Foto - Robert Laliberte
sexta-feira, julho 01, 2005
Intervalo
Às vezes era como se fosse só um jogo. Não dávamos importância, parávamos por instantes, ficávamos, partíamos de novo. Mas um dia descobrimos que a vida, afinal, era só isso, a soma desses jogos. Se tropeçássemos, se caíssemos, dizíamos apenas «oh, uma ferida nos joelhos». Como se no dia seguinte, ou alguns dias depois, não houvesse já vestígios da queda. Mas não: cada uma dessas feridas ficava para sempre a queimar por dentro – só agora o sabemos, tão tarde aprendemos...
Ainda a verdade (e só a verdade)
Detesto quando as minhas fotografias andam no ciberespaço. Sobretudo quando não me fazem justiça. Ao menos pedissem-me que retirasse os cebolos da frente, para que as leitoras soubessem para onde estava a olhar a Isabela, e por que razão compunha aquele olharzinho tão angelical e daimoso simultaneamente a remirar-me as partes.
[Perdão: aquando do retrato já estava abotoado, agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital.]
[Perdão: aquando do retrato já estava abotoado, agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital.]
C. B. e Isabela: a verdade II
Não vale a pena continuarmos a esconder-nos atrás da máscara do anonimato. Isto, mais tarde ou mais cedo, vinha-se a saber. Aqui está: C. Barroso e Isabela após arrancaralhos, digo, arrancar alhos.
A verdade é esta: sou a madre superiora de um convento cujo nome não divulgarei, isto para não ser incomodada com buzinadelas ao portão, e ditos do género, "Ó Isabela, queres que te arranje a panela?" Haja juízo! Respeitinho.
Quem nos trata da hortaliça é o senhor Barroso. É um excelente hortelão. Ele rasga a terra com os instrumentos adequados. Ele semeia. Ele poda. Ele colhe. Agora deve andar de volta dos legumes. Um momentinho...
- Irmã Inocência das Dores, viu o senhor Barroso? Ah, pois... ! Vá com Deus, Irmã: não se esqueça das vésperas.
Parece que o senhor Barroso anda ali a regar os grelos. Temos grelos de toda a qualidade; de couve, de nabo... temos nabiças. E o senhor Barroso é incansável, todos os dias nos rega os grelos e vai observando a fruta, a ver quando se pode comer. É um bocadinho abrutalhado, às vezes deita-lhe muito a mão: apalpa demais - e a fruta ressente-se, fica tocada. Os pêssegos, por exemplo. Não se apalpa um pêssego de qualque maneira.
Seja como for, é quem nos vale, o senhor Barroso. Nunca estivemos tão bem servidas.
A verdade é esta: sou a madre superiora de um convento cujo nome não divulgarei, isto para não ser incomodada com buzinadelas ao portão, e ditos do género, "Ó Isabela, queres que te arranje a panela?" Haja juízo! Respeitinho.
Quem nos trata da hortaliça é o senhor Barroso. É um excelente hortelão. Ele rasga a terra com os instrumentos adequados. Ele semeia. Ele poda. Ele colhe. Agora deve andar de volta dos legumes. Um momentinho...
- Irmã Inocência das Dores, viu o senhor Barroso? Ah, pois... ! Vá com Deus, Irmã: não se esqueça das vésperas.
Parece que o senhor Barroso anda ali a regar os grelos. Temos grelos de toda a qualidade; de couve, de nabo... temos nabiças. E o senhor Barroso é incansável, todos os dias nos rega os grelos e vai observando a fruta, a ver quando se pode comer. É um bocadinho abrutalhado, às vezes deita-lhe muito a mão: apalpa demais - e a fruta ressente-se, fica tocada. Os pêssegos, por exemplo. Não se apalpa um pêssego de qualque maneira.
Seja como for, é quem nos vale, o senhor Barroso. Nunca estivemos tão bem servidas.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...




