domingo, agosto 31, 2008

Caixas de comentários outra vez


As questões sobre as desvantagens das caixas de comentários voltam periodicamente à blogosfera.

Dá-se-lhes excessiva importância. Os comentadores são apenas pessoas com opinões, como as que encontramos no nosso emprego, por exemplo, e com as quais temos de lidar. Ou não temos. O Blogger permite-nos eliminar ou não publicar comentários com toda a democracia. Quando apago um comentário muito estúpido presto um belo serviço à humanidade, e não me fica a pesar na consciência. Não tenho nada a ideia que qualquer maluco está no direito de me entrar estrebuchando pela casa dentro. No entanto, considero que existe um grau de loucura aceitável, que me diverte ou que pelo menos não me chateia especialmente. Se isto não é democracia...
Admito que a decisão de fechar os comentários durante cerca de mês e meio me concedeu umas férias santas. Agendei a maior parte dos postes e fui para onde tinha de ir, descansadinha, deixando o blogue a trabalhar sozinho. Mas não é o meu estilo. Gosto de comentar nos blogues alheios, gosto que comentem no meu. Poupar-me às más experiências poupa-me igualmente às boas, para além de que detestaria viver numa redoma. Por esse motivo, acabadas as férias, os comentários voltam a estar abertos.


sábado, agosto 30, 2008

Quietinho aí!


Ontem fui ao
Minipreço. Ir ao Minipreço não é um acontecimento em si. Vou todas as semanas. Mas ontem havia uma novidade: um agente da polícia do lado de dentro, de costas viradas para a porta, vigiava o estabelecimento. Pude observá-lo bem enquanto estava na fila da caixa. Os alvos de atenção do polícia eram escolhidos segundo o sexo e a raça. As mulheres não lhe mereciam preocupação e os brancos muito menos. Portanto, eu poderia, se quisesse, ter praticado alguns pequenos crimes à vontade. No entanto, dois jovens negros e altos que entraram lestamente para comprar pão e leite, foram alvo de grande vigilância. Partir-se do princípio de que todos os jovens negros são potenciais assaltantes revela enorme ignorância, incultura e falta de educação. Aquilo a que chamamos racismo é isso tudo junto.
Enquanto o polícia ia vigiando os negros que entravam fui-lhe tirando a radiografia: era um homem dos seus trinta anos, simples, aparentando a escolaridade mínima para o cargo, com aquele aspecto policial que confunde autoridade com exercício arbitrário do poder. Não tinha um ar inteligente nem vivaz, mas podia mostrar-se curioso, atento, pronto, activo. Não. Estava ali aquela figura de corpo presente a vigiar clientes negros que acabavam de sair do trabalho, cansados, desejosos de chegar a casa. Não creio que aquele homem pudesse defender-se de dois ou três atacantes que o agarrassem (lembro que estava de costas para a porta!). A pequena arma encontrava-se tão bem embrulhada e fora de mão, tão inofensiva, que duvido que tivesse tempo de a empunhar antes de ser atingido com uma murraça nos queixos. Este agente é a imagem que nos é oferecida da polícia portuguesa. Agentes preguiçosos, indiferentes, cheios de preconceitos, destituídos de poder, incapazes de exercer a sua missão como seria desejável. Para mim, aquele polícia estava a pedi-las. Se tivesse entrado uma quadrilha no Minipreço, sei lá se me teria oferecido para ajudar a manietar o agente e ir-lhe sussurando ao ouvido, quietinho aí!

sexta-feira, agosto 29, 2008

Ninguém tem três mãos


Fico muito aborrecida nas rotundas, porque poucos condutores se dignam fazer sinais de luzes indicadores da direcção, vulgo piscas, mas talvez esteja a ser injusta. Se as pessoas estão ocupadíssimas fazendo a curva com uma mão e falando ao telemóvel com outra, com que mão posso eu exigir que accionem a alavanca dos piscas?

