sábado, fevereiro 28, 2009

O monstro




As pessoas precisam de tempo para crescer.
Há quinze anos atrás, Mickey Rourke era um miúdo convencido, de voz fanhosa, com desempenhos interessantes, contudo afectados, muito sexy-passivo-agressivos, próprios dos descendentes da escola Actor's Studio. Hoje, é um actor capaz de transformar um filme sem grande história num produto assaz interessante.

O Wrestler não é um filme sobre wrestling nem sobre alguém que cometeu erros que resultaram na perda de família, dinheiro, e amor-próprio. O wrestler é sobre a luta diária. É combinada, mas tem surpresas. É violenta, mas aguenta-se. Eu também me sinto wrestler pelo menos cinco dias por semana. Tenho alturas em que chego a casa cheia de sangue, e, às vezes, chego mesmo a cortar-me com lâminas alegóricas.

O Pedro Paixão criou aquele belíssimo título do Viver Todos Os Dias Cansa. Viver todos os dias cansa mesmo muito. E O Wrestler é um filme sobre um homem cansado, para o qual é demasiado tarde para mudar. Para mudarmos precisamos de alternativas, e ele não as tem. Poderia, enfim, descer a um patamar sem aplausos, mas sejamos realistas, para quem um dia ouviu o clamor das palmas, porque foi o melhor, o processo é bastante irreversível. A aclamação constitui uma deificação fora da qual a vida normal, rasteira, pequena, é impossível. Estou a lembrar-me dos comportamentos da maior parte dos ídolos de Hollywood, entre outros famosos, escritores, por exemplo. Não se comportam todos, a certa altura, como deuses, não sabendo viver de outra forma? Descer a escadaria do céu é a morte.

Considero ofensivo para o talento tão sereno e limpo de Rourke, afirmar-se que se limita a representar documentalmente a sua vida. Nenhum verdadeiro actor representa a sua vida - que interesse teria? Pode acontecer-lhe confrontar-se com o papel de alguém que poderia ter sido ele, o que não deve ser fácil. Imagino como me seria impossível representar-me. Que distanciamento poderia eu manter, a ponto de conseguir trabalhar sem sobressaltos uma personagem? A prova de que Rourke não representa o seu papel é o facto de andar por aí, bem humorado, aparentemente de bem com a vida. Mudado.





A Imprensa nacional e internacional não se cansa de referir a transformação física do actor, ilustrada com fotos de antes e depois, as quais servem para destacar a evolução de homem para monstro. O adjectivo é muito utilizado: o monstro. Todos nos transformamos em voyeurs no intenso desejo de contemplar o rosto do homem que foi o mais belo de Hollywood e hoje se encontra irreconhecível. Uma mistura de horror e comprazimento. Quem é que não gosta de monstros? Um belo freaky show! Até pagamos, não é?

E Mickey Rourke ter-se-á mesmo transformado em monstro?! Penso que sim. Era apenas um homem, um actor, e entretanto a vida passou-lhe toda por cima, como, aliás, nos passa a todos, e deixou sobre si grosseiros rodados, tranformando-o na tal pessoa-monstro e num monstro de actor. Os melhores filmes da sua vida, fa-los-á a partir de agora.

Mas ele não é o único. Olhemos para as nossas fotos de há 20 anos, e reparemos agora no nosso corpo. Nós também mudámos. Em alguns casos também estamos irreconhecíveis. Seria uma incongruência passar pela vida sem a devida bagagem no corpo. As marcas das operações plásticas constituem o mesmo tipo de bagagem. A operação plástica tira as rugas, as cicatrizes, mas opera uma manipulação física, um trabalho de mutilação dita positiva, e isso constitui uma enorme e vísivel cicatriz. Considerando a violência do dia-a-dia, as humilhações que sofremos dentro e fora do ringue de wrestling, havíamos todos de chegar aos 40 anos com o corpo rendado de profundas crateras vísiveis, de cicatrizes indisfarçaveis, como o tronco de árvore que atravessou muitas estações. O rosto de Rourke encaixa-se nesta categoria que me interessa. Não troco o seu rosto de hoje pelo de há vinte anos. Honestamente, não troco o meu corpo de hoje pelo de há vinte anos. Nessa altura detestava-me; hoje aceito o meu corpo, compreendo-o, não lhe exijo o que não pode dar-me.
Por último, o regresso de Rourke, na melhor forma, lúcido, capacíssimo, representa, para quem viveu os anos oitenta, a vitória desta época. A nossa vitória. É verdade que os anos noventa lixaram tudo, mas estamos de volta mais velhos, arrependidos em alguns casos, mas melhores, muito melhores.
Precisamos de tempo para crescer - e de dor; deliberadamente não usei o vocábulo, mas, chegados aqui, liberto-o, e venham-me cá dizer que não valeu quase tudo a pena.

