra, ficaste. E eu deixei. Simples.
À míngua
Eu e a minha prima afastada, em debate filosófico de café, reduzimos toda uma profunda discussão existencial à seguinte conclusão: ansiamos por ser actrizes de primeira escolha em Hollywood (ou em qualquer lado), porque, no que respeita aos actores com quem nos for dado contracenar, também queremos papá-los a todos.
quarta-feira, julho 06, 2005
Capricho
Eu também queria ser um fenómeno de mulher, e que o meu nome tivesse duas consoantes, e tirar fotografias para a Playboy, toda nuazinha, só com um véu. Ou então toda tapada com uns saltos altos e uma bracelete de pérolas.
E eu também queria uma pose como a da Demi Moore, há 15 anos, mas nas mãos seguraria um braçado de rosas, como a Santa Isabela, a do rei D. Dinis, aquela desgraçada que foi parar a Coimbra, a dos pães.
Os iguais nas suas diferenças
Moving to the speed of life, we are bound to collide with each other.
(Se nos movermos à velocidade da vida, estamos destinados a chocar uns com os outros.)
(Se nos movermos à velocidade da vida, estamos destinados a chocar uns com os outros.)
Orientação II
Uma boa forma de descobrir qual a estrada certa, consiste em iniciar o percurso pela errada.
Orientação III
Por vezes, julgando percorrer uma estrada errada, descobrimos que serve lindamente. Uma alternativa pode encurtar distâncias. Também pode ser mais longa. Mas desde que vá lá ter...
Orientação IV
As estradas não são certas nem erradas.
As nossas estradas erradas são estradas certas para outros.
As nossas estradas erradas são estradas certas para outros.
terça-feira, julho 05, 2005
Os poemas
O amor é feito de tudo menos de concessões. Os poemas de amor escrevem-se quando o amor deixou de ser em nós uma urgência, um movimento irreprimível na direcção do outro. Os poemas de amor são defesas de carneiro mal morto, ou são, tantas vezes, a cicatriz que curou deficientemente de qualquer coisa grande que se perdeu ou que, mais rigorosamente, não soubemos ganhar. O amor é o ramo de flores das relações mal resolvidas, daquelas de que se diz «mas ele ainda me ama». Não se ama «ainda». Ama-se. Sem poemas, sem flores, avançando a dois sem perguntas – apenas estendendo as mãos, olhando os declives e estendendo as mãos. Os verdadeiros amantes não perguntam e refodem-se com lamentos, com desculpas, com promessas. A verdadeira promessa é o amor. Sem concessões, sem versos contados pelos dedos.
segunda-feira, julho 04, 2005
domingo, julho 03, 2005
Segurança rododiária
Foto - Bruce Dale, New Mexico, 1991
Descansar de duas em duas horas, mas viver cada caminho até ao fim.
"Tão frágil como o mundo"
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, julho 02, 2005
Como se fugisses
É então que gritas
como se sentisses
que já era tarde,
que o fogo é já muito
e o muito é metade,
que o corpo é que arde
contra a claridade
e aí se consome
Como se fugisses
ou tivesses fome
É então que gritas
como se soubesses
que já era tarde,
que o corpo que desses
não te pertencia
e que só um grito
to devolveria
É então que ficas
como se fugisses
aos teus próprios medos,
desatando o anel
que me sufocava,
deixando na pele
as marcas dos dedos
Como se ficasses,
como se fugisses
E então regressasses
E enfim desistisses
como se sentisses
que já era tarde,
que o fogo é já muito
e o muito é metade,
que o corpo é que arde
contra a claridade
e aí se consome
Como se fugisses
ou tivesses fome
É então que gritas
como se soubesses
que já era tarde,
que o corpo que desses
não te pertencia
e que só um grito
to devolveria
É então que ficas
como se fugisses
aos teus próprios medos,
desatando o anel
que me sufocava,
deixando na pele
as marcas dos dedos
Como se ficasses,
como se fugisses
E então regressasses
E enfim desistisses
sexta-feira, julho 01, 2005
Intervalo
Às vezes era como se fosse só um jogo. Não dávamos importância, parávamos por instantes, ficávamos, partíamos de novo. Mas um dia descobrimos que a vida, afinal, era só isso, a soma desses jogos. Se tropeçássemos, se caíssemos, dizíamos apenas «oh, uma ferida nos joelhos». Como se no dia seguinte, ou alguns dias depois, não houvesse já vestígios da queda. Mas não: cada uma dessas feridas ficava para sempre a queimar por dentro – só agora o sabemos, tão tarde aprendemos...