quarta-feira, agosto 27, 2008

Um país do caraças para se viver


O comportamento dos indivíduos raramente é individual. As pessoas agem por imitação. Fazem o mesmo que vêem os outros fazer, tendendo a integrar-se nos grupos. Esta tendência não vale apenas para a moda, para os hábitos de lazer, vocábulos e expressões que não sabemos de onde vêm, autocolantes nos carros, compra massiva de écrans plasma, seguros de saúde, determinadas marcas, práticas sexuais, etc., etc. Aplica-se igualmente à criminalidade. É exactamente o mesmo fenómeno que ocorre quando alguém resolve suicidar-se atirando-se da Ponte 25 de Abril. Nas semanas seguintes, centenas de pessoas tentam atirar-se de pontes. A mente e vontade humanas funcionam segundo a fórmula "se os outros conseguem, eu também consigo", "se é fácil para os outros, também é fácil para mim". E sejamos sinceros, pôr termo à vida é fácil. Assaltar seja quem for ou o que for, é fácil. Sempre me admirei com a forma como tudo funciona em Portugal sem vigilância, na boa. Como tem sido bom circular por todos os cantos desta terra sem a presença ostensiva das polícias. No que respeita a questões de segurança, isto tem sido um país do caraças para se viver! Estive há poucas semanas em Barcelona, onde a polícia é quase omnipresente, e devo dizer que embora isso possa garantir uma segurança eficaz, incomoda. Lembra-me que os jardins do paraíso podem explodir a qualquer momento. Ontem, por exemplo, senti-me pela primeira vez bastante insegura na estação de correios da minha área, e apenas porque havia um agente da PSP a guardar-lhe a porta, e não é que me pareça má ideia. As pessoas e instituições têm de se defender das pragas de gafanhotos.
Estou em crer que a vaga de assaltos se trata de um crime sazonal e por contágio. Não tem nada a ver com imigração, como certas falanges da direita tentam passar. A constante divulgação mediática de actos criminosos promove a ocorrência de crimes semelhantes. Enquanto as aberturas e "últimas horas" dos telejornais derem destaque a assaltos à mão armada a bombas de gasolina, correios, caixas multibanco e carros de alta cilindrada, a ocorrência anormal de crimes deste género continuará a dar-se.
É Verão, mas um mau Verão, a praia tem estado impossível, as noites excessivamente frescas, não há dinheiro para diversões, a malta está de férias, perdeu hábitos de leitura, perdeu os valores fundamentais que eram oferecidos pela educaçãozinha à antiga, nomeadamente não matarás, não roubarás, não desrespeitarás isto e mais aquilo... portanto, por que não sacar o dinheiro da bomba da Costa, pela adrenalina, para comprar umas pastilhas, uns ténis de marca, arranjar umas gajas, sair no Telejornal, man. Eu sei que isto é falar à velha. Se calhar estou a ficar velha.


segunda-feira, agosto 25, 2008

Sobre os avistamentos da Maddie



Este Verão, após a série de avistamentos de Maddie por todo o mundo, os quais se seguiram à retirada do estatuto de arguidos que recaía sobre os seus pais, resolveram estes dispensar a segunda equipa de investigadores privados altamente qualificados, por não ter conseguido apresentar quaisquer resultados sobre o paradeiro da menina, mesmo após tentativa de infiltração numa rede pedófila belga.

Devo dizer que o fenómeno "avistamento de Maddie" também a mim me aconteceu. Estas férias vi a criança uma data de vezes, loirinha, toda vestidinha de cor-de-rosa, tal e qual como nas fotos divulgadas: o mesmo corte de cabelo, coradinha e angelical, dizendo num inglês perfeito, onde está a mamã?, quero a mamã. À distância também me pareceu ter uma marca no olho, em alguns casos até duas - facto atribuível à minha alta miopia e respectivos fenómenos de ilusão óptica produzidos.
Sobretudo no Algarve, aconteceu-me todos os dias. Cheguei a vê-la em sítios distintos, com duas ou três horas de diferença, pela mão de diferentes raptores, provavelmente devido à mudança de turno. A maior parte das vezes, como estratégia de disfarce, já lhe tinham trocado o vestidinho, o chapéu e os sapatinhos. Mas era a mesma Maddie. Pareceu-me sempre tão bem integrada nos agregados de raptores, brincando com outras Maddies iguais a ela, que resolvi nunca informar a polícia nem o staff do Gerry, Kate e respectivo fundo, não fossem eles dizer, sim, é ela, é uma aparição da nossa Maddie. Sou pela felicidade das crianças.

sábado, agosto 23, 2008

A filosofia de baixo custo do autocarro aéreo



A Spanair declarou que o avião que na passada semana se despenhou no aeroporto de Madrid não apresentava problemas técnicos, tendo sido alvo de inspecção há oito meses. Com os aviões não sei, mas os automóveis, que para maior sossego, mesmo que ilusório, circulam com as rodas no chão, costumam ir à revisão de seis em seis meses, e há sempre qualquer coisa a precisar de substituição. São as velas, o filtro de óleo, a junta do carter, se é que isso existe...