domingo, fevereiro 15, 2009

Cadê o Partido Socialista?

Há uns meses, o PS, e o resto da direita na Assembleia da República, inviabilizou um projecto-lei do Bloco de Esquerda e dos Verdes, relativo à união civil de homossexuais. Não porque não concordasse, mas porque não considerava oportuno, alegando ser necessário encaminhar o assunto para amplo debate social. Ora, todos nós sabemos como o PS é exímio em encaminhar projectos-lei, os seus, para ampla imposição social.
Com a candidatura de Sócrates a secretário-geral do PS, e consequente apresentação da respectiva moção política, percebemos a nega ao projecto da oposição: o PS pretende para si os louros do casamento de homossexuais. É apenas uma questão de currículo; servirá para defender que "nós é que". Ora, como há aqui basto interesse nos potenciais votos da esquerda, e da comunidade LGTB, convém não esquecer que este assunto já poderia estar resolvido desde Outubro, que isto é um bom exemplo da política oportunista do PS.

sábado, fevereiro 14, 2009

Dia dos Namorados




Peguei nas meninas e saí. Comprei o jornal no sítio do costume. Tomei o pequeno-almoço no sítio do costume. Sentei-me no banco do jardim a ler o jornal do costume, o que já havia começado a fazer enquanto comia o croissant e bebia o café com leite. As meninas corriam na relva. Foi uma manhã em cheio. O celibato conserva-nos muito a pele.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Quero ser deputada

Durante muitos anos não me interessei por política. Não achava graça nenhuma. Agora interesso-me imenso, sobretudo porque me divirto com a comédia negra. Não sei se antigamente a política portuguesa era assim tão anedótica. Não reparava. Agora é muito.
Gosto tanto de política que estou a pensar deixar a fábrica, onde se ganha pouco e se trabalha muito, com um desgaste que não é pago, para me imiscuir em listas partidárias conducentes ao sufrágio legislativo. Ninguém me quer? Gostava tanto! Sobretudo quando penso que me bastariam dois mandatos seguidos para passar direitinha à reforma, eu que tenho tanto para ler e escrever, e tempo zero para o fazer.


Todas as horas

Imagem: Mary Ellen Mark, Matt Dillon, 1983


Estive a fazer zapping. Num canal qualquer passava um filme com o Harrison Ford muito jovem, muito belo, e uma actriz que não reconheci, com os olhos azuis cheios de rimel. Estavam abraçados na cama. Ela dizia-lhe, não sabia que isto estava certo. Tenho passado todas as horas, de todos os dias, esforçando-me por te esquecer, sem perceber que o que tenho é passado todas as horas a lembrar-te. Era mais ou menos assim.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Apaixonei-me pelo Mário Crespo há 10 minutos


Está bem... façamos de conta

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.

Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

Da seriedade

Estou a pensar fazer uma colecta aqui no blogue para comprar um novo colar de pérolas à Manuela Ferreira Leite. Um cinzento. Ou em coral. E outro fatinho. Já não aguento mais o colar de pérolas brancas com os fatos cinzentos. Vários fatos de vários tons de cinzento. Não estava a pensar em nada caro nem farfalhudo, apenas diferente. Nas lojas Humana a coisa resolvia-se. Até os homens que, como se sabe, andam de uniforme com marca, mudam ao menos de gravata.
De entre as pessoas políticas que povoam o panorama partidário português, Manuela Ferreira Leite é de todas a que mais se assemelha, na imagem monocromática, e no discurso, ao falecido António de Oliveira Salazar, vénia, vénia, vénia até ao chão.

