terça-feira, julho 11, 2006

O nosso corpo é tão bonito

Mote: Sophia Loren, 71 anos, afirma sentir-se tentada a posar nua para revistas.

Preciso mandar emitir passaporte e renovar todos os documentos. Alterei o endereço; eu própria me alterei. Quando me pedem o BI, nas lojas, olham para a foto e para mim, para a foto e para mim, e mandam-me escrever a assinatura 3 vezes - sendo que a assinatura também mudou, e me custa imenso repeti-la igual à do bilhete.
Fui ao fotógrafo do bairro, expliquei-lhe o fim dos retratos: documentação. "Sim senhora, vamos já tratar disso!"
Lá me ajeitou contra o fundo azul, mandou-me sorrir, depois mostrar os dentinhos, e eu obedeci, porque queria ficar bonitinha. E disse-lhe mesmo, "espero ficar bonitinha!", ao que sorriu, cúmplice.

Esperei um bocado, fui ao café, e regressei para levantar o trabalho, já pago. Abri a capa de cartão contendo as fotos e deparo-me com uma mulher desconhecida. A mesma roupa, as mesmas cores de olhos e cabelo, mas não era eu. O cabelo tinha brilho de bebé, bem como os dentes (que até me esquecera de lavar!), e, milagre dos milagres, não tinha quaisquer sinais particulares na cara; nem manchas nem olheiras nem papos nem rugas de expressão. Tudo apagado. Apreciei o efeito da pele sem sardas. Gostei. O problema é que não era eu. Não sou. Aquilo não pode servir para documentação alguma.
Mas trouxe as fotos, emudecida, fascinada. Não reclamei. Queria aquele objecto estranho criado a partir do meu rosto.
Mostrei a toda a gente, e foi risota geral. Podia publicá-la aqui, que não me reconheceriam na rua. Fiquei gira. Roubou-me uma data de anos. Fiquei mais composta, mais formal. Pareço uma senhora. O problema é que não sou eu.
Quero as minhas manchas na pele, as minhas olheiras e papos. Quero reconhecer-me.
Duas horas depois fui a uma máquina de fotos tipo-passe, das que encontramos nas estações de transportes, meti as moedas, sorri para o vidro, e saíram 4 retratos escuros e manchados. Era eu. Não era tão bonita nem tão certinha nem tão perfeita, mas era eu, bolas, e respirei fundo, e fiquei sossegada. Não quero ser bonitinha. Quero apenas ser eu.


J. Saudek, The mother, 1976

segunda-feira, julho 10, 2006

sábado, julho 08, 2006

Não quero mulheres para decoração


Não sei se vamos ganhar à selecção alemã, e, sinceramente, importa-me pouco. É provável, mas se não ganharmos, jogaremos bem, e os alemães igualmente. Não há pressão para a vitória; podemos dar-nos a luxos de qualidade. Jogar com arte; sem guerra. Sem nervos. Será apenas desporto limpo.

Não sei quem inventou esta ideia de que a competição era saudável e produtiva, mas estou certa de que alguém me informará na caixa de comentários.
Não produzo em competição. Não me interessa; perco gosto no que faço.

Há uns tempos, o Karloos, do Licenciosidades, fez-me chegar um texto publicado no Diário Económico, penso eu, que defendia, sobre as mulheres, a ideia que acabei de enunciar: um estudo, realizado não sei onde, revelou que detestamos competição, e, numa situação de trabalho em que nos seja exigida grande agressividade, produzimos menos ou erramos mais - em contrapartida, inseridas em contextos livres de stress, que requeiram calma e concentração, apresentamos melhores resultados, ou mais criativos. Claro que o referido artigo se servia de um estudo para defesa de uma "teoria cara à opus dei", segundo a qual a existência de escolas separadas por sexo biológico seria o néctar dos deuses para a pedagogia.

Fixemos esta expressão que pretendo usar muitas vezes: "teoria(s) cara(s) à opus dei". Agora fixemos outra, que usarei menos, mas sobre a qual deve ficar claro que todo o meu discurso assenta: "estou-me a cagar de alto para as teorias caras à opus dei", e aconselho que façam todos eles(as) um comboiozinho"!


Grace Slick, 1967

Há mulheres que adoram competir, e homens que só querem que os deixem em paz e sossego; por isso é que estar vivo, viver com os outros, é inesperado. Surpreende. É uma experiência de brutal riqueza. É bom. Por isso, devemos ter cuidado com estudos segundo os quais as mulheres isto, e os homens aquilo. Eu, por exemplo, não consigo concentrar-me em muitas tarefas ao mesmo tempo, mas tenho um sentido de orientação quase canino, distinção que está muito na moda fazer entre mais-valias femininas e masculinas, e algumas existirão - para o bem.