Andei pela primeira vez de avião em 1971. Andar de avião, nessa época, era uma festa: mandávamos fazer roupa nova, íamos ao cabeleiro, às vezes até pintávamos a cara e as unhas, os amigos e conhecidos iam despedir-se de nós ao aeroporto, e a viagem compensava. As hospedeiras tratavam-nos com luxo, havia presentes para as crianças, sacos da companhia aérea para os adultos, rebuçados, bebidas e refeições gratuitas, e não me lembro de serem catering de terceira classe. Ao viajar de avião gozava-se a própria viagem. Ao longo dos anos 70 e 80 terei feito cerca de 40 viagens, todas internacionais de longo curso, em diversas companhias aéreas do mundo civilizado ou selvagem e nunca me ocorreu que um avião pudesse cair. Sim, podia acontecer, eventualmente, mas era coisa tão rara, e não haveria de ser comigo lá dentro! Por uma questão de lógica, partia do princípio que uma viagem de avião era algo bem preparado e que alguém velava para que tudo corresse muito bem, porque não se brinca com a vida de centenas de pessoas.
Um avião metia respeito. Era uma máquina grande e poderosa, e os pilotos, os deuses que a comandavam. Lembro-me de haver uma varanda no aeroporto da Portela de onde víamos os aparelhos levantar voo e aterrar. Quando entrava num avião, tinha a impressão, e creio não estar errada, que muita gente tinha andado de volta dele, verificando-o milimetricamente, preparando-o por dentro e por fora para a viagem a realizar. Hoje não. Hoje, os aviões nos quais viajo são uma espécie de autocarros de carreira. Tenho vindo a ganhar algum medo de me meter lá dentro. Passo a explicar.

Por questões relacionadas com a crise e etc., viajo quase só nas companhias de baixo custo, aquelas em que para se arranjar espaço para ler um tablóide é necessário dobrá-lo em quatro, nomeadamente a Easy Jet e a Vueling. Selecciono quase sempre voos a partir da hora de almoço, porque eu, de manhã, é mais caminha. Ora, o que verifico é que os aparelhos chegam ao destino A às 12:37 e partem para o destino B às 13:15. Chegando a B às 16:30, voltam a levantar voo para A ou para C às 17:22. Aterram em a A ou C às 19:45, de onde voltam a partir para B ou D às 20:38, e, sinceramente, pergunto-me, até um bocado a medo, quando parará o aparelho. A acumulação de viagens é tal, que se entrar num voo em Lisboa às 19:00, o que me acontece com frequência, encontro nos porta-revistas da minha fila, situados nas costas dos assentos da frente,e em grande confusão, periódicos de diversas origens. De vez em quando tenho a sorte de apanhar o El País e o The Guardian, por exemplo, mais uma qualquer revista francesa. Entretanto habituei-me a deixar os meus jornais e revistas portugueses para benefício dos passageiros seguintes. Tal abundância de periódicos, que ninguém se dá ao trabalho de recolher entre viagens, atesta a quantidade de viagens que o aparelho fez, e o cansaço da própria tripulação. Quer-me parecer que esta filosofia dos voos em série, e sem descanso da máquina, não garante grande segurança, mas o tempo o confirmará. Infelizmente, não sem tragédia.


Mão à palmatória


Para quem observa os outros calada, torna-se claro que os homens podem abarrotar de defeitos, mas não precisam de uma causa para se juntarem ou apoiarem mutuamente. Para o bem, e também para o mal, existe união entre eles. Por outro lado, a maior parte das mulheres mantém relações superficiais, encontra-se sempre pronta a conjurar contra as outras, raramente apresenta espírito de grupo, quer no trabalho, quer fora dele, guardando o melhor de si para os namorados e maridos, que frequentemente agradeceriam que os deixassem em paz. Muitas, muitas mulheres detestam-se entre si, competindo num salve-se quem puder próprio de uma situação de guerra. E é, sim, ainda, a guerra dos destituídos de poder, que se aliam ao próprio carrasco, contra o semelhante, para garantir a melhor sobrevivência possível.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Quanto ganham as mulheres?