Ainda a verdade (e só a verdade)
Detesto quando as minhas fotografias andam no ciberespaço. Sobretudo quando não me fazem justiça. Ao menos pedissem-me que retirasse os cebolos da frente, para que as leitoras soubessem para onde estava a olhar a Isabela, e por que razão compunha aquele olharzinho tão angelical e daimoso simultaneamente a remirar-me as partes.
[Perdão: aquando do retrato já estava abotoado, agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital.]
[Perdão: aquando do retrato já estava abotoado, agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital.]
C. B. e Isabela: a verdade II
Não vale a pena continuarmos a esconder-nos atrás da máscara do anonimato. Isto, mais tarde ou mais cedo, vinha-se a saber. Aqui está: C. Barroso e Isabela após arrancaralhos, digo, arrancar alhos.
A verdade é esta: sou a madre superiora de um convento cujo nome não divulgarei, isto para não ser incomodada com buzinadelas ao portão, e ditos do género, "Ó Isabela, queres que te arranje a panela?" Haja juízo! Respeitinho.
Quem nos trata da hortaliça é o senhor Barroso. É um excelente hortelão. Ele rasga a terra com os instrumentos adequados. Ele semeia. Ele poda. Ele colhe. Agora deve andar de volta dos legumes. Um momentinho...
- Irmã Inocência das Dores, viu o senhor Barroso? Ah, pois... ! Vá com Deus, Irmã: não se esqueça das vésperas.
Parece que o senhor Barroso anda ali a regar os grelos. Temos grelos de toda a qualidade; de couve, de nabo... temos nabiças. E o senhor Barroso é incansável, todos os dias nos rega os grelos e vai observando a fruta, a ver quando se pode comer. É um bocadinho abrutalhado, às vezes deita-lhe muito a mão: apalpa demais - e a fruta ressente-se, fica tocada. Os pêssegos, por exemplo. Não se apalpa um pêssego de qualque maneira.
Seja como for, é quem nos vale, o senhor Barroso. Nunca estivemos tão bem servidas.
A verdade é esta: sou a madre superiora de um convento cujo nome não divulgarei, isto para não ser incomodada com buzinadelas ao portão, e ditos do género, "Ó Isabela, queres que te arranje a panela?" Haja juízo! Respeitinho.
Quem nos trata da hortaliça é o senhor Barroso. É um excelente hortelão. Ele rasga a terra com os instrumentos adequados. Ele semeia. Ele poda. Ele colhe. Agora deve andar de volta dos legumes. Um momentinho...
- Irmã Inocência das Dores, viu o senhor Barroso? Ah, pois... ! Vá com Deus, Irmã: não se esqueça das vésperas.
Parece que o senhor Barroso anda ali a regar os grelos. Temos grelos de toda a qualidade; de couve, de nabo... temos nabiças. E o senhor Barroso é incansável, todos os dias nos rega os grelos e vai observando a fruta, a ver quando se pode comer. É um bocadinho abrutalhado, às vezes deita-lhe muito a mão: apalpa demais - e a fruta ressente-se, fica tocada. Os pêssegos, por exemplo. Não se apalpa um pêssego de qualque maneira.
Seja como for, é quem nos vale, o senhor Barroso. Nunca estivemos tão bem servidas.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...


