Mas vamos à paridade, porque tendo começado com a cereja do futebol, e da competição, é a esta, a do fundo do cesto, que pretendo chegar: a paridade na política, ou noutra área qualquer, não mudará nada enquanto as mulheres copiarem comportamentos políticos do discurso hegemónico. Não se pensa muito nisto, mas todos copiamos, involuntariamente, discursos ditos bons, legítimos, tradicionais, sem nos perguntarmos se se adequam, se são justos ao mundo que temos; se alguma vez se adequaram; se alguma vez foram (eu copio!).

A política hegemónica não serve mulheres nem homens. Já o provou. É como continuarmos a fazer base de sopa com batata, mudando apenas o tamanho ou a variedadedo tubérculo, porque aprendemos assim, e é assim, ponto final. É possível fazer sopa de outra forma. Melhor sopa.

A paridade na política só fará diferença na fracção de tempo em que transcendermos as lições dos grandes mestres, e nos for ridículo ser tão eficientes como a actual ministra da educação ou a deputada Zita Seabra. Como elas, não, obrigada.

Aquilo que a entrada das mulheres no mundo da política poderá trazer ao mundo interessa tanto mais quanto mais diferentes forem os seus discursos do dos actuais políticos.
Não levemos para a política, nem para a economia (eu poderia lá distingui-las!), o que já lá está e, manifestamente, não nos serve: a demagogia, a agressividade generalizada e a competição cega, sem ética. Levemos as lições das mestras e mestres que nos ensinaram a pensar fora dos moldes de gesso que enformam a estrutura. Levemos, acima de tudo, o pensamento que produzimos sozinhas(os) a partir das lições das mestras e mestres.


Foto de Dennis Stock

Quero uma política que alie cabeça e coração. Quero concentração, qualidade, criatividade, seriedade, diálogo fecundo. Não é rentável? Vamos morrer de fome? Não: não mais do que já morremos todos os dias; será difícil consumir mais, desperdiçar mais - o que Donald Trump gasta num dia daria para alimentar a população inteira da Somália durante 15 dias. O que se gasta num mundial de futebol chegaria para construir escolas em toda a África subsariana, e administrar, a todas as grávidas seropositivas, o antídoto que permitiria aos seus filhos nascerem livres da SIDA.
Precisamos de apertar o cinto? Apertemo-lo a quem ainda tem furos, não aos que já o trazem à volta do pescoço.
Sejamos então inflexíveis, mas para que se invertam os discursos, todo o pensamento; porque a crise mundial é a crise do pensamento, dos valores sociais e humanos.

É possível que precisemos de regressar às origens. Se calhar, vamos ter de voltar a andar a pé, arranjar umas bicicletas, abdicar do shopping center - se calhar, vai ser bom. Se calhar, vamos ter de nos deitar mais cedo para poupar energia. Não sei, mas, se calhar, é provável que tenhamos de abdicar de muito, muito mesmo, e ir trabalhar com um filho a mamar em cada teta, atados à volta do corpo com faixas de algodão. Se calhar vamos comer couve e nabo cozidos. Se calhar. E talvez seja bom.

Quero mulheres nos parlamentos, nos governos, nas empresas, mas quero mulheres com o peito e a garganta transparentes de um lado ao outro. Não quero caçadoras, servidoras, não as quero a pensar como têm pensado os homens e as mulheres.
Quero mulheres diferentes, que me façam homens diferentes, e quero homens diferentes, empenhados connosco, em verdadeira igualdade, na recriação de um sistema diferente.
Isso seria mudar.
Mas quero paridade, apesar de tudo, seja em que circunstâncias forem. Começar por algum lado, mas começar. Um passo seguido de outro, mas passos.
Não quero é mulheres para decoração. Isso acabou.



Turner, Colour Beginning

quinta-feira, julho 06, 2006

Nasceram para a cozinha

Sou moça tolerante. Procuro não diferenciar. Aos meus candidatos a namorado não lhes pergunto a profissão nem se acabaram o nono ano; peço o cadastro criminal, pergunto se gostam de cães, e depois logo se vê.
A certa altura temos de começar a facilitar.
O meu último namorado era um rapaz impecável; chegava sempre à hora certa; um dia, ofereceu-me um ramo de flores roubadas no jardim da Piedade; depois, um chocolate negro, porque era dos magros - não engordava.
Só me pedia para não pôr Canderel no café, que fazia mal ao coração; para não secar o cabelo com o secador, que fazia mal às raízes, e, por amor das minhas alminhas, que não gritasse durante os orgasmos, por causa da vizinhança. De resto, cumpria bem aquilo que lhe cabia cumprir, e eu, desde que não me pedisse para casar ou para se meter na minha casa de armas e bagagens, deixava andar.