Os homens portugueses ganham mais 25% do que as mulheres, realizando as mesmas tarefas. A notícia não constitui para mim qualquer novidade, mas faço questão que não passe em branco. É preciso lembrar que as mulheres têm muita luta para lutar antes de se afirmarem, um dia, iguais. A actual tendência para o apagamento das desigualdades, a negação dessa evidência, realizada pelas próprias mulheres, todas modernas, todas indiferentes às discriminações de que são alvo, tem contribuído bastante para uma regressão ao nível dos discursos e mentalidades.
Surpreendeu-me que esta diferença salarial, a nível europeu, fosse de quase 16 por cento. É excessivo para a realidade que julgava conhecer. Não se trata de mais uma questão portuguesa isolada no contexto europeu, mas de uma fragilidade, entre tantas outras, nomeadamente racistas e xenófobas das culturas europeias, e isso, claro, preocupa-me. Seria muito mais fácil lutar apenas contra as idiossincracias das culturas latinóides.


Na moda I


A palavra
inverdade.

Segundo o Ciberdúvidas, o vocábulo encontra-se registado em dois dicionários. De qualquer forma, a frequência com que o vejo usado em afirmações feitas à Imprensa, não passa de um eufemismo da moda. Penso que quem o usa julga suavizar o carácter falso do facto que nomeia. Ou seja, se eu disser, "os funcionários da ASAE são mentirosos" posso incorrer num processo judicial por difamação. Mas se apenas referir que "os funcionários da ASAE são inverdadeiros", limito-me a aludir à possibilidade de não estarem a dizer a verdade, o que não quer dizer que sejam mentirosos, não senhor. Escusado será dizer que detesto eufemismos.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Malgas de arroz


As cadelas comem ao final da tarde, numas boas malgas de cerâmica vidrada. A comida é quase sempre arroz ou massa com carne. O arroz é cozinhado com legumes ou azeite ou refogado, ou sem. A carne pode ser de frango, aparas mistas do talho ou uma pasta que vem em latas do Minipreço. Às vezes, sopa. Gostam.
A Morena come lambendo a malga com vagar. A Micas devora o jantar afogueadamente, esfocinhando e abocanhando. Quando acaba, prepara-se para roubar a parte lenta da Morena,e por isso estou sempre de atalaia. A Morena arrepia-lhe o focinho, mas, se está no fim, afasta-se e vai lamber a malga luzidia da companheira. É sempre assim. Os cães têm rotinas que nunca mudam.
No outro dia fui fazer um piquenique com as meninas. Levei mantas, e era minha intenção dormirmos uma bela sesta proletária, ao ar livre, mas não estiveram de acordo. Aproximavam-se do carro, emitiam gemidos que conheço bem. Queriam estender-se dentro do carro, que consideram um prolongamento da casa, ou seja, queriam vir dormir a sesta a casa. O desassossego foi tal que tive de as trazer de volta.
A Micas tem outro hábito muito engraçado: quando levanta a cabeça da malga de comida para descansar do afocinhamento, traz uma pirâmide de arroz com carne sobre o nariz. Rio-me sempre, e digo-lhe, esfomeada.

quarta-feira, agosto 20, 2008

O futebol e outros desportos menores


A
RTP 1 dedicou a primeira parte do Telejornal de ontem à enumeração dos gastos que o Estado português atribuiu à preparação de atletas olímpicos. Ficámos a saber que se gastaram 10 milhões de euros do OE, no total, e que um atleta de escalão 1, ou seja, medalhado, usufrui de 1250 euros por mês, enquanto os de escalão 2, apenas 1000; que os que pertencem ao escalão 3 ganham 750 euros e os do 4, qualificados, apenas 500, pouco mais que o ordenado mínimo. Não me parece muita fruta. Se pagassem ordenados destes aos futebolistas da selecção nacional gostava de ver se se davam ao trabalho de levantar uma perna.
Estou mesmo a ver que alguém se lembrou de pedir contas aos nossos atletas pela ausência de medalhas. Parece-me uma má ideia. Primeiro, porque o Estado português gasta mesmo muito pouco com a prática desportiva. Segundo, porque tirando um ou outro, os nossos atletas terão feito o que estava ao seu alcance. Terceiro, porque não consta que se ande aí a pedir contas à selecção nacional de futebol pelos péssimos resultados em competições importantes internacionais. A não ser que alguém julgue que o futebol, esse entretimento de pobres de espírito, valha mais que qualquer outra prática desportiva, ou que um jogador de futebol se encontre numa plataforma valorativa muito superior à do nadador, do judoca, etc. Mas estou em crer que ninguém pensa desta forma. Sou eu a especular outra vez.