Da moral


Ah, e também houve aquela vez, para aí em 1976/77, assim ao final do dia, depois de sair da escola, na papelaria ao lado da estação dos autocarros, em Alcobaça, em que roubei um postal com o pôr-do-sol para mandar aos meus pais, que por acaso detestavam postais com o pôr-do-sol.
Não é que precisasse do postal, mas todas as minhas colegas roubavam pequenos objectos do balcão, e muito embora considerasse tudo aquilo baixo demais para os meus padrões, caramba, era fácil, e eu queria experimentar. E um dia, zupt, surripiei o tal postal do expositor, meti-o no caderno, ou no bolso e, pronto, nunca mais me esqueci, tenho que viver com isto, completamente impossibilitada de dizer em voz alta, eu cá nunca roubei nada. Lá vem a maldita da recordação. E um postal que não devia custar mais de 5 tostões! Honestamente, se estava na fase das experiências, mais valia ter-me dado para o charro.


quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Um caso que incomoda

Li no DN que a Polícia Judiciária, por falta de pistas, se prepara para arquivar o inquérito relativo ao Rui Pedro, desaparecido em 1998. Cumulativamente, os investigadores pensam que o rapaz terá morrido. A minha questão é a seguinte: se pensam que o rapaz morreu, algumas pistas parecem ter. Se morreu, morreu onde? Como chegaram a tal conclusão? Se está morto, apresentem-nos uma teoria que justifique o facto de não haver um corpo ou os seus vestígios.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O país onde se untam as mãos

Às oito da manhã já eu ouvia na Antena 1 os resultados da songadem da Católica relativos à possível contribuição do caso Freeport para a alteração da imagem do primeiro-ministro. Sorri. O que é que uma pessoa pode fazer senão esboçar um sorrisinho cínico?!
Tenho uma amiga sueca, mas por vergonha não lhe vou contar nada disto. Tem a mania de pôr muitas questões embaraçosas sobre determinados aspectos da nossa vida social e política, e pode ser que a notícia não chegue ao Báltico. Espero. No outro dia, perguntava-me ela porque é que o Fernando Mendes, do Preço Certo, tem uma menina em saltos altos e decotada para lhe tirar o casaco em pleno programa. Nunca tinha reparado. Ela repara em tudo. O que é que uma pessoa responde a isto?!
Conhecendo este povo como conheço, e conheço bem, um caso de corrupção não é coisa grave. Grave é ser-se doutor sem diploma, mas, por exemplo, aquilo que lhe dá origem, que é traficar influências para o obter, isso já é normal. Porque quem é que não paga umas luvazinhas? Quem é que não conhece um amigo de um tio?
Na minha família, que vem do cu da terra, sem apelidos com y ou consoante dobrada, poderia enumerar a quantidade de casos de corrupção que chegaram ao meu conhecimento. Uma cunha ali, dum padrinho que é doutor em leis, um favorzinho de um sobrinho, que é médico em Santarém... Sou do tempo em que se "untavam aos mãos" ao examinador para obter a carta de condução. Aliás, esta é uma expressão que toda a vida ouvi, "é preciso é untar-lhe as mãos", e faz parte indissolúvel da minha identidade cultural. Sou de um país onde se untam as mãos. Onde quer que vá é isso que lêem no meu passaporte, quando o apresento. Ainda no outro dia fui a Londres na Easy Jet para ver uma exposição na Tate, reparem como me cultivo, e assim que cheguei a Gatwick comecei logo a ouvir aos funcionários da alfândega, the flight coming from the paraise of bribery, sweet bribery, and so on. Ouvia-se distintamente. Todo o mundo sabe.
Depois, é preciso distinguir: a nossa corrupção não é uma organização em grande, uma máfia napolitana, embora configure uma teia que alastra por todo o tecido social, político e económico. Não se chama corrupção, mas favorzinho, jeitinho, um empurrão... e está embutido na casa de todos os que responderam à sondagem da Católica. É normal. Se calhar o primeiro-ministro deu um jeitinho no licenciamento de um projecto em Alcochete, e depois?!, aquilo não passava de um pântano de bicharada! E se ganhou alguma coisa com isso, melhor para ele, que só prova ser um homem desenrascado. Se eu tivesse uma filha haveria de a querer casar com um destes, dos que sabem fazer pela vida.