Isto, até ao dia em que telefonou para saber como estava a sua querida, o que estava a fazer a sua querida, quem era o seu amorzinho mais lindo, como é que estavam as maminhas do seu amor, etc., e eu lhe respondi que estava a ler umas cartas do Fernando Pessoa.
Calou-se uns segundos e depois perguntou-me: "É esse o gajo de quem nunca deixaste de gostar, e com quem só não vais ter porque é casado e tem dois filhos?! Gostava de saber o que é que esse gajo tinha que eu não te possa dar?"

terça-feira, julho 04, 2006

Uma tangerina madura abriu os gomos

As camisas do meu pai eram brancas.
Era sábado à tarde. A minha mãe tinha ficado de escrava ao quintal. Aos coelhos que tinham sarna. Ao transplante de nabiças para regos de terra que ela própria cavava, negra.
Era sábado à tarde, depois do almoço, cuja alquimia lhe tinha pertencido.
Era depois de me ter vestido de lavado, e ao meu pai. Como todos os dias.

Sábado à tarde de luz bronzeada nos ombros, de brisa marítima muito fácil através dos cabelos. Trinta graus secos. O peito movia-se devagar. As narinas abriam-se e fechavam-se, lentamente. Porque era o sul. Respirava-se.

Sentada na Bedford branca que o meu pai conduzia na estrada da Matola, a caminho de Lourenço Marques, uma tangerina madura abriu os gomos dentro do meu cérebro.
Uma revelação, um milagre: num segundo, sem explicação, li alto, e de uma só vez, a publicidade pintada nas laterais dos prédios, “Singer, a sua máquina de costura; beba Coca-Cola; pilhas Tudor; com Lux cabe sempre mais um; cerveja 2M, tudo o que a gente quer”.
Sumarenta, a tangerina aberta, uma flor no meu cérebro, era doce; e disse ao meu pai, “sei ler”. Sorriu-me, “és o meu tesouro”. Não disse, pensou, “és tudo para mim”.
O meu pai vestia uma camisa de algodão fino, muito branca. Lavadinha, passada a ferro com zelo pela minha mãe, apertada demais no botão da barriga, quase a esgarçar. A pele do meu pai, tostada, brilhava de brilho. E os olhos, de brilho. O sorriso do meu pai sorria sozinho. Sem nada mais escondido. À noite chegaria a casa com a camisa negra de nódoas, porque o meu pai tocava e deixava tocar-se pelo pó, pelo carvão, pelas laranjas, por mim. Agora estava impecável. No bolso da camisa notava-se um resto de nódoa a tinta de caneta rebentada. Coisa de nada. Um milímetro. Impecável.


Essa tarde era feliz: iríamos passear no Zambi, levar-me-ia a comer iogurtes à Baixa, ou talvez fôssemos petiscar moelas à Laurentina. Deixar-me-ia bebericar cerveja do seu copo. Ou um penálti, um tricofaite. Soltar-me-ia a mão, e eu poderia correr, e respirar sozinha, sem cercas, um pouco – sozinha, sem cercas, um pouco, respirar fundo, respirar o ar agridoce de catinga, pólen e amendoim - porque ao lado do meu pai nenhum preto pensaria roubar-me para fazer-me mal, para me vender; ninguém iria roubar-me nem molestar-me, essa culpa de que também eu seria culpada porque o meu sorriso era demasiado puro; o meu pai estava ali, e as suas mãos eram como patas de urso; contar-me-ia histórias de quando era novo, na metrópole; a da nuvem que desabava sobre si, no caminho de Óbidos para as Caldas, e da qual ele fugia, correndo à mesma velocidade, e na mesma direcção, mantendo-se, afinal, debaixo dela; do que só se apercebeu quando parou de pulmões rebentados, e a nuvem pôde finalmente ultrapassá-lo. A memória dele. Não, a minha. As suas histórias ridículas, para que eu me risse, e involuntariamente soubesse que é doce ser ridículo, ser só uma pessoa ridícula, ser uma pedra, um pão acabado de cozer. Ser nobremente ridícula foi uma filosofia de vida.



Disse-lhe, “pai, já sei ler”, e encostei a cabeça para trás, pousando-a na almofada do assento, com os olhos fechados, enquanto absorvia a maresia que vinha da direita, dos sapais ao lado da Sonefe. Os meus músculos, sempre tensos, afrouxaram. Agora já não era a guerra em mim, e podia descansar; as regras de leitura fizeram sentido num ápice, só porque a tangerina teimosa decidira abrir-se por inteiro no meu cérebro, como um polvo que alarga os tentáculos. Ali, dentro do carro, a caminho de Lourenço Marques, perto da Sonefe, como a primeira menstruação.
Sabia ler. Tinha sido difícil. Agora, este milagre. Tão rápido. Sabia ler. Abri de novo os olhos, para confirmar, e li, como se não tivesse feito outra coisa toda a vida, “cigarros LM long size, a vida moderna para o homem moderno”. Sabia ler. Era mesmo verdade. Não percebia como tinha acontecido, mas sabia ler.