terça-feira, agosto 19, 2008

Não estamos nos States nem queremos estar


Tiroteios com armas de canos serrados partindo de carros em movimento?! Vinganças entre gangues realizadas dentro dos respectivos domicílios, após tentativa de arrombamento de portas, e destruição de janelas?! Mortos e feridos?! O mês de Agosto tem-nos agraciado com uma bela amostra das armas que por aí andam à solta, na posse de quem não deveria ter acesso a uma faca de serrilha para cortar bifes, sequer.
Ah, então temos bairros problemáticos importando os modelos da máfia negra dos States?! Bem me parecia que tanta estética de gangue na roupa, na música e respectivos vídeos, na linguagem haveria de dar este lindo resultado. Os exemplos de violência nunca caem em saco roto. Os pais trabalham nas obras, as mães nas limpezas, as irmãs nas cozinhas, e os rapazes entretêm-se a serrar canos de espingardas. Para o bem e para o mal, não estamos nos States. Isto é uma terra maneirinha. Nova Iorque tem 19 milhões de habitantes, e percebo que seja difícil controlar tanta gente, mas a população inteira da Quinta do Mocho corresponde a 1/4 dos habitantes de qualquer rua nova-iorquina, portanto há-de ser possível policiar a zona, e, mais importante, mandar aquela gente tirar uns cursos nas Novas Oportunidades. Intervir social e profissionalmente. Quem tem tanto jeito para armas, há-de dar um bom serralheiro, um bom electricista, um bom atirador nas forças especiais.
É urgente perceber muito bem o que se anda a passar neste bairros de Loures. E agir depressa.
Sob o actual Governo, as franjas sociais tem andado ao Deus-dará. Ninguém se ocupa delas e espera-se que não dêem problemas, porque não há dinheiro para acções de intervenção. A bem da poupança, prevenindo para não ter que remediar, convém investir na promoção social dos cidadãos mais frágeis.


segunda-feira, agosto 18, 2008

O que eles dizem II


Sobre a sexualidade dos portugueses, em chegando Agosto:


"Enquanto o homem é como uma máquina simples que funciona ligando-se no botão on, a mulher é como um amplificador complicadíssimo, cheio de botões que estão ligados uns aos outros.
O homem, desde que esteja fisiologicamente bem, está sempre disponível e com desejo. A mulher é que não."

domingo, agosto 17, 2008

Gosto muito dos jogos olímpicos


Pedem-me que escreva sobre os Jogos Olímpicos. Não percebi se pretendem que me refira à participação portuguesa ou aos jogos em geral, mas enquanto leiga escolho tratar somente a questão da ausência de medalhas portuguesas.


Tenho esta ideia romântica de que em desporto não interessa apenas ganhar. Respeito as ligas dos últimos como as dos primeiros. Na maratona feminina corrida a madrugada passada, senti mais admiração pela teimosia da britânica Paula Radcliffe, que chegou a comandar o chase group, do que pelas maratonistas romena, queniana e chinesa que venceram os três primeiros lugares. A britânica chegou pouco à frente da concorrente portuguesa Marisa Barros, que ficou em 32º lugar, mas o grande esforço que despendeu fez dela um foco de atenção. Chegar ao final da prova, apesar de condições físicas muito adversas, é de uma dignidade que me impressiona. Lembro-me, há quatro anos, de uma concorrente que chegou ao final da mesma maratona caminhando com dificuldade, coxeando, arrastando uma perna, mas não me recordo de quem ganhou.
Por outro lado, confesso não compreender a afirmação de Marisa Barros ao revelar que chegou a estar ao lado de Paula Radcliffe, mas que teve de se controlar porque os últimos 500 metros podem ser muito dolorosos. Pois, isto do desporto tem esse problema, e é por isso que pratico mesmo muito pouco: é que às vezes dói um bocadinho. É preciso insistir, insistir, insistir. Era o que nos diziam antigamente nas aulas de ginástica, para tirar o pneu.

Quanto ao não apuramento de Obikwelu para a final de 100 metros, acontece. A mim também já me aconteceu não ficar apurada para aquilo que quero. E uma data de vezes. Além disso, Obikwelu tem lugar fixo no meu coração, enquanto que ao jamaicano vencedor não o conheço de lado nenhum, e para mais tem cara de ser gente pouco amistosa.
Não me incomoda particularmente que os portugueses venham de Pequim sem medalhas, que é o que vai acontecer. Nunca espero vitórias. Quando acontecem surpreendem-me. Prefiro não estar à espera, e ter surpresas, quando é o tempo.



sexta-feira, agosto 15, 2008

Very silly season


Alguns leitores(as) têm imensa vontade de me conhecer, o que é natural, e portanto, aqui deixo imagens actualizadas.