Tragam-me os prisioneiros de Guantánamo

Se Portugal aceitar presos de Guantánamo, gostaria de informar o Ministério dos Negócios Estrangeiros ou da Defesa ou da Administração Interna, que um deles há-de ser, que me ofereço como família de acolhimento.
Olhando para o Estado desta casa, e considerando que tenho visitas no fim-de-semana, dava-me imenso jeito que viesse até sexta-feira. Assino o que quiserem declarando não o deixar sair de casa, que ele tem muitos produtos químicos com que se entreter debaixo do balcão do lava-louça. Só peço que seja um indivíduo jovem, jeitoso e despachado. Prometo que o castigo tanto ou mais que em Guantánamo.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O livro da minha vida

Se fosse escritora e me pedissem para escrever um livro da minha vida actual, teria de lhe juntar muita peripécia. Como não sou, posso ir deitar-me cedo, que amanhã entro na fábrica às 8 e depois despego às 5, e no outro dia igual, e no outro dia igual, e no outro dia igual.

Os textos que escolhemos

Mantenho certas dúvidas sobre a possibilidade de conhecer alguém através dos textos que escreve.
Não tenho dúvidas de que é possível conhecer inteiramente uma pessoa através dos textos que escolhe.


domingo, fevereiro 01, 2009

Está tudo mudado

Almoço de domingo com a minha mãe, que faz 86 anos dentro de alguns dias.

Mãe - Então, mas que confusão é essa com o Sócrates? Não sai das notícias!

Expliquei-lhe tudo. A minha versão.

Mãe - E dizem que ele, mesmo assim, vai ganhar as eleições.

Isabela - É possível; é muito possível. A maior parte dos eleitores vota PSD ou PS, e qual é a diferença, sinceramente? Os partidos mais pequenos, e de esquerda, juntos ou separados, não têm hipótese de mostrar o que valem.

M. - Bem, mas o que é preciso é que o Sócrates não tenha a maioria absoluta, para não pensar que é o rei, que manda e desmanda como bem lhe aprouver.

I. - Sim, isso é fundamental. Senão qualquer dia voltamos a viver como no tempo de Salazar. No tempo do Salazar não era assim?! Tudo caladinho, tudo cheio de medo?

M. - Era, ninguém piava, mas o Salazar tinha princípios morais, e nós não vivíamos melhor, não tínhamos tanto, como agora, éramos uns atrasadinhos, não sabíamos nada, eram só os bailes, e a igreja, mas éramos mais felizes.

I. - As pessoas nunca são felizes, mãe. Ou seja, todos somos muito mais felizes do que pensamos, mas não reconhecemos essa felicidade...

M. - Mas o Sócrates, agora, vai ter o voto dos homossexuais todos...

I. - Porquê, por causa do projecto-lei para o casamento dos homossexuais? Não sei!

M. - Pois, eles andam todos contentes, querem casar uns com os outros e adoptar e tudo (riu-se).

I. - Oh, mãe, a gente não se deve meter na vida dos outros. Se querem casar, por que não? O que temos nós a ver com isso? Deixemos os outros serem felizes à sua maneira. A mim alegra-me que os outros sejam felizes.

M. - Mas adoptar...

I. - Sim, por que não? Se forem pessoas boas, pessoas honestas, com bons princípios, o que os impede de adoptar e de serem excelentes pais ou mães? Mas não creio que seja por aí que o Sócrates ganhe votos.

(Não lhe disse que o Sócrates ganha votos por ser bonito.)

M. - Bem, lá em Espanha, onde está o teu amigo, eles já podem casar e adoptar.

I. - Pois já. E o Gil e o Artur, que tu conheces, também casaram em França.

M. - Pois é. Isto está tudo mudado (riu-se).

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...