terça-feira, fevereiro 06, 2007

Isto é mesmo uma dúvida

Há por ai alguém bom a Linguística, até basta ser razoável, que possa explicar-me por que motivo cera se escreve cera, mesa se escreve mesa e pêra se escreve com acento circunflexo?
Urgente. Por favor. Obrigada.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Professor Martelo não dá Friskies a Gato Fedorento



Quem viu ontem o Gato Fedorento, e apreciou as rábulas a solo de Ricardo Araújo Pereira, funcionando como separador das restantes, e rematando-as ao estilo Diácono Remédios, compreendeu perfeitamente que o Professor Martelo não gostou da caricatura do Assim Não, soberbamente interpretada pelo mesmo humorista, na semana anterior; ficou claro que Martelo mexeu cordelinhos para pressionar o programa. Felizmente, os miúdos não estão à venda.
Ricardo Araújo Pereira interpretou, nas fronteiras do sarcasmo, o perfeito falso democrata: o fulano conhecido, vaidoso, poderoso, falso, que manipula o discurso da liberdade de expressão para exercer a sua tirania de pacote, sorrindo enquanto a impõe. Ricardo Araújo Pereira interpretou "a cobra" com um ritmo impressionante, quase a doer, e todos pudemos reconhecê-la, tal como manda fazer, mostrando os dentinhos cínicos, os olhinhos gelados. Vimo-la. Estava ali inteirinha. Foi brilhante.
Desde os tempos de glória de Herman José que a televisão portuguesa não via um bicho de humor com o talento original deste Estica, e o do outro, o que faz os papéis do Bucha.
O Herman não está morto, mas anda perdido na exacta medida em que se vendeu. Isso é insuportável num humorista.

domingo, fevereiro 04, 2007

«Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma»

Naomi Campbell

Se aos 18 anos o Destino me tivesse apanhado a uma esquina e, para me torturar, me apresentasse o futuro dos 25 anos seguintes, ter-lhe-ia dito “desculpa, querido, vai vender esse peixe a outro cliente qualquer; não é em nada disso que estou a pensar; quero uma vida na qual possa ter, simultaneamente, paz, sossego e bastas aventuras. Quero uma vida como as dos romances. Não me importo de passar provações, desde que me consigas um final feliz. Quero ser a Jane Eyre ou a Maria Eduarda ou a Madame Bovary, mas que no final seja eu a ganhar. Que a última frase seja... e depois foi feliz, todos os dias, para sempre. Amén”.
Não, eu não queria dois terços do que vim a ter. Não fazia parte dos meus planos. Se o Destino me tivesse mostrado um filme do meu futuro, afirmando "vai ser isto", eu havia de lhe dizer, "vai-te lixar! Estás a brincar! Essa não sou eu, e isso não me vai acontecer. Não sou parva!"
Pois não!

Mas o Destino não me apanhou a uma esquina aos 18 anos, e não me disse nada; foi-me cercando pelos diversos pontos do mapa-múndi, sempre calado, gozando o pratinho, deixando-me meter a pata na poça e sair pelos meus meios, muito cínico, o que, na verdade, tanto se me dá; esta vida, a que tive até aqui, garanto, eu não lha teria comprado, nunca.
Nunca gostamos da vida que temos. Devia ser sempre outra. Por exemplo, queríamos ter uma vida sentimental tão rica como a de fulana, isso sim; uma profissão tão estimulante como a sicrana, porque aquilo não é trabalho, é diversão, e ainda lhe pagam; e uma saúde e aspecto físico tão perfeitos como o de beltrana. O que somos, a vida que levamos, seria sempre a última que escolheríamos, se no-la facultassem por catálogo.

Oh, eu lamento-me todos os dias. Oh, para mim está tudo sempre mal. Não quero fazer isto. Vou contrariada resolver aquilo. Queria sair, mas tenho de ficar em casa. Queria ficar em casa, mas tenho de sair. O dinheiro não me chega para nada. Queria viajar, mas não tenho companhia. Tenho companhia que não quer viajar. Gosto de alguém que não gosta de mim. Alguém gosta de mim, mas eu não correspondo.