Eu e as minhas amigas, ontem à noite, vestidas para arrasar o Bairro Alto.


Eu e as minhas amigas, hoje à tarde, a caminho da praia, com roupa apropriada mas sapatos errados.

Fotos de Leonard Nimoy

quinta-feira, agosto 14, 2008

A guerra colonial conta-se nos cafés da Margem Sul


É manhã cedo de Verão. Estão na esplanada do meu café, em mesas diferentes. Um, sozinho com o jornal do dia. O outro sozinho com a mulher e o jornal do dia. A mulher permanece totalmente indiferente à conversa que se desenrola entre as duas mesas da esplanada.
São veteranos da Guerra Colonial. Estiveram na mesma zona da Guiné com poucos meses de diferença, já no início dos anos setenta, perto do fim. Conversam sobre as referências comuns.

Lembras-te da Aldeia Formosa? Havia um preto a quem chamávamos o Pelé.
Sim, um dos que andava connosco na milícia.
Não, este Pelé era um gajo de lá, um gajo que vendia coisas fora do acampamento, e sabia tudo.Tu estiveste em Aldeia Formosa numa altura em que eu ainda não tinha chegado. Tínhamos ali um belo acampamento de obuses. Três obuses à maneira. Quando soube que íamos mudar pensei... asneira. Havia entretimento: uma companhia de teatro e um grupo de coral que eu organizei entre os rapazes. 85% dos homens da minha companhia eram do Baixo Alentejo, como eu, conhecíamo-nos todos. Da minha aldeia só se safaram três à guerra.
A certa altura o capitão disse, a partir de agora não quero cá mais mortes; deixámos de nos aventurar e começámos a emboscar a 500 metros do acampamento. Fazíamos o trabalho logo ali, não nos metíamos no mato, e nunca mais morreu ninguém.
No acampamento havia só dois frigoríficos com cerveja fresca, os dois a funcionar a petróleo. Quando a cerveja acabava, bebíamos bagaço em copos de água. Copos cheios. Ri-se.
Um vez tive um problema bravo com um rapazito, um preto que era de lá, não dos nossos. Estava a comer pão com chouriça que a minha mãe me tinha mandado, e sem querer atirei a tripa para o chão, e aquilo foi parar em cima do pé do negro. Que problema! O preto era muçulmano e achava que eu tinha feito aquilo de propósito para o desonrar, a pele do porco, e meteu comandante e tudo.



quarta-feira, agosto 13, 2008

A tarde


Ao final de tarde, o sol projecta-se lasso contra o casario a oriente, branco, ocre e pardo; o estuário do Tejo perfeitamente azul, como nos outros dias, assim à distância, e as copas dos pinheiros mansos destacando-se bem verdes, segundo as regras do cenário perfeito.
Há silêncio pela casa toda, embora ouça o vento abanar os estores, os espanta-espíritos, a folga da porta.
Os pombos continuam a pousar no telhado dos prédios vizinhos, agora à sombra, e uma das minhas canas de bambu tem novos rebentos.
Tudo o que existe à minha volta está vivo e em paz.


terça-feira, agosto 12, 2008

Não agridam os vossos homens, por favor


Foto de Emmanuel Honold (exemplo de publicidade negativa para a marca Ecko)

Parece que estou sempre a esquecer-me que os homens também são vítimas de violência doméstica. Falha minha, realmente; 12 por cento das queixas são apresentadas por homens. Vou explicar isto melhor: em 100 indivíduos agredidos pelos parceiros com quem supostamente dormem e coabitam, 12 são dos sexo masculino. Entre esses 12 há os que são agredidos pelas namoradas e esposas, e os que levam dos marmanjos barbudos com quem coabitam.

É dramático: o dia todo a trabalharem na estiva, a beberem bejecas para ganharem força onde têm pouca, e chegado o final do dia, ao chegarem a casa frageizinhos do álcool, ainda por cima levam. Um homem a precisar de uma soneca reparadora para no dia seguinte continuar a beber e a discutir bola com os amigos, e torna-se ali vítima de pancadaria da grossa.

