sexta-feira, maio 30, 2008

Os blogues interactivos

Do que eu precisava mesmo era de uma tira com um padrão qualquer colorido e giro para entalar no layout, entre o título do blogue a caligrafia, e a descrição friendly. Uma tira comprida, com um centímetro e meio, ou dois. Uma coisa gira. E que ma mandassem para o email para eu escolher. E aproveito para lembrar que também está ali um cãozinho para adoptar
Quanto à limpeza da casa e outros assuntos chatos, deixem estar que trato disso.

quinta-feira, maio 29, 2008

O amor eterno

Amou-a 20 anos em silêncio, mas um dia ela pronunciou "lábios", "mijo" e "lixo" numa mesma frase. Ele não gostou. Pareceu-lhe porco, pareceu-lhe vil, injusto. Que mulher horrenda, que desperdício de sentimento. E em 20 minutos desamou-a. Que digo eu? Em 20 segundos desamou-a para sempre. Respirou fundo e retomou a vida.
Sim, o amor é cego, mas quando vê, oh, meu Deus, quando começa a ver...

quarta-feira, maio 28, 2008

A inocência

(clicar para aumentar imagem)

No café do bairro, um miúdo da vizinhança, seis anos, equilibrava-se entre dois suportes de chapéus de sol, com uma pata sobre cada um. Os objectos eram de plástico, pouco pesados, portanto inseguros, pelo que balançavam largamente sob o seu peso. Imaginei o garoto estatelado no passeio, e, ao passar por ele, disse-lhe, maternal, tem cuidado, olha que assim vais cair!
Não me respondeu. Continuou. Está bem. Sabemos como é. Fomos miúdos e também não quisemos saber. Deixa-o. Enquanto me afastava, escutei a seguinte versão daquilo a que chamarei música ligeira, que o pirralho me dedicava, pó caralho, pó caralho, pó caralho, pó caralho.
O pai deixou-se estar a ler o jornal desportivo na mesa da esplanada.

terça-feira, maio 27, 2008

Pobreza

Foto: Tom Stoddard, Sudão, 1998


Tenho um pc velho, um fio de ouro que me ofereceram quando nasci, não sei quantos avos da casa da minha mãe, herdados após a morte do meu pai. Muitos livros e cd's, alguma mobília comprada em segunda mão, ou literalmente trazida do lixo e reciclada. Um carro avariado estacionado à porta. Noventa molas de roupa.
Não ganho bem, mas podia ser pior; consigo viver, tirar férias uma vez por ano. Curtas, mas férias. Tenho uma vida bastante confortável.
No meu bairro conheço vizinhos atulhados de bem materiais, com consumos muitíssimo elevados, que se sentem pobres. Dizem eles lá em baixo. Mas eu não preciso do écran plasma nem de uma bimby nem de nada dessas coisas.
Tenho sempre muita dificuldade em compreender como é que a maior parte das pessoas consegue comprar coisas tão caras. Os carros, para mim, são um mistério. Como é que com ordenados de mil euros se pagam carros de 40 mil e apartamentos de 80 mil? Juro que não percebo. Jogam no Euromilhões e ganham? Os pais dão-lho? Têm negócios paralelos? A vida de alguma pessoas parece-me financeiramente fácil demais para as profissões que lhes conheço.

Para as pessoas ricas, eu sou pobre. Contudo, sinto-me rica de uma outra ideia de riqueza, que é, afinal, a única que concebo, que sei viver. Não preciso de uma piscina minha. Há a do INATEL na Costa da Caparica. Gostava muito de ter uma estufa de flores ou um bocadinho de terra para plantar. Plantei batatas greladas num recipiente de plástico que antes acondicionou fruta do supermercado, ou legumes, e ali estão elas com uma ramagem linda. É provável que tenha criado uma batateira-bonsai. Tenho muita sorte com flores e plantas, de forma geral, e isso faz-me feliz. Uma parte qualquer do meu corpo aguenta a vida, promove-a.
Continuo a dar tudo para poder atirar-me para cima da cama com um bom livro. Tenho as minhas cadelas. Morena, sai de baixo da cama! Micas, que é isso que trazes nos dentes? Qualquer dia, um batalhão de filhos. Já os estou a ver ali a virar a esquina. Mariazinha, Joãozinho, não se atirem pela janela, queridos!
A pobreza, não desfazendo de situações reais de pobreza-pobreza, é um estado muito relativo, e, em Portugal, bastas vezes mental.
Pode ser que ainda venha a ter uma estufa, mais dia, menos dia.
Mariazinha, não arranques as orquídeas à mãe! Morena, não comas a terra dos vasos!