Tenho dias em que me arrasto; tenho outros em que abro os olhos, olho para trás, e compreendo que estou anos-luz à frente da Jane Eyre, da Maria Eduarda ou da Madame Bovary. Como foram monótonas as suas vidas! O que elas haviam de suspirar pela minha! O que elas não dariam pelos meus últimos 25 anos de imprevistos, afundanços e desenrascanços. Alegrias, choros, depressões, maravilhamentos. Que vidinhas chatas, as suas! Como é que deram heroínas de romances?!
Nos dias em que olho para a frente, mal posso esperar pelos próximos 25 anos. Hei-de lamentar-me diariamente, que não haja dúvidas; hei-de querer ser outra a cada hora; hei-de maldizer o meu destino, chatear toda a gente, irritar-me, mandar berros, dizer mal dos homens - oh, que bom esta parte! - dizer muito mal dos homens, essa raça toda igual, sem excepções; hei-de ter dias em que morri, ou quererei morrer, e alguém terá de vir aturar-me, pôr-me em pé, eu já sei; e hei-de ser mal agradecida, porque a quem nos salva nunca se agradece que baste; mas, porra, estou mesmo a ver: isto há-de ser outro quarto de século do caraças!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Petróleo para o fogareiro, e, e...

Está bem que temos os salários mais baixos da média europeia, mas, em compensação, temos a terceira gasolina mais cara da Europa, e esse pódio ninguém nos tira!

Esclarecimento aos nãos

Olá, bom dia, é só para informar os partidários da campanha do não, os que em Évora andam a vandalizar as faixas do sim junto à rotunda das portas de Avis, que tal acção pode ser considerada aborto.
Muito obrigada.

Procriação medicamente assistida para todos

Em Portugal precisamos de aumentar a natalidade em 50 mil crianças por ano, e este é um dos argumentos do não no referendo à despenalização da IVG, motivo pelo qual, o líder do CDS-PP propôs que o governo aprovasse medidas de apoio à vida.
Considerando que o governo não está a pensar aumentar o salário dos portugueses, nem nada que se pareça, suponho que isto seja uma alusão lógica às técnicas de procriação medicamente assistida, que deverão ser facultadas, gratuitamente, a todas as cidadãs e cidadãos que desejem ser pais e/ou mães, quer sejam casados ou solteiros, heterossexuais ou homossexuais. Solteiros, homossexuais e lésbicas, etc., não só pagam impostos, como, embora custe muito a acreditar, são pessoas iguais a todas as outras, tipo gente a sério, portanto, por que raio haveriam de ser distinguidos em relação a outros cidadãos? Não teria qualquer sentido!
Se for isto, até me filio no CDS-PP.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Concepção sem sexo


Ainda incomoda muito, isto das mulheres desatarem a tomar decisões inovadoras, com o seu corpo e dinheiro, desafiando as regras sociais, e até as do que se considera razoável em ciência, sem pedirem autorização a ninguém. Isto de não se encostarem a um canto, de não se conformarem com a telenovela, de não abdicarem de uma vida porque não arranjaram um homem, de já não serem as tradicionais solteironas sem remissão, de se estarem nas tintas para a relação conjugal, de conceberem filhos sem sexo, sem um pai... incomoda, incomoda muito.
Vejamos o caso da espanhola, mãe aos 67 anos, com auxílio da reprodução medicamente assistida. Alegam que foi um perigo, que a senhora é velha, que daqui a dez anos pode deixar dois órfãos. Se foi um perigo, foi-o para ela! Se as crianças não viessem a nascer, o mundo continuaria igual, já que a sua existência depende exclusivamente da determinação desta mãe, do perigo que quis correr. Quem se incomoda se um homem for pai aos 67 anos? Ou aos 70? Um pai de 60 anos, e uma mãe de 20, podem sofrer acidentes e deixar filhos órfãos. Em Portugal acontece muito. Mas o que pode correr mal conta mais quando uma mulher está sozinha. Se houver um homem, mesmo que à beira do ataque cardíaco, a questão já não se põe. Os homens, se ficam viúvos, e com filhos, arranjam outra mulher; ou arranjam uma prima, uma cunhada, uma perceptora como no Música no Coração, que bonito! Mas uma mulher que decide ser mãe aos 67 anos, porque adiou a sua própria vida durante a vida inteira é egoísta. Cometeu um acto censurável. Tudo muda porque é mulher.
Eu acho que fez muito bem! Tem, logicamente, todo o direito do mundo a escolher o rumo da sua vida, inclusive o de ter os seus filhos, seja qual for a sua idade. Vai criá-los, como os criaria se fossem seus netos, e a filha tivesse ido trabalhar para o Algarve ou para o Norte ou para Espanha, e nunca tivesse tempo para vir a casa, o que em Portugal também acontece muito.
Que maravilha! Reformada e agora com dois bebés! E sem sexo, caramba; que concepção tão limpinha!
As mulheres desejaram isto desde que se conhecem: não precisarem de aturar um homem para serem mães. Finalmente, o mundo perfeito!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...