Não batam nos vossos maridos e companheiros, por favor. Olhem que é uma coisa muito má e muito feia estarem a exercer sobre eles o poder que as mulheres já não lhes reconhecem. Não sejam vingativas. Não incorram nos exemplos que testemunharam sob a agência dos vossos pais, avós, tios, irmãos. Se lhes estiverem com raiva, é melhor chateá-los a um ponto em que só encontrem sossego de alma atirando-se voluntários da janela do 10º andar. Que seja uma decisão pessoal e voluntária da parte deles. Não nos cabe interfir nas decisões de vida dos nossos homens. Eles são livres, livres, livres.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Resiliência



A minha mãe não gosta de me ver os vernizes escuros. A minha prima afastada disse-me, hoje, isso não te parece claro demais?! As minhas colegas olham-me para as mãos de
revés, seja qual for o verniz, e imaginam-me vidas alternativas, que sinceramente... Os amigos acham que uma mulher como eu não deveria sequer pintar as unhas, que é pindérico, nada intelectual de esquerda.
Para uma mulher se colorir à sua vontade tem de desenvolver muita resiliência.

domingo, agosto 10, 2008

O que eles dizem I


No DN de hoje, página 16: "Morte de rapaz ainda está por explicar".
Um miúdo de 15 anos morreu enquanto jogava no computador. Não se conhecem as causas.

Diz o padrinho: "Sinto-me orgulhoso por saber que o menino passou os últimos minutos de vida a brincar com uma prenda que lhe dei."

sábado, agosto 09, 2008

As prostitutas andavam decentes


Foto: Anónimo, Nude Hiding her Face, Alemanha, 1920


A caminho de Alfarim com a minha mãe.

- Oh, mãe, e se fôssemos à praia do Meco?
- (ri-se) Só se fosse vestida.
- Não, nuazinhas.
- Nuazinhas andam elas todas nas outras praias, que bem as vejo na televisão. É um fiozinho a tapar o rabo e uma coisinha que só esconde o bico das mamas. Com a anca toda destapada... eu quer-me parecer que os homens já nem ligam.
- (rio-me) Ah, pois não. Antigamente é que era uma vergonha andar nu, não era, mãe?
- Antigamente, os homens ficavam malucos quando viam um bocadinho da perna. Olha, lá em Alcobaça havia as mulheres da casa amarela, as prostitutas; elas andavam decentes, mas nós sabíamos que eram prostitutas porque traziam menos de metade dos joelhos à mostra. Só uma coisinha de nada. Os homens iam esperá-las. Ficavam doidos com elas por causa dos joelhos.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Filhos de um gajo qualquer


Estava eu a contar-lhe que lera no
El Pais que uma ministra do PP espanhol, com 40 anos, conservadora, mantendo, portanto, posições públicas contra o casamento de homossexuais, contra a dissolução da família tradicional, embora divorciada, se tinha feito inseminar artificialmente com esperma de um gajo qualquer, numa clínica em Barcelona, ou em Madrid, não me lembrava, e que agora era mãe de uma linda criança, só dela.
Respondeu-me que, em 90 por cento dos casos, os nossos filhos são também filhos de um gajo qualquer. E que quando não são, há sempre a hipótese de o amado pai dos nossos filhos se tornar, em poucos anos, num verdadeiro gajo qualquer.
A minha prima afastada é uma mulher muito prática, nada romântica. Já lhe disse que é por isso que os homens têm medo dela. Por este andar, coitada, ainda fica solteirona.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Casos da vida - Dany e Vanessa


Sinais exteriores de riqueza


Não têm emprego e pagam a renda da casa de seis em seis meses, só quando a mãe dela vem de visita, limpa a casa e deixa o frigorífico com comida para uma semana, em taparueres da loja dos chineses. O rendimento social de insersão mal lhes dá para carregar o telemóvel com valor suficiente para o envio de mensagens, onde se lê, liga-me que não tenho saldo. Cravam cigarros à malta do café, mas não consomem, apenas se sentam na mesa alheia. Às vezes pagam-lhes uma bica. A malta. À noite, encostam-se ao muro da praça emborcando Sagres choca, que compram no supermercado às garrafas de litro. Podem não ter um Ferrari, nem uns tenis de 200 euros, nem sequer um euro e noventa para o bilhete de autocarro para a Costa, mas têm um pit-bull de orelhas cortadas, de ar feroz, coleira de picos, trela curta. E um pit-bull... um pit-bull mete respeito.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Num dia soalheiro, lia o jornal numa casa solarenga


O P2, suplemento de ontem do jornal Público, trazia como tema de capa um artigo sobre a montanha K2, onde há poucos dias morreu mais de uma dezena de alpinistas. Leio todos os artigos sobre arriscadas aventuras de alpinismo, por considerá-lo uma actividade que não lembraria ao Marquês de Sade, se fosse masoquista.