segunda-feira, maio 26, 2008

Riqueza

Tenho exactamente 90 molas de roupa. Estive a contá-las ontem. O cesto da molas caiu-me ao chão e contei-as de rabo para o ar, enquanto aproveitava para juntar, com as mãos, uns restinhos de lixo que me escaparam à varridela. Três estavam estragadas, em metades inúteis, partidas. Reparei-as. Eram 87, fiquei com 90. Noventa molas! Tenho muito mais do que aquelas que preciso. Se quisesse podia metê-las no banco e viver dos juros. Podia investir para aí 50 molas em acções das energias renováveis. Podia oferecer meia dúzia à minha vizinha do lado, mas talvez ela achasse pouco. O melhor é guardar as minhas molas muito guardadinhas no cesto das molas e ficar toda contente por saber que tenho muito mais do que preciso.

domingo, maio 25, 2008

A beleza

Foto de Mehemed Fehmy Agha, Manequim e Escultura, EUA, 1940


É preciso ver que a beleza não acaba no que nos foi ensinado sobre a beleza. A maior parte do que nos disseram ser belo transformou-se num lugar comum que não aquece nem arrefece, melhor, que não gera criação, exceptuando um ou dois casos clássicos e irrefutáveis.
A beleza está muitas vezes, e cada vez mais, no que nos disseram ser horrível ou evitável.
A beleza muda. Andamos sempre à procura da gruta em que se esconde, agora. Por onde pára a beleza nestes dias? A beleza agora já pode ser feia?

Mas, claro, para aí chegar convém trazer sempre, desde cedo, pelo menos dois pares de óculos, e adaptá-los às condições de navegação.

sábado, maio 24, 2008

Até ao fim de uma terra qualquer

Aeroporto de Lourenço Marques (anos 60/70)


Na noite já longa, lá fora, homens cavalgando camelos aproximam-se do avião para prestar assistência técnica. Vejo-os passando sob a asa. Alguns, param.
É uma imagem invulgar, portanto estranha. É noite, e uma noite especialmente só. A primeira noite em que ninguém me mandou apagar a luz, e em que me encaminho para a mulher que escreve estas palavras. A mesma mulher, ainda menina, o mesmo cabelo e os olhos claros vazados pela miopia, as mãos com muitas linhas, as pernas gordas nas coxas, que continuam a rasgar as calças exactamente no mesmo sítio. A mesma pessoa, como poderei explicar isto melhor: a mesma pessoa.

Esta memória permanece tão fresca, que podia ter sido ontem à noite.
Na noite, as formas lentas, claras dos camelos encimados por homens de turbante. A toda a volta, uma escuridão apocalíptica. Nem uma luz. Foi há 33 anos.

É o aeroporto de Dakar. Acabámos de fazer escala no Senegal por imperativos técnicos. Não saímos do avião, não podemos levantar-nos nem desapertar os cintos de segurança.
Lembro-me que é o Senegal porque na altura pensei, é o sítio de onde vem a margarina. Havia uma margarina muito boa do Senegal e barravamo-la no pão. Em Lourenço Marques. Margarina do Senegal. Não me lembro se fizemos escala em Joanesburgo ou em Luanda. Se calhar fizemos. Só me lembro da margarina do Senegal, e dos homens de turbante sobre camelos, rodeados pela mais funda escuridão.

Digo à hospedeira que preciso de procurar o anel de esmeraldas da minha madrinha, um que trazia, que me caiu dos dedos, que não dei por nada, que deve ter rolado para trás, ou para a frente. Diz-me que não posso levantar-me. Estou desesperada, é um anel de esmeraldas, não me pertence, tenho de o entregar a alguém, depois, não sei quando, está-me largo, caiu, preciso de me levantar e de o procurar. Ela diz-me que não. Só quando chegarmos a Lisboa. Que tenha paciência.

A forma como olhámos para as nossas mãos aos 10 anos, e a forma como olhamos para elas, agora, estou a olhar para as minhas mãos agora, não muda. As mesmas mãos. Como puderam envelhecer e ser ainda as mesmas? As unhas iguais. Os nós. Os mesmos olhos. O mesmo pensamento, quando olhamos, com os mesmos olhos, as mesma mãos.
Reacções iguais perante os acontecimentos, a expressão dos sentimentos, como a alegria, mas sobretudo o medo, não mudam relevantemente ao longo do tempo. A partir de certa idade, muito cedo na infância, já somos nós, o que há-de perseguir-nos sempre.

Não me lembro de sobrevoar Lourenço Marques, a baía. Não guardei essa imagem. Às vezes vou ao Google Earth para ter uma ideia, mas é algo completamente novo. Aquela cidade vista do céu já não é Lourenço Marques, e eu não posso ter qualquer memória da cidade vista de cima. Tento encontrar lugares que não estão lá. Que não reconheço.

Já era muito crescida. Eu pensava que era muito crescida, e na viagem para Lisboa confirmaram-mo. Anunciaram-me poucos dias antes que tomaria conta de irmãs gémeas uns anos mais novas, as quais não conhecia e que nunca mais encontrei na vida. Não sei como se chamavam, se eram louras, altas, como se vestiam, de quem eram filhas, onde viviam e para onde foram viver, nada. Eram umas miúdas, pessoas que ali se atravessavam na minha vida sem qualquer consequência: cabia-me mantê-las no lugar, e dar-lhes segurança. Iam do lado da janela, e ao meio, comigo na coxia, por isso não vi a baía de Lourenço Marques, ou talvez estivéssemos do lado errado do avião.

Quando partimos, muito ao final da tarde, Lourenço Marques ficou para trás do pôr-do sol, muito doce, muito madura, mas já longe quando levantámos; era o lugar onde nunca voltaria; eu sabia; agora tinha de me preparar para ser uma mulher, começar uma vida nova, fazer tudo bem, tudo certo. Sabia que era difícil. Que estava marcada onde não se podia ver, e também não sabia como tinha acontecido nem porquê. Mas sabia-o sem palavras, sem grande vontade. Sei-o, porque reconheço o meu pensamento seguindo pelos mesmos caminhos, enformado nos mesmos moldes. Porque sou a mesma. Lembro-me de como pensava. Era assim. Todos podem testemunhar. Já estou aqui, contudo ainda estou lá, e não sei se interessa sair, o que interessa isso? Na verdade, todo o passado, presente e futuro ali se fundiram, naquela viagem, e eu só posso falar usando as palavras de fronteira, de transição, manchadas, duais que aí se formaram.


Aeroporto do Maputo (imagem Google Earth)

No aeroporto de Lourenço Marques, nos momentos que antecederam a entrada para a alfândega, lembro-me de uma porta de vidro. Quando se atravessava, não tinha regresso.
Via os que tinham entrado, já distribuídos por filas.
Tínhamos chegado tarde, porque o meu pai esquecera-se do anel da minha madrinha, o que perdi no avião, e era agora preciso cumprimentar todos aqueles brancos que se foram despedir da filha do electricista, levando recados, cartas, pequenas encomendas que eu deveria encaixar na bagagem de mão, avisos sobre como deveria contar tudo na Metrópole, tudo o que nos têm feito, diz que perdemos tudo, que o dinheiro não vale nada, que não há que comer, que mataram os Monteiros, que a filha do Sousa, mais o marido, estão presos, conta que estamos quase a ir.

Mas, agora, vai, depois lá nos encontraremos e falaremos. A gente vai a seguir. Agora vai que já é tarde, vai, vai, e agora, neste instante em que tudo está perdido, em que já não há volta, em que entro por essa porta de vidro, após os beijos formais, um sentimento estranho que não consigo controlar, um vazio, nunca mais vou voltar, uma coisa que se perde, um vazio, e esse amor tão escondido, tão evidente pelo meu pai, que me projecta para os seus braços, contra a minha vontade, como uma bala que o atravessa e o torna exangue, eu chorando a fio, não conseguindo largar o seu corpo, e os seus braços enormes, o seu corpo enorme, as suas mãos enormes, a sua carne enorme que beijo, que não quero largar. E volto atrás, chorando a fio, abraçada a qualquer parte desse corpo sagrado, chorando, chorando-o, arranhando-o de amor, como se o mundo acabasse ali, e, oh, acabava, depois a minha mãe, que me sacudia, envergonhada, ela, e eu estava envergonhada, tanta gente, não chores, filha, olha as pessoas, não chores, filha, agora vai que já é tarde, e o corpo doce, doce, ácido, suado do meu pai, o corpo querido do meu pai, a camisa branca e doce, ácida, suada, encharcada das lágrimas que eu não percebia nem controlava. E agora vai, agora vai, e atirou-me para dentro da porta de vidro, ao colo atirou-me para dentro da porta de vidro, e eu voltei-me e vi o seu rosto contrito, do outro lado já, as suas duas mãos inteiras espalmadas contra o vidro. As duas mãos iguais às minhas mãos. Estas, de carne, que agora escrevem esta frase. As mesmas.

quinta-feira, maio 22, 2008

O Corpo de Deus

Foto Tomatello (Malea)

Oh, mãe, que feriado é este hoje?
Hoje é um feriado muito importante! Antigamente, neste dia, fazíamos farnéis e íamos todos para Chiqueda, para os Olhos de Água.
Porquê?
Juntávamo-nos todos e comíamos, bebíamos, conversávamos, molhávamos os pés na água que nascia nas pedras. Era uma alegria.
Era uma nascente perto de Alcobaça? Eram as termas?
Não, as termas são para o lado da Nazaré, aquilo era para os lados de Chiqueda; já lá fomos contigo uma vez, quando o teu pai ainda era vivo. Agora já não é o mesmo. Antigamente era campo, só campo. Íamos a pé, todos em grupo. Da Rua do Castelo lá ainda era um estirão. A água vinha das pedras, víamo-la brotar, fresquinha. Antigamente, nesta altura, já era Verão, não era este tempo de chuva.
Sim, é verdade, fui lá convosco e com o primo, e era um rego de água suja. Mas lembras-te de ser a nascente de um rio, de um afluente?
Não sei. Era uma mina. A água nascia no meio das pedras.
Se era um feriado religioso, por que iam para o campo?
Era muito respeitado. Nesse dia não se fazia nada, como na sexta-feira santa. Nesse dia nem os passarinhos iam aos ninhos.
Nem os passarinhos iam aos ninhos?!
Não iam aos ninhos. Os passarinhos não davam comida aos filhos acabados de nascer.
Oh, mãe, coitadinhos dos passarinhos, isso não pode ser. Nem os passarinhos iam aos ninhos! As coisas que os padres vos metiam na cabeça! Isso é que é um sacrilégio!
Não eram os padres, eram as pessoas, dizia-se. A tua avó tinha experiência. Olha que num dia de corpo de Deus andou a apanhar favas para ao dia seguinte vender na praça; apanhou uma sacada cheia, fava linda, fresca, daquela que ainda não enegreceu no olho. No dia seguinte, quando foi para vendê-la na praça, estava toda negra, como nódoas.
Se calhar porque enegreceram naturalmente...
Não, a tua avó sabia; tinha muita fé. Isto nunca lhe tinha acontecido, e ela fazia-o muitas vezes.
Mas eu não percebo o que é isso do feriado do corpo de Deus.
É o corpo de Deus.
Oh, mãe, mas que corpo de Deus? O que quer isso dizer?
...
É o corpo de Jesus? De Cristo?
Sim.
É o corpo do Cristo morto?
Sim. Há terras onde fazem procissões muito bonitas. Olha, nos Açores...
Mas procissões com o corpo de Cristo deitado morto?
Sim, o corpo de Cristo. Cristo não morreu na cruz?!
Ok.
...
Mas significa o quê? Que Cristo foi ter com o Pai e se tornou Deus juntamente com ele?
Não sei, era uma data muito sagrada, muito respeitada. É o Corpo de Deus.
Mãe, vocês antigamente não procuravam compreender os motivos das coisas em que acreditavam? Não perguntavam?
Não. Toda a gente acreditava. Não se perguntava nada. Era tradição. Acreditava-se e pronto. Não interessa saber os motivos. O que conta é acreditar.

Ninguém lê o que escrevo

e esse é o maior consolo.

Sofrimento

Havia a Matrix, um programa que alguém tinha inventado. Dentro da Matrix todos pensavam o que a Matrix queria. Uns eram felizes, outros infelizes para que os felizes se sentissem felizes. Dentro da Matrix, havia os trabalhadores e os preguiçosos, e as associações que apoiavam os preguiçosos e tentavam adaptá-los, reinseri-los a bem na Matriz, para que os felizes se sentissem felizes.
A Matrix tinha um erro, um sequência de zeros e de uns que ninguém conseguia resolver: era o raio da alma. Parecia resolvido, mas a alma era de uma fragilidade tão sentida, tão indiscutível, que rebentava as sequências de algarismos, como uma carga de peixe vivo e prateado enrolada numa rede de algodão fino, e de imediato procurava o espírito, sua casa, de onde era difícil fazê-la sair. Assim, alguns indivíduos escapavam temporariamente ao extraordinário poder do programa, e a Matrix podia contemplar as suas falhas, embora estivesse programada para as ver como falhas alheias. A Matrix era a ordem. A certeza.
Aos que não conseguiam levantar-se cedo da cama, chamavam preguiçosos que recusavam trabalhar para explorar o esforço alheio.
Do homem que atravessou nu a maior artéria da cidade, segurando um gatinho, à procura do rio, disseram que se ia matar, e impediram-no. Fora da Matrix, era nítido que o homem corria para se salvar.

Gentileza

Não gostava dela porque não era gentil. Podia ser um génio. Que tivesse escrito os mais belos poemas do distrito de Leiria e descoberto uma nova variedade de orquídeas, mas não era gentil, e para me olhar ao espelho, podia muito bem fazê-lo em casa.

terça-feira, maio 20, 2008

Segurando nos braços

No outro dia disse à minha mãe que gostava era de casar com o Zé Maria do Big Brother, porque é bom rapaz, simpático e humilde, para além de que acho aquele episódio da tentativa de suicídio, ele todo nu, atravessando a 24 de Julho agarrado a um gato-bebé, pronto para se atirar ao rio, sem saber porquê, porque sim, segurando nos braços o que há de mais puro e inocente, de uma beleza trágica, clássica, que me comove indescritivelmente.
A minha mãe respondeu, "olha, que dois malucos, havia de ser lindo!"

A semana passada, uma colega da linha de montagem, a meio da conversa que não vem ao caso, levantou-se, e disse-me seriamente, embora com uma cara sorridente, desculpa, Isabela, mas isto hoje só me parece uma casa de malucos".

A minha prima afastada é todos os dias. Não bates bem da bola. Não tens os parafusos todos. Falta-te óleo na engrenagem.

Quando páro a olhar para o meu blogue, de fora, às vezes penso, Isabela... o que estava certo era casares com o Zé Maria do Big Brother.

O que a Morena vê quando está debaixo da cama

Foto de William Eggleston, do álbum Fourteen Pictures


Menos os sapatos de homem e aquele objecto de madeira, que parece um velho relógio, e também não tem carpete, graças a Deus, que é chãozinho de madeirinha nua.

Monólogo da maternidade



Podias ter vindo de dentro de mim.
Quase que cabes dentro da minha barriga.
(Muito encostadinha a mim, ligeiro movimento muscular pedindo-me que continue a massajar-lhe a barriga.)
Se tivesses nascido de mim... podia ter sido inseminação artificial... nascias pequenina como uma cachorrinha, como quando te vi, e vinhas toda embrulhada no meu líquido amniótico, e punham-te sobre o meu peito enquanto diziam, tem aqui uma bela menina, e eu beijava-te, e achava-te linda, embora fosses feiazita, atordoada e de olhos fechados, e havia de te chamar, logo, assim que olhasse para ti, Morena, a minha Moreninha. Moninha.
...
(Tremura, tipo coice, na perna esquerda, pedindo que continue a fazer-lhe festinhas.)
Não gosto menos de ti por não teres saído de mim, mas podias ter saído. Havia de ser bonito sermos do mesmo sangue, e isso.
...
É pena seres mijona, e carraçuda, e disfuncional! Por que não te portas bem como a Miquinhas? O que vais tu fazer para a obra para chegares de lá com as patas cheias de cimento? E chamei-te duas vezes, olhaste para mim e fizeste de conta que eu era uma parede. Antigamente não eras assim.
A Miquinhas é uma cadela normal, vem quando a chamo, e não se enfia debaixo da cama como tu. O que há de tão fascinante debaixo da cama, não me dizes?! Mesmo que a Miquinhas tenha a mania de trazer porcarias da rua, olha que ser mijona é bem pior.
(Ligeiro movimento de pernas a lembrar-me que continue a sessão de festas na barriga.)

segunda-feira, maio 19, 2008

Assuntos da actualidade III

Fumar um cigarro num local proibido, quando fomos nós a proibi-lo, pode configurar uma situação de imoral abuso de poder, a fazer lembrar atitudes próprias dos responsáveis pelos sistemas autoritários do passado, e do presente, mas grave, grave, e isso, sim, poderia tornar-se complicado, seria comprar um diploma e fazê-lo passar por uma situação normal e legítima. Isso aí é que...

Assuntos da actulidade II

Nereidinha

Chegou ao meu conhecimento, pela leitura de certos entretítulos no fait-divers semanal, que Cristiano Ronaldo prometeu ao seleccionador casar com com Nereida se conseguir atingir os seus objectivos no europeu de futebol. Não sei se tem a ver com número de golos ou mesmo com o sucesso total, ou seja, a taça de campeões europeus. Nereida está contente. Toda a família. Até eu, quando vi as mamas de Nereida na Imprensa, a semana passada, fiquei contente. A questão é, eu sei que as mamas, quero dizer, o amor vence todas as barreiras, e que Cristiano Ronaldo está febril de paixão, mas e se não cumpre os objectivos? Se não marca os golos que deseja, se não traz a taça, como fica o casamento? Será que Nereida já lho perguntou, ou não interessa nada, porque com casamento ou sem casamento o nome Ronaldo ajuda a vender nem que seja frigoríficos a esquimós?!

Assuntos da actulidade I

Fui apanhando umas aqui, outras ali, e cheguei esta semana à conclusão de que parece que vamos ter outro europeu de futebol. Acho que é no estrangeiro, porque é sempre no estrangeiro, mas não sei onde. A minha mãe disse-me, ao almoço, que vão fazer uma festa muita linda, no dia 1, quando eles partirem. Eles, deve estar a referir-se aos jogadores e técnicos da magnifica selecção nacional, e, pergunto eu, na minha santa ingenuidade, não houve um grande campeonato de futebol há dois anos, na Alemanha, se não estou em erro, que até lá foi a apaixonada Merche visitar o seu grande amor Ronaldo e tudo? Sim, mas agora é outro. A minha mãe sabe sempre tudo, porque tem o botão do comando encravado na TVI.
Devemos, portanto, preparar-nos todos para outro verão de grande consumo de cerveja e caracóis, associados à exibição da bandeira nacional em varandas e viaturas, gritos nos apartamentos da vizinhança e concentrações nocturnas de gente seminua na rotunda do Marquês. Lindo!