Esse milagre de ler, essa magia tão rápida no meu cérebro, como se alguém tivesse movido a varinha à distância ou soletrado as palavras misteriosas, desenfeitiçaram-me.
A partir dessa tarde de sábado, embora a minha prisão física não se alterasse, e os muros e as grades de ferro continuassem altos à minha volta, em todos os lugares, tornei-me mais livre.
As frases podiam roubar-me a qualquer lugar, levar-me para dentro de mentes diversas, e escutar o que pensavam, e não diziam; as mentes dos bons e os maus e os mais ou menos, que eram a maior parte; sentar-me em navios perdidos, pairar sobre vulcões e dormir em jardins de rosas e sombras suavemente lilases.

Foi quando comecei a tornar-me a sua pior inimiga. A inimiga lá dentro, calada. Que vê, e escuta e nem pediu autorização. Foi quando comecei a tornar-me a toupeira.
Só muitos anos mais tarde, muitos, muitos, compreendi que saber ler, o acesso a essa chave para descodificação do segredo, me transformara, contra todas as vontades, na toupeira que lhes havia de roer todas as raízes, devagar, uma de cada vez, até restar nada. Quem mais os amou foi a sua pior inimiga.
O meu pai tinha a camisa branca e eu, o seu tesouro, a sua vida, sujei-lha de terra para sempre. Sei.

domingo, julho 02, 2006

Instintos básicos

Ricardo guarda-redes é bom rapaz, simpático, um miúdo simples, e eu gosto dele.
Cristiano Ronaldo, tenho de dar a mão à palmatória, joga com mestria. Talvez seja bom rapaz, talvez, mas não me parece um miúdo simples nem simpático - antes um novo-rico um bocado seduzido pela fama e luxo que o poder financeiro possibilita, e não gosto dele.
Os pobrezinhos não se tornam obrigatoriamente bonzinhos e humildes quando ascendem na hierarquia
. Talvez esteja enganada nos dois casos. E se estiver, se estiver veremos...
O futebol é um desporto global. Uma cultura global. Um espectáculo coreográfico viril, espontâneo, estratégico - uma tragédia grega. Uma guerra. Depois, uma paz. O circo romano no qual não se morre a não ser com honra, embora haja sacrifício, e animais selvagens esfomeados prontos a devorar. Horror.
O corpo não permanece indiferente perante a emoção dessa guerra; o medo e o entusiasmo; o corpo torna-se animal, sexualiza-se rapidamente. Já não somos só nós, mas o corpo-animal antes do corpo-nome próprio e de família. A nossa carne crua, que morde e é mordida, come e é comida. Um impulso sexual, inesperado, incha as vulvas das mulheres, e encharca-as de muco.
Podemos domesticar o cão, mas não extraímos dele o lobo à volta do qual se constrói a possível domesticidade.



Um jogo como o de ontem, entre Portugal e a Inglaterra, transforma-nos, faz-nos esquecer convenções. Gritamos porque somos animais. Desesperamos e sofremos porque somos animais e queremos ganhar aquela bulha. Tornar-nos-emos líderes do grupo, porque seremos os mais fortes. Venceremos. Governaremos. Haveremos de poder. Estender-nos-ão o tapete que pisaremos, por onde passaremos com os despojos.
Mas que diferença nos faz que Portugal ganhe o campeonato do mundo, fique em quarto lugar ou em último? O que nos traz isso de bom? Melhora as nossas condições de vida? Praticaremos mais desporto? Afinal, para que nos servirá? Somos os melhores porque somos os melhores num desporto específico? Coloca Portugal no mapa do mundo? Os Americanos vão finalmente perceber que não somos uma província de Espanha? A honra de ter uma boa equipa desportiva chega-nos, serve-nos como orgasmo patriótico?
Talvez fosse mais patriótico, mais honroso, pertencer aos quatro melhores do mundo em civismo. Pertencer aos quatro mais trabalhadores; aos quatro mais honestos; ao quatro com melhor protecção ambiental, com melhor organização associativa anti-racista, anti-colonianismos.
No entanto, o civismo, o trabalho, a honestidade, o anti-poder não inspiram, não nos aumentam os níveis de adrenalina, não nos motivam. Estranho. Gostava de pertencer aos quatro melhores do mundo em qualquer outra coisa que não a guerra; que a vulva nos inchasse e tremesse de fome acidental, porque seríamos os quatro melhores do mundo em arte, em cultura musical, em equipamentos pré-escolares, em resolução das listas de espera para cirurgia; porque a protecção à maternidade, paternidade ou ambas seria excelente.
No lugar ilocalizável de onde vim, julgo que era assim que fazíamos.
Trago essa memória. Não sei se é memória, mas o que há-de ser, o que virá, porque não pode ser de outra forma.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...