Como actividade de Verão, há lá alguma coisa que substitua um belo livro lido à sombra, no pátio de uma casa solarenga?
Na página 4 do referido artigo, no final da quarta coluna de texto, pode ler-se o seguinte: "Algo de muito semelhante aconteceu em 1995, quando um grupo de alpinistas foi apanhado pelo mau tempo na descida. Um dia solarengo e calmo (as chamadas telefónicas do cume fizeram-se em condições perfeitas)".
Refiro-me a este erro lexical porque se tornou cada vez mais habitual, nos jornais e na blogosfera. É muito raro encontrar o vocábulo solarengo atribuído a um solar (casa), como seria correcto.
Os dias nunca são solarengos, a menos que pretendamos criar um recurso de estilo fazendo uso da palavra como adjectivo expressivo, a qual, de qualquer forma, terá de remeter para o solar (casa). Os dias são soalheiros ou ensolarados. Solarengos, só os solares.

terça-feira, agosto 05, 2008

A menstruação nos anos 70 II


Tínhamos dores lancinantes que nos cortavam a carne da barriga como facas afiadas. Deitávamo-nos em posição fetal, gemendo, e alguém nos preparava sacos de água quente a escaldar, que esborrachávamos contra ao útero para aliviar as dores. Não aliviava muito. Queríamos cauterizar as entranhas. Às vezes pensávamos, depois disto nunca conseguirei ter filhos, mas tivemos, aos dois e três. Não havia comprimidos que nos tirassem as dores. Era assim. As mulheres tinham dores, era preciso sofrê-las. Não comíamos, não bebíamos, ficávamos prostradas à espera que nos passasse aquele calvário, e quando acabava sentíamos que tínhamos parido trigémeos, a ferros. O que poderia ser pior do que aquilo?!

A menstruação nos anos 70 I


Mudávamos os lençóis uma vez por semana. Ao sábado. Se a menstruação nos vinha ao Domingo, dormíamos a semana inteira sobre o sangue seco que nos escorria por entre as pernas, durante o sono. O quarto exalava um cheiro opaco a sangue, a mulher, como uma mítica gruta de resguardada fertilidade.


Puppy, puppy











Algumas considerações totalmente aleatórias sobre Marilyn Monroe:


1. Podia chegar cinco horas atrasada a uma sessão de fotografias. Ninguém reclamava. Os meus amigos não me perdoam 20 minutos de atraso na bicha da ponte.

2. Se fosse viva, seria apenas dois anos mais nova que a minha mãe. Para seu mal, haveria de estar toda esticada e fazer confissões do tempo da Maria Cachucha, como a Beatriz Costa.

3. Foi um desperdício de vida e beleza. Quando somos jovens e belas e com tendências auto-destrutivas, a urgência total não está em procurar um homem e uma caixa de hipnóticos, mas um psicólogo, um bom psicólogo, três vezes por semana, tal como se toma um antibiótico, um analgésico, um retroviral.

4. Não foi apenas uma mulher bela. A sua imagem era doce e inocente como a de um cãozinho com poucas semanas. É tal doçura que a mantém viva, como iconografia do feminino e de um ideal de existência que não há, nunca houve entre adultos que lutam para pagar os empréstimos bancários.

5. Morreu cinco meses antes de eu nascer. Graças a Deus não sou a sua reencarnação.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Grávida

Foto: Stefan Beutler



Está na moda na blogosfera, e eu queria muito, muito, escrever postes descrevendo a minha deliciosa barriga grávida. Usar palavras como parir, e expressöes como placenta descaída, tenho pano na cara, sinto o crianço dar pontapés, tenho contracções, o puto está atrasado, ou então, chegou adiantado, o malandro.
Escrever sobre a amamentação, reclamando o peso das mamas como odres, os mamilos gretados, a criança chuchando que nem um bezerro e mijando como um burro. E as noites sem dormir, os babetes babados de tudo, os biberons desinfectados, as idas ao centro de saúde, o teste do pezinho... Não esquecendo os hábitos alimentares da criança, eventualmente mais crescida, já comeu dois ovos kinder, e agora, vejam bem, não quer a sopa, a culpa é da avó que lhe dá tudo o que pede. Não pode comer batatas fritas. Coisinhas assim. Ah, o que eu me regalaria se tivesse um baby blogue.
Mas cada um veio ao mundo para a sua missão concreta, a mim calha-me escrever sobre os bifes de cebolada que estão ao lume, mais a lista de compras da minha mãe, e as cadelas que daqui a pouco querem ir à rua, e se não forem, mijam no tapete, e que não me lembre de fazer reclamações.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...