domingo, maio 18, 2008

O macho heterossexual

Foto Denis Marchaud

Homem jovem, sério, estudado, bem empregado numa multinacional. Casou cedo e tem a vida equilibrada; mulher executiva, magra, bonita, vestida com discrição e bom gosto, dois filhos, bons carros, cão, dog sitter sempre que passam férias no estrangeiro, reuniões periódicas com a família, vida stressante, compensada pelos prazeres de uma qualidade de vida média-alta. Tiveram os filhos tarde, por opção, pelo que puderem gozar longamente os prazeres da vida conjugal sem responsabilidades. Bom aluno, bom marido, bom pai. Às sextas, reunião com os colegas fora da empresa; umas cervejas descontraídas, sem paneleirices, antes de voltar a casa; discussões inflamadas sobre futebol, as estratégias dos treinadores, sempre sem solução à vista, risota, as gajas da empresa, as que têm marido e são boas, as que não têm e são boas, mas um gajo agora... prisão... elas até as mensagens do telemóvel nos lêem; bloqueia-as, pá, bloqueia, queres que eu te diga como é que isso se faz?; só se for o Raul, desde o divórcio faz o que quiser, arranjou um apartamento, mete lá quem quer; as taxas de juro de aplicações financeiras, e a ausência de perspectivas para um desenvolvimento da economia, a médio prazo, ou não, a longo; fait-divers: o car jacking, pá, o pior é um gajo resistir, deixá-los levar tudo, e meter bloqueadores do sistema, sai caro, mas... não, resistir, não, viram o que aconteceu à outra que estava casada com o fulano da televisão?! Não! É preciso saber fazer as coisas. Cabeça. E a gaja que é homem e está grávida, até foi ao programa da Oprah, diz que agora é gajo, tirou as mamas, mas deixou ficar o grelo, e está grávido, grávida, tu já viste o caraças?! Estamos lixados. E a cena do Ronaldo. Pá, que galo. E eram boas, os gajos, viste? Até eu caía. Quem é que não caía? O meu tio dizia que a mulher mais boa, mais boa que já viu na vida era um gajo. Isto certinho. Já ninguém distingue ninguém.
Risota. Sabia bem. Chegando a casa, despe o casaco, manda os miúdos para a cama. Apaga-lhes a luz. Beija a mulher, cansada da semana, deitada no sofá a ver qualquer coisa no Hollywood, linda, sempre. Pergunta-lhe, andaste a beber, já jantaste? Comi qualquer coisa com a malta. Petiscámos Não queres comer? Há salada fria com salmão. Não, deixa. Ainda vou trabalhar um bocado, e encaminha-se para o escritório. Trazes sempre que fazer, diz-lhe ela. Chega de trabalho, hoje é sexta.
Um momento de sossego, respira fundo, arregaça as mangas da camisa, recosta-se no assento da cadeira e verifica o e-mail. Nada de especial. Coisas que podem ficar para segunda. Olha para a porta, escuta lá fora os ruídos da televisão, conecta-se ao Man Hunt, entra no chat e escreve, Olá, 40 anos, 1,78m, 84Kg, magro, definido, não assumido procura não assumido, interessa a alguém?

sábado, maio 17, 2008

A essência do fogo

John Maeda, Traffic, 2002


Às vezes parava de ler e chorava. Era preciso chorar antes de recomeçar. Reler a mesma página, mas avançar apesar das lágrimas. A leitura era um experiência excessivamente forte. Só a música podia vergar-me com a mesma intensidade ao nada que eu era. A humanidade que criara a literatura e a música, não valia nada, era excremento. Como é que a beleza, a unicidade, a verdade, a essência do fogo poderia provir de uma criatura tão reles como o ser humano?

quinta-feira, maio 15, 2008

Dependências

Passo todos os dias frente a um antigo móvel de pau-preto que veio de casa da minha mãe. Um pequeno móvel com gavetas para uso diverso. Há uma cujo conteúdo conheço muito bem, mas que recuso abrir. Sinto a enorme tentação de o fazer, diria, uma pulsão, mas não o faço. Penso, e se abrisse, mas não abro. Posso abri-la. Ninguém me impede, ninguém vê, ninguém saberia. Contudo, jurei nunca mais abrir uma gaveta cheia de nada. Sou uma gaveto-dependente em recuperação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Nem à lei da bala


Não havia quartos individuais, só camaratas, e nós dissemos está bem. Deitei-me. Sete camas, mas não havia ninguém. Só nós. Era um velho amigo com quem já tinha dormido sem esperanças. Um amigo que se tinha deitado comigo por favor, quer dizer, por ser homem, e porque um homem nunca se nega, e porque os meus lábios tinham não sei quê que o deixavam perturbado, com boas hipóteses de ser mentira. Eu bem via as amantes que lhe iam passando pela mão. Isto sem favor para nenhuma das partes, eu tinha demasiada categoria para sua namorada, era demasiado bonita, demasiado sensível, demasiado esperançosa. Eu era uma mulher de quem era preciso gostar, e ele sabia disso.
Mas agora estávamos naquela situação, sendo que não nos encontrávamos há centenas de anos.
Não foi embaraçoso. Ele despiu-se e deitou-se. E eu pensei, bolas, isto vai dar molho.
Não me desagradou. Achei melhor ir à casa-de-banho. À cautela seria melhor fazer xi-xi, que isto, pá, uma mulher, é uma chatice.
Quando voltei, a camarata estava cheia de gente, e ele quase a dormir.
Abracei-o e pensei que também estava bem assim.

China Girl para tradução, por favor

Oh oh oh ohoo little china girl
Oh oh oh ohoo little china girl

I could escape this feeling, with my china girl
I feel a wreck without my, little china girl
I hear her heart beating, loud as thunder
Saw the stars crashing

Im a mess without my, little china girl
Wake up mornings wheres my, little china girl
I hear hearts beating, loud as thunder
I saw they stars crashing down

I feel an tragic like an marlon brando
When I look at my china girl
I could pretend that nothing really meant too much
When I look at my china girl

I stumble into town just like a sacred cow
Visions of swastikas in my head
Plans for everyone
Its in the white of my eyes

My little china girl
You shouldnt mess with me
Ill ruin everything you are
Ill give you television
Ill give you eyes of blue
Ill give you men who want to rule the world

And when I get excited
My little china girl says
Oh baby just you shut your mouth
She says ... sh
She says
She says

And when I get excited
My little china girl says
Oh baby just you shut your mouth
And when I get excited
My little china girl says
Oh baby just you shut your mouth
She says ... sh
She says

Oh oh oh ohoo little china girl
Oh oh oh ohoo little china girl
Oh oh oh ohoo little china girl
Oh oh oh ohoo little china girl
Oh oh oh ohoo little china girl

terça-feira, maio 13, 2008

Um coisa muito importante

Ontem a minha mãe disse-me, senta-te aqui, quero dizer-te uma coisa muito importante, e eu disse, está bem, e ela explicou, a próxima vez que formos comer fora há-de ser uma sardinhada, e eu disse, está descansada, e vim-me embora.
No próximo fim-de-semana a minha mãe quer ir almoçar fora.

A bola de Deus

Foto: Anónimo, Calling brave firemen to duty, 1925

Chego cansada, deito-me no sofá a ver um programa, sendo ainda dia, e penso, só para relaxar 10 minutos, e acordo à meia-noite. Ensonada, concluo, agora vou deitar-me porque tenho de me levantar cedo.
Sei em que sítio exacto de cada texto onde estão as dezenas de gralhas próprias de quem escreve sem olhar para o teclado, mas não tenho tempo nem vontade de as corrigir.
Tenho sede e como duas laranjas velhas, mas talvez fosse melhor beber um simples copo de água.
O amor antigo, era mesmo um amor vintage, caiu-me aos pés como a bola de vidro com que Deus jogava futebol, e estilhaçou-se-me toda na cara. Sorri. No meio das lacerações, fui obrigada a ser honesta, sempre era a bola de Deus.
A minha canção de amor preferida chama-se China Girl, mas não percebo o que dizem, porque o David Bowie fala muito mal inglês.

domingo, maio 11, 2008

Dos ficheiros anexos enviados por engano

Havia de ser poético eu chegar amanhã de manhã à fábrica e dizer à chefe da linha de montagem, desculpe, Maria Ermelinda, mas embora inicialmente eu tivesse negado a existência daquelas metas a atingir, aquelas que a gente sabe, e piscava-lhe o olho, admito agora a sua existência, sim, é verdade, disseminada por todas as filiais, sendo que foram divulgadas porque alguém as enviou por engano num inofensivo ficheiro informático anexo, não faço ideia quem. Erro humano. Um erro natural, que toda a gente comete.

Não sei que consequências teria na minha avaliação, mas se calhar não seria promovida com direito a operar numa máquina de parafusos mais moderna que a gente agora lá tem, que dando a ilusão que os faz mais direitos, na verdade apenas despacha mais unidades por minuto.

Profetas

Aos domingos, na minha rua, Testemunhas de Jeová impecavelmente vestidos, lavados, escanhoados, maquilhados, perfumados, passeiam-se para baixo e para cima com Bíblias camufladas em pastas de bom aspecto, e folhetos anunciando a salvação ou a perdição. Param para conversar uns com os outros, entabulando diálogos atravessados por o senhor Jeová é o caminho, só no senhor Jeová está a salvação do pecado. E vão prestando culto uns aos outros, pelos passeios. Quando os vejo caminhar na minha direcção, de olhos brilhantes na antecipação da presa fácil e luzidia: uma senhora simples, sorridente, parecendo desocupada, passeando os cãezinhos, só não lhes cruzo as voltas se não posso. Quando não há escapatória possível, aceito os folhetos coloridos com mensagens edificantes sobre os males do mundo, que não cabem lá todos, na sua indescritível vileza, e, sorrindo, pedindo mil desculpas, esquivo-me, afirmando que deixei os filhos sozinhos em casa, e consigo, às vezes até me dão raspanetes, que não devia deixar as crianças sozinhas, que devia deixá-las numa vizinha, por exemplo. A minha vida tem sido uma expiação de pecados que não cometi, mas que prefiro confessar, por parecer mal não os ter cometido.
Apesar destes tempos de grande perturbação moral, de grande confusão entre o mal e o bem, de profunda agressividade relativamente ao outro, encarado como intruso e nunca como portador de boas novas - pergunto-se se não terão sido assim todos os tempos?! - parecem-me particularmente corajosas estas pessoas, sobretudo os jovens rapazes e raparigas, e os velhotes, que abandonam o conforto do seu sofá, e dos seus afazeres, para caminharem pelas ruas interpelando transeuntes de má cara sobre a salvação e Deus, essa ideia em que ninguém acredita, que ninguém está disposta a pensar ou a ouvir. Essas pessoas que lutam contra a maré por uma ideia que para os outros não passa de uma palavra risível.



quinta-feira, maio 08, 2008

É tudo uma questão de organização

Os meus amigos vêm cá muito ao blogue, mas não é para comentarem, é só para lerem e depois me dizerem "não me convences com essa de que te adaptaste, e não sei quê; tu sempre foste assim...", e também aproveitam bastante para saber de mim, se estou bem, se constipada, se com muito trabalho ou uma grande neura; por conseguinte, aproveito para lhes deixar a seguinte mensagem: tudo bem, quando cá vêm aos fim-de-semana, mexam nos livros à vontade, nos cd's, nos dvd's, podem fazer pilhas no chão daqueles que querem ouvir, e espalhar os livros e dvd's pelos sofás, por categorias, aqueles que vos hei-de emprestar "já", e os que hão-de levar "depois", e mesmo as revistas, estejam à vontade, mas depois de fazerem a escolha voltem a meter tudo no lugarzinho, sobretudo os cd's e dvd's nas respectivas caixas, que hoje já é quinta-feira e eu ainda ando nesta sala a tropeçar em objectos de arte, e magoo-me nos pés.

quarta-feira, maio 07, 2008

Parto, e não voltarei

Foto de Tom Stoddart


Foto de Shehzad Noorani, Bangladesh


Foto Morris Berman, Helping Hands, USA

terça-feira, maio 06, 2008

Mensagem para o Banco Alimentar contra a Fome

Sou operária numa fábrica de parafusos, o ordenado é curto e lamento não ter podido ajudar. Faço compras no Minipreço e no Lidl de onde trago, por 40 euros, o dobro do que consigo comprar no Jumbo ou no Continente ou no Modelo.
Se montassem a vossa banquinha à porta dos supermercados baratos, onde se adquirem artigos não noticiados na televisão, entre outros, talvez alguns pobrezinhos que comem produtos de marca que não me chegam ao nariz - para guardarem o pouco que têm para tabaco e bejecas - pudessem comer produtos brancos, como eu, que sabem tão bem e são tão alimentícios e custam menos a quem dá.

sábado, maio 03, 2008

Os sinais do amor

Eu e a Morena estivemos ontem com insónias, e perguntei-lhe se me queria ajudar a comer um pacotinho de pinhões que sobrou do Natal. Tendo ela concordado, fui procurá-lo, metemo-nos entre os lencóis, muito encostadinhas, e fomos partilhando o saquinho. A Micas ouviu-nos tasquinhar e veio à cabeceira da cama exigir o seu quinhão. Ou bem que é para todas, ou não é para ninguém. E foi dois à Micas, dois à Morena, dois a mim.
Hoje de manhã, ao fazermos cama de lavadinho, descobrimos mais de 30 pinhões espalhados pelos lençóis, e debaixo das almofadas. Comemo-los directamente, enquanto lhes dizia, "eis a nossa cama manchada pelos sinais do amor".

quinta-feira, maio 01, 2008

Da poesia

"Vou escrever um poema sobre ti," disse eu a uma ave.
A ave respondeu, "As tuas palavras serão tão coloridas como as minhas asas?"
"Não," retorqui.
"As tuas palavras serão tão doces quanto a música da minha voz?"
"Não," voltei a responder.
"As tuas palavras poderão voar o voo das minhas asas?"
"Não."
"A minha vida estará nas tuas palavras?"
"Não."
"Como poderás então escrever um poema sobre mim?" perguntou-me a ave.
"Porque te amo," disse.
A ave exclamou, "O que tem o amor a ver com palavras?"

Versão minha de um poema em língua inglesa, de Harivansh Rai Bachchan, por sua vez traduzido do hindu, não faço a menor ideia de onde